Os profissionais que estudam a parasitologia, ciência que estuda os parasitas, seus hospedeiros e a relação entre eles, com certeza já se surpreenderam com o quanto esses seres podem ser prejudiciais para a vida humana, principalmente por grande parte deles não serem vistos a olho nu. Os parasitas, que podem invadir e causar danos a órgãos vitais como o cérebro, variam entre organismos de apenas uma célula a vermes relativamente grandes. É por isso que é de suma importância o constante estudo e pesquisas nesta área, mas, sem mais delongas, confira abaixo os piores parasitas que surgiram no mundo.


- Naegleria fowleri: a ameba que come o cérebro humano


Conhecida por comer cérebros, a ameba Naegleria fowleri é um ser com apenas uma célula, porém, extremamente perigosa. Este parasita vive em lagos de água quente e parada e se alimenta de algas. No entanto, caso entre em contato com uma pessoa, a ameba penetra o nariz e pelos nervos olfativos se aloja na cabeça. Dentro da cabeça humana o parasita se alimenta dos tecidos cerebrais, e o indivíduo pode apresentar sintomas como febre, dor de cabeça, náuseas, torcicolo e vômito em menos de uma semana. Conforme a infecção avança, o paciente desenvolve déficit de atenção, perda de equilíbrio, convulsões, alucinações até entrar em estado de coma e morrer.


Infelizmente, este parasita forma um cisto para se proteger do sistema imunológico do hospedeiro, que no caso é o corpo humano. Até o ano de 2011, foram relatadas 4 mortes pela infecção nos EUA e não há números brasileiros.

- Cryptostrongylus pulmoni: verme do pulmão


Cryptostrongylus pulmoni é uma lombriga microscópica também conhecida como verme do pulmão. Ele pode ser encontrado no sangue do hospedeiro e secreta moléculas biológicas capazes de provocar danos nas funções cerebrais.


Devido à falta de sintomas específicos a obtenção do diagnóstico é difícil, principalmente quando vários órgãos são afetados. A infecção pelo C. pulmoni ainda é difícil de determinar, e é possível que certos subtipos parasitas ainda precisem ser identificados. Um estudo dos EUA conecta o C. pulmoni com o desenvolvimento da síndrome de fatiga crônica.

- Cochliomyia hominivorax: a larva que se aloja nas feridas abertas


Certas moscas que se localizam nas Américas depositam seus ovos em feridas abertas sendo mais frequente nas pernas com 41,7% dos casos, na cabeça com 16,7%, 4,2% na região dorsal, na boca 12,5%, olhos, ouvidos e ânus com 8,3%. No prazo de 12 horas, as larvas começam a consumir o corpo da pessoa viva. E, claro, os vermes causam dores na pessoa. Nestas circunstâncias, não adianta tentar tirar as larvas manualmente ou por meio de água corrente, pois, isso faz com que elas comecem a cavar mais fundo. A única opção neste caso é correr ao processo cirúrgico.


- Loa loa: o verme que se hospeda no olho humano


O vetor de transmissão desse verme nematoide é um inseto do gênero Chrysops, semelhante à mosca. Ela pica uma pessoa contaminada e depois injeta em outra as larvas, que se instalam nos vasos linfáticos e circulam pelo corpo, formando bolhas, causando coceiras e dores abdominais. Os finos vermes brancos de 2 a 7 cm podem atingir até o globo ocular e ficar se movendo sob a superfície do olho, o que causa uma irritação desesperadora. Em casos graves há dano neurológico. Casos assim são mais recorrentes no oeste e no centro da África.

- Taenia solium: larva capaz de causar crises epiléticas


Conhecida como tênia ou solitária, a taenia solium pode provocar crises epiléticas e problemas neurológicos nas pessoas que acidentalmente ingeriram ovos da larva. Os ovos chocam nos intestinos, permitindo que a larva entre diretamente no fluxo sanguíneo, se instalando em diversos tipos de tecido do corpo.

A larva também pode chegar até o cérebro no sistema nervoso central, local em que os embriões se desenvolvem em cistos causando a neurocisticercose, que pode resultar em convulsões e é uma das infeções parasitas do sistema nervoso central consideradas mais perigosas do mundo.

Assim como o verme do pulmão, também é difícil diagnosticar a neurocisticercose por causa da falta de sintomas clínicos específicos. A doença costuma ser mais presente na América do Sul, Ásia e na África subsaariana, mas, alguns casos já foram reportados também no Reino Unido e nos EUA.

- Spirometra erinaceieuropae: lombriga que provoca infecções


A Spirometra erinaceieuropae é uma espécie rara de lombriga que passa parte da vida em anfíbios e crustáceos antes de se mudar para gatos e cachorros durante o ciclo final da vida. Os humanos só são alvos desta espécie em casos acidentais, porém, durante o tempo que este verme vive em uma pessoa ele não atinge a maturidade.


Geralmente, as infecções do S. erinaceieuropae, conhecidas por esparganose, são importadas de áreas da China. Este parasita foi detectado apenas 300 vezes no mundo inteiro na metade do último século, e infecção provocada por ele é adquirida ao beber água contendo crustáceos infectados, ingerindo répteis e sapos crus, ou utilizando emplastro de sapo cru para curar dor nos olhos.


A infecção do Spirometra apresenta grandes nódulos embaixo da pele e inchaço dos músculos que controlam os movimentos dos olhos. A infeção também pode envolver o cérebro e a medula espinhal. O diagnóstico da infecção é obtido pela biópsia da lesão.

Entender a interação entre hospedeiro e parasita é um passo fundamental para desenvolver intervenções e tratamentos para estes parasitas perigosos. Portanto, se você atua na área da biomedicina e deseja aprofundar seus estudos em parasitologia, saiba que o Instituto Monte Pascoal tem a pós-graduação certa para você. Conheça e faça a sua matrícula na especialização em Análises Clínicas e Toxicologia. Amplie seu conhecimento e se destaque no mercado de trabalho como um (a) especialista.



Fonte: Super Interessante e UOL

Imagem: 123RF