O corrimento vaginal é algo que se faz presente na vida da mulher, pois, trata-se de uma secreção produzida e expelida naturalmente pelo canal vaginal, sendo a junção de fluidos e células mortas da vagina que normalmente varia de esbranquiçada e pegajosa a transparente e aguada, com odor característico. A intensidade dessa secreção pode mudar conforme as influências hormonais como a fase do ciclo menstrual, uso de hormônios, gravidez, por variações orgânicas como excitação sexual, ou psicológicas. No entanto, alterações do volume, da cor e do odor, além de alguns possíveis sintomas, como por exemplo dor pélvica podem ser sinais de problemas ginecológicos.

Quando ocorre um desiquilíbrio e a secreção vaginal passa a ser anormal e associada com coceira, ocorrem processos inflamatórios e infecciosos chamados de "vulvovaginites" ou corrimento vaginal como preconiza o Ministério da Saúde. Outros sintomas desta causa incluem dor ou ardor ao urinar e sensação de desconforto pélvico, como foi dito acima.


Além dos indícios de que a saúde vaginal não está em seu estado 100% normal, é preciso estar atento a cor do corrimento vaginal que podem indicar infecções ou certas enfermidades, como:


Marrom ou cor de sangue escuro – este corrimento vaginal pode ser um sinal de ciclos menstruais irregulares, ou com menos frequência, biomedicina.com.br/postagens/2020/12/03/veja-como-as-mulheres-podem-evitar-o-cancer-no-utero/" target="_blank">câncer cervical ou do endométrio. Pode vir acompanhado de dores abdominais e sangramentos;

Amarelo-esverdeado ou acinzentado – o corrimento vaginal nesta coloração, bolhoso, fluido e com mau cheiro pode indicar uma infecção chamada tricomoníase, principalmente se houver dor e desconforto em baixo do ventre durante a relação sexual e coceira vaginal intensa;

Rosa – normalmente, o corrimento vaginal rosa é devido à eliminação do revestimento interno do útero após o parto, também chamado de lóquios;

Branco esverdeado e espesso – este corrimento vaginal é semelhante ao leite talhado, o que significa que a mulher está com uma infecção causada por fungo chamada cândida, na qual, traz sintomas como inchaço, sensibilidade vulvovaginal intensa, irritação e ardor ao redor da vulva, coceira intensa, relações sexuais dolorosas e dor ao urinar. Esta situação costuma melhorar durante as menstruações.

Amarelo-acinzentado fluido – se após as relações sexuais e ou menstruações a mulher apresentar um corrimento vaginal amarelo-acinzentado fluido, com forte odor de peixe, isso indica ser vaginose bacteriana. A doença costuma vir acompanhada de coceira ou ardência, vermelhidão e inchaço da vagina e vulva.

As três principais causas de corrimento vaginal e que representam a maioria dos casos são: Vaginose Bacteriana; Candidíase Vulvovaginal; Tricomoníase.


Vaginose Bacteriana – esta infecção se dá por causa de um desequilíbrio da flora vaginal, que implica numa diminuição dos lactobacilos e um crescimento de bactérias, principalmente a Gardnerella vaginalis. Embora não seja uma infecção transmitida sexualmente, algumas mulheres predispostas podem desencadear este problema ao terem contato com sêmen de pH elevado. Além disso, a vaginose bacteriana pode ser assintomática. Por isso, em qualquer um dos casos é necessário o tratamento com uso de antibiótico.


Candidíase Vulvovaginal – se caracteriza como uma infecção da vulva e vagina, causada por um fungo que habita a mucosa vaginal e digestiva, que cresce quando o meio se torna favorável para o seu desenvolvimento. A candidíase pode ser transmitida por meio de relações sexuais, mas, na maioria dos casos a infecção ocorre através do fungo Candida albicans.


Certos fatores podem influenciar a proliferação do fungo como: gravidez, diabetes, obesidade, uso de anticoncepcionais orais de altas dosagens, uso de antibióticos ou corticóides, hábitos de higiene e vestuário inadequados e contato com substâncias alérgenas ou irritantes. Portanto, na presença desta infecção o tratamento com antifúngicos na forma de creme vaginal ou por via oral deve ser realizado.

Tricomoníase – trata-se de uma infecção causada por um protozoário chamado Trichomonas vaginalis que tem os seres humanos como únicos hospedeiros. Nos homens costuma ser assintomáticos, enquanto nas mulheres apresenta os sintomas apresentados acima quando o corrimento é amarelo-esverdeado ou acinzentado. Sua transmissão ocorre através de relação sexual sem proteção. A forma de tratamento mais utilizada é feita com antifúngicos por via oral.

Como se prevenir?


A Candidíase e a Vaginose, por não serem doenças sexualmente transmissíveis, podem ser evitadas com medidas simples como:

Hábitos de higiene corretos;

Dormir sem calcinha;

Usar calcinha de algodão;

Dar preferência às roupas mais soltas e leves de modo a proporcionar uma boa ventilação, evitando assim, o aumento do calor e da umidade local na genitália.

Já a Tricomoníase, como é uma DST, pode ser evitada com uso de preservativo nas relações sexuais.

Exames


Os diagnósticos das infecções mencionadas acima só podem ser feitos por meio de consulta com o ginecologista, no qual, prescreverá exames clínicos para a paciente. Um deles é o Papanicolau, exame ginecológico mais realizado, em que é feita uma coleta de material no colo do útero com uma espátula especial. O material coletado é colocado em uma lâmina e analisado por uma citopatologista por meio de um microscópio.

O achado de micro organismos atípicos no exame de Papanicolaou nem sempre indica a presença de doenças, no entanto, é mais uma ferramenta de diagnóstico. Já a Análise Microscópica do Corrimento ou Bacterioscopia é realizada por meio da coleta da secreção vaginal que será analisada microscopicamente em busca de fungos e bactérias, como por exemplo, o fungo causador da candidíase.

Se você atua como biomédica (o), farmacêutico (a), bióloga (o) ou médico (a) e deseja se especializar na área de Citopatologia, saiba que o Instituto Monte Pascoal possui uma pós-graduação certa para você. Conheça e faça a sua matrícula na especialização em Citopatologia Ginecológica. Se torne um (a) especialista e faça a diferença no mercado de trabalho.



Fonte: Minha Vida, Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) e Gineco

Imagem: 123RF