A heparina é um anticoagulante utilizado para prevenir a formação de coágulos de sangue, ou seja, trombos que podem se formar no circuito do aparelho de hemodiálise. Este fármaco foi criado em 1916, sendo o anticoagulante mais antigo empregado na prática clínica. Introduzido no mercado na década de 1930, a heparina foi considerada um avanço médico monumental, dada a escassez de alternativas que tivessem o mesmo efeito.


Trata-se de um agente natural encontrado em vários tecidos, e é produzido principalmente no fígado. O mesmo também pode ser fabricado artificialmente a partir de vísceras de porco ou gado. Além disso, segundo o farmacêutico Marcos Machado, a heparina é definida como um polissacarídeo polianiônico sulfatado, pertencente à família dos glicosaminoglicanos e à classe dos anticoagulantes. Sendo assim, o fármaco atua impedindo a formação de coágulos sanguíneos, os trombos.

Quando os trombos são formados eles podem se desprender do local e serem levados através da circulação sanguínea e provocar embolia, uma obstrução do fluxo de sangue no local onde o coágulo foi levado. A embolia pode ocorrer em pacientes com insuficiência renal e que estão em programa de hemodiálise, e é por isso que é indicado o uso de heparina.

Como a heparina funciona?


A administração intravenosa desse anticoagulante apresenta efeito imediato enquanto a administração subcutânea produz efeito mais prolongado, com início da ação de 20 a 30 minutos e concentração sanguínea máxima entre 2 a 4 horas.

A sua biotransformação ocorre nas células, no sistema retículo endotelial e no fígado, mas seu processo de metabolização ainda é desconhecido. Após cumprir sua tarefa, ela é excretada, em parte, pela urina. Já em relação ao seu mecanismo de ação, o fármaco inibe as reações que levam à coagulação do sangue e à formação de coágulos. Para esse fim, a heparina se liga a várias proteínas, em especial a antitrombina, que altera e inibe a trombina.


"Esse medicamento bloqueia a chamada cascata de coagulação, que depende de vários fatores. Entre eles, destaca-se a trombina (fator IIa) e o fator Xa. Ao inativar a primeira, o fármaco impede que ela se converta em fibrina", explica Marcello Iacomini, farmacêutico e bioquímico. E é isso que previne a formação de trombos e também prolonga o tempo de coagulação do sangue.

Em quais casos o anticoagulante pode ser usado?


As heparinas são indicadas para prevenir e tratar as seguintes condições:

Trombose venosa profunda, presença de coágulo em um vaso;

Embolia pulmonar, coágulo em uma artéria do pulmão;


Infarto Fibrilação atrial;


Cirurgias em geral, principalmente cardíacas e ortopédicas;


Hemodiálise;


Pacientes acamados em razão de doenças agudas, como falência respiratórias, infecções graves, etc.


Procedimentos cardiológicos, como o cateterismo.


É importante realizar o uso racional desse remédio, de forma apropriada, na dose certa e pelo tempo determinado pelo seu médico.

Como usar a heparina?


Hemofol – SC (Heparina sódica)


O Hemofol 5.000 UI/0,25 mL solução injetável para administração subcutânea profunda deve ser injetado no tecido subcutâneo da região abdominal com o uso de agulha fina. Para prevenir o desenvolvimento de hematoma, cada injeção deve ser administrada em um local diferente.

Hemofol – IV (Heparina sódica)


Quando a heparina for adicionada a uma solução de infusão, a bolsa ou frasco contendo a solução deve ser vertido por pelo menos seis vezes. Este procedimento assegura a homogeneização adequada da heparina na solução.

As soluções mais adequadas para preparar uma solução de infusão são: glicose a 5% e a 10%, e a solução de Ringer. Se for possível, o Hemofol (heparina sódica) não deve ser misturado com outros medicamentos.

Vias de administração


Hemofol IV e Hemofol SC devem ser administrados por via intravenosa em injeções diretas ou em infusão por via subcutânea, respectivamente. Durante procedimentos dialíticos, a medicação deve ser administrada na linha arterial do circuito de diálise.


Contraindicação


A heparina é contraindicada para pacientes que apresentam hipersensibilidade à heparina, trombocitopenia severa, endocardite bacteriana subaguda, suspeita de hemorragia intracraniana, hemorragia ativa incontrolável, hemofilia, retinopatia, quando não houver condições para realização de teste de coagulação em intervalos adequados e nas desordens que implicam em danos ao sistema vascular, como por exemplo nos casos de úlcera gastrintestinal, hipertensão diastólica maior que 105 mm Hg.

O fármaco também não deve ser utilizado em situações de diáteses hemorrágicas, cirurgias de medula espinhal, aborto iminente, coagulopatias graves, na insuficiência hepática e renal grave, em presença de tumores malignos com permeabilidade capilar elevada do aparelho digestivo e, algumas púrpuras vasculares.

Pacientes com histórico de trombocitopenia induzida por heparina e trombose o uso é contraindicado. Além disso, as gestantes, lactantes ou neonatos não devem utilizar a apresentação de heparina contendo álcool benzílico. É recomendável o uso de heparina isenta de conservantes.

Possíveis efeitos colaterais


Este medicamento é considerado bem tolerado, seguro e eficaz quando utilizado com supervisão ou de acordo com as orientações médicas. Apesar disso, algumas pessoas poderão observar as seguintes manifestações:

Comuns – sangramento; aumento de enzimas do fígado; trombocitopenia.

Menos comum – dor nas costas; dor estomacal ou abdominal; constipação; tontura; dor de cabeça; sangramento menstrual inesperado ou não usual; tosse ou vômito com sangue.


Raros – dor no peito; tremores; febre; respiração acelerada ou irregular; irritação, dor ou ferida no local da aplicação no caso de injeção.


Interações medicamentosas


Certos medicamentos não combinam com a heparina. E quando isso ocorre, elas podem alterar ou reduzir seu efeito. Por isso, é importante consultar o médico, caso esteja fazendo uso das substâncias abaixo descritas, que são exemplos de interação, mas não excluem outras que, eventualmente, possam ter o mesmo efeito.

Outros agentes trombolíticos ou antiacoagulantes que afetem a coagulação, por exemplo, a varfarina e a enoxaparina;

Anti-inflamatórios não esteroidais, como o ácido acetilsalicílico;

Antiagregantes plaquetários, como o clopidogrel ou ticlopidina;


Antibióticos, como a ampicilina;


Agentes que aumentam o volume de sangue, por exemplo, dextrano 40.


Entre os suplementos, a heparina não combina com o cálcio, por reduzir seus níveis. "Quanto aos fitoterápicos, informe seu médico sobre o uso de suplementos à base de ginkgo biloba, semente de castanha-da-Índia, maracujá e ginseng, que poderiam aumentar o risco de sangramentos", adverte Amouni Mourad, farmacêutica e assessora técnica do CRF-SP.


Interação com alimentos


O ideal é evitar grandes quantidades de alho, gengibre e mirtilo, que têm propriedades anticoagulantes.

Existe interação com exames laboratoriais?


Sim. Dessa forma, é necessário sempre informar ao médico solicitante de exames, ou ao pessoal do laboratório, sobre o uso da heparina, principalmente se a pessoa faz ou fez uso de doses elevadas. Ela pode influenciar o resultado de exames que avaliam a coagulação, como os testes de tromboplastina parcial ativada (TTPa) e do Tempo de Coagulação Ativada (TCA).


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Fonte: Consulta Remédios e Viva Bem

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