A ciência e a tecnologia forense tiveram seu grande avanço na década de 80, momento em que as técnicas de identificação, baseadas na análise direta do DNA, tornaram-se uma das ferramentas mais eficazes para a identificação humana e investigações criminais. Antes desse tempo, as biomedicina.com.br/postagens/2015/06/17/teste-que-revela-uso-de-drogas-a-partir-de-impressoes-digitais/" target="_blank">impressões digitais e outras informações colhidas eram usadas para solucionar crimes; atualmente, são inúmeros os espécimes biológicos dos quais o DNA pode ser extraído. Dessa forma, as perícias em genética forense realizam análises de identificação genética em humanos, animais e vegetais.

É possível extrair DNA de pequenas amostras de sangue, ossos, sêmen, cabelo, dentes, unhas, saliva, urina, entre outros fluidos. A análise feita de maneira cuidadosa desses materiais ajuda a identificar criminosos, isso porque o DNA possui uma alta estabilidade química mesmo depois de um longo período de tempo.


Em exames com biomedicina.com.br/postagens/2020/09/19/estado-brasileiro-recebe-robo-que-analisa-dna-e-amplia-as-investigacoes/" target="_blank">DNA humano, por exemplo, o profissional que atua como perito consegue identificar a origem do material biológico deixado no local de crime. Em caso de exame de vínculo genético, o objetivo, em geral, é a identificação de restos mortais, principalmente ossadas ou corpos carbonizados.


Já em relação as espécies animais, o exame de identificação busca determinar se o material apreendido é originado de algum animal silvestre, o que configura crime, ou ainda, se é de espécie ameaçada de extinção. São utilizados nas análises, penas, pele, dentes, ossos, entre outros. No entanto, o mais comum, são fragmentos de carne de caça.

Caso Leicester


O caso Leicester diz respeito ao primeiro assassinato desvendado com o uso da genética. O crime aconteceu em agosto de 1988, no condado de Leicestershire, na Inglaterra, o caso envolvia o estupro e homicídio de duas adolescentes, Lynda Mann e Dawn Ashcroft. A polícia colheu amostras de sêmen deixado nos corpos das duas meninas e realizaram os exames de biomedicina.com.br/postagens/2020/09/19/estado-brasileiro-recebe-robo-que-analisa-dna-e-amplia-as-investigacoes/" target="_blank">DNA. Nesse tempo, um homem chamado Richard Buckland, confessou os dois crimes.

Na localidade em que os homicídios ocorreram havia um médico e geneticista chamado Alec Jeffreys, professor na universidade de Leicester. E, no ano de 1985 Alec publicou um artigo na revista Nature, que comentava sobre certas regiões do DNA que permitiam identificar uma pessoa com quase 100% de certeza.

Com o estudo de Alec, a polícia da época o procurou e pediu para que testes de DNA fossem realizados com os sêmens colhidos nas vítimas com a intenção de fazer a comparação com o DNA de Richard Buckland. O resultado do exame mostrou que os sêmens encontrados nas duas jovens eram do mesmo homem, mas, não pertenciam a Buckland.

Para conseguir solucionar de vez o caso, a polícia incentivou uma campanha de doação sangue no condado. Alec analisou e comparou amostras de 3.600 homens, porém nenhum deles tinha o DNA compatível. Mas, em 1988 a polícia obteve a informação de que um funcionário de uma padaria, Ian Kelly, na época da doação, tinha entrado na fila para doar sangue no lugar de um colega padeiro, chamado Colin Pitchfork.


Com isso, a polícia buscou Colin Pitchfork, e por meio da sua amostra de seu sangue foi possível identificar que o estuprador e Colin eram a mesma pessoa. Colin confessou os crimes e entrou para a história como o primeiro indivíduo a ser condenado por causa de um exame de DNA.

Qualidade da amostra


As amostras biológicas podem ser encontradas nas mais diversas situações quando estão fora das condições controladas e estáveis do organismo, principalmente quando estão expostas em condições de meio ambiente, temperatura, umidade, exposição a agentes químicos e microrganismos, como fungos e bactérias. Essa variação do ambiente pode acaba causando a degradação da amostra dificultando a análise. Com isso, os resultados parciais obtidos são pouco confiáveis ou simplesmente não geram resultados.

Nesse sentido, é necessário seguir padrões rígidos durante a coleta do material biológico e os procedimentos preliminares para exame de identificação humana por DNA para que a análises sejam eficazes. Além disso, independentemente das condições, as analises encontradas em perícias devem ser fotografadas antes de serem tocadas ou movidas. A sua localização relativa no ambiente e as condições do material devem ser documentadas através de fotos, filmagem ou, na ausência destes recursos, por meio de esquemas e relatórios detalhados.

Como a amostra pode ser contaminada?


Essa situação pode ocorrer se houver: contaminação por material biológico humano; transferência de indícios biológicos; contaminação microbiológica; contaminação química. Dentro desse contexto, cada tipo de amostra apresenta características diferentes, levando a diferentes taxas de sucesso na análise de cada uma.

Matérias que podem ser colhidos em cenas de crime


- Sangue


Bastante comum em cenas de crime, o sangue é o principal meio de transporte de substâncias do organismo, prova disso são os diagnósticos de saúde obtidos por meio de hemogramas e exames de sangue que são constantemente prescritos pelos médicos.

Por se tratar de uma grande fonte de informações, as amostras de sangue forense são ricas em detalhes podendo indicar se a vítima estava sob efeito de álcool ou drogas se houve envenenamento, entorpecimento ou outras condições que podem ter motivado o crime, assim como a identificação do (s) criminoso (s).

Unhas e cabelos


As unhas são amostras forenses mais úteis do que o cabelo para extração do material genético, pois, mesmo quando cortadas e não arrancadas, as unhas carregam consigo uma quantidade elevada de DNA se comparado com os fios de cabelo. Isso porque, as unhas possuem fragmentos de pele que aumentam as taxas de sucesso na análise, sendo elas da mão ou do pé.

Enquanto o cabelo, embora seja fácil de ser coletado é preciso que os fios estejam com a raiz, o que exige que sejam de fato arrancados do couro cabeludo. Fios cortados não são viáveis para análise, pois a haste do cabelo, composta por queratina, não possui DNA.

Saliva


Considerada uma fonte de DNA muito útil devido ao fato de ser coletada de maneira simples, rápida, indolor e com menores riscos potenciais de contaminação, a saliva pode ser utilizada mesmo estando armazenada nas mais diferentes condições.

Restos mortais


O período post-mortem é bem válido para as investigações forenses. Em diversos casos, mesmo após o período da autópsia, ou ter passado anos decorridos, ainda é possível extrair material genético de restos mortais oriundos de exumação, embora não seja um trabalho fácil. Essa dificuldade se justifica porque a extração de DNA de ossos é um processo custoso e muito trabalhoso, que exige uma preparação cuidadosa das amostras e que, mesmo seguindo rigorosamente os protocolos estabelecidos, nem sempre é bem-sucedido.

A coleta de amostras de restos mortais de exumação é útil em situações em que o caso já está a muito tempo sem solução, sendo a última fonte possível de material genético. O sucesso da análise depende essencialmente do tempo decorrido desde o falecimento do indivíduo: quanto maior, menores as chances de êxito.

Preservativos e roupas íntimas


Um preservativo utilizado em uma relação sexual conterá, posteriormente, fluidos biológicos dos indivíduos envolvidos no ato. Estes fluidos, que podem ser sêmen, sangue ou secreção vaginal, costumam ser boas fontes de material genético. As principais variáveis para o bom resultado nestes casos, são: o tempo decorrido desde a relação, a forma de armazenamento e o manuseamento da amostra.

Em relação as roupas íntimas, elas só podem ser utilizadas como amostras desde que haja presença de algum fluido corporal na peça. Devido a esta limitação, um resultado excelente costuma ser muito variável, conforme a quantidade de fluido disponível.

Quer saber mais sobre a área da genética forense e da perícia criminal de modo geral? Então, conheça e faça a sua matrícula na especialização em Perícia Criminal e Investigação Criminal "Dupla Certificação" do Instituto Monte Pascoal. Aprenda muito com o módulo de Biologia e Genética Forense; e vários outros que irão agregar muito conhecimento para sua vida e para seu currículo profissional. Desperte o especialista que há em você!



Fonte: Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) e KASVI

Imagem: 123RF