O câncer de colo do útero ocupa a terceira colocação como o câncer mais comum em mulheres e está em quarto lugar em causa de morte de mulheres por câncer, no Brasil. O principal fator de risco é a infecção pelo vírus HPV, que é transmitido sexualmente, mas existem vários outros riscos que podem causar a doença. Confira!

Infecção pelo papilomavírus humano


O principal fator de risco para o câncer de colo do útero é a infecção pelo papilomavírus humano (HPV). O HPV é um grupo de mais de 150 vírus relacionados. Alguns provocam um tipo de crescimento denominado papilomas, que são mais comumente conhecidos como verrugas.


Certos tipos de HPV podem causar verrugas nos órgãos genitais femininos e masculinos ou na região anal. Esses são chamados de baixo risco, porque raramente estão associados ao câncer. Outros tipos de HPV são denominados de alto risco, porque estão associados a cânceres, incluindo câncer de colo do útero, vulva e vagina em mulheres, câncer de pênis em homens e câncer de ânus, boca e garganta em homens e mulheres.


Apesar de ainda não existir cura para a infecção pelo HPV, existem maneiras de tratar as verrugas e o crescimento anormal das células provocadas pelo HPV. Além disso, as vacinas contra o HPV estão disponíveis para prevenir a infecção por certos tipos de HPV e alguns dos cânceres associados a esses tipos.

Histórico sexual


Diversos fatores que envolvem o histórico sexual da pessoa podem aumentar o risco de desenvolver o câncer de colo do útero. Esse risco está provavelmente relacionado ao aumento das chances de exposição ao HPV, como se tornar sexualmente ativo antes dos 18 anos, ter muitos parceiros sexuais, ou ainda, ter um parceiro considerado de alto risco, ou seja, com infecção pelo HPV ou que tenha muitos parceiros sexuais.

Tabagismo


A probabilidade das mulheres desenvolverem o câncer de colo do útero é dobrada quando ela é fumante se comparado aquelas que não fumam. Fumar expõe o corpo a muitos produtos químicos cancerígenos que afetam outros órgãos além dos pulmões. Essas substâncias prejudiciais são absorvidas pelos pulmões e transportadas pela corrente sanguínea por todo o corpo, além do que fumar torna as defesas do sistema imunológico menos eficazes no combate a infecções pelo HPV.

Imunossupressão


Em mulheres portadoras do vírus da imunodeficiência humana (HIV) uma lesão pré-cancerígena do colo do útero pode evoluir para um câncer invasivo mais rápido do que o esperado.

Infecção por clamídia


A clamídia é um tipo relativamente comum de bactéria, transmitida pelo contato sexual, que pode infectar o sistema reprodutivo. Essa infecção pode causar inflamação pélvica, levando a infertilidade. A infecção por clamídia geralmente não provoca sintomas nas mulheres, por isso, o acompanhamento com um ginecologista e a realização de exames pelo menos uma vez ao ano é de suma importante.


Pílulas anticoncepcionais


Algumas evidências indicam que o uso de contraceptivos orais por um longo período de tempo aumenta o risco de desenvolver câncer de colo do útero, porém esse risco tende a desaparecer após a mulher parar com o uso dessa medicação. Entretanto, a questão se os benefícios do uso das pílulas anticoncepcionais superam os riscos potenciais deve ser discutida entre a mulher e seu médico.

Várias gestações


Mulheres que tiveram três ou mais gestações têm um risco maior de desenvolver câncer de colo do útero. Acredita-se que muitas dessas mulheres tenham relações sexuais desprotegidas, tornando-as mais expostas ao HPV. Alguns estudos mostraram que alterações hormonais durante a gravidez, podem tornar as mulheres mais suscetíveis à infecção pelo HPV ou desenvolvimento do câncer. Outro estudo aponta que as mulheres grávidas podem ter sistemas imunológicos mais fracos, permitindo a infecção pelo HPV e o desenvolvimento da doença.

Idade


Aquelas que tiveram a primeira gravidez com menos de 20 anos são mais propensas a ter câncer de colo do útero do que as mulheres que engravidaram pela primeira vez após os 25 anos de idade.

Situação econômica


Diversas mulheres de baixa renda por não terem acesso adequado aos serviços de saúde, não fazem o exame de Papanicolau e HPV, logo não são rastreadas ou tratadas para pré-cânceres ou cânceres de colo do útero.

Dieta


Mulheres com dietas pobres em frutas e vegetais podem ter um risco aumentado para desenvolver câncer de colo do útero.

Fatores de risco que não podem ser alterados


Dietilestilbestrol


O medicamento hormonal, dietilestilbestrol (DES) foi administrado entre anos 1938 e 1971, com o objetivo de evitar o aborto. Dessa forma, as mulheres, nas quais, as mães tomaram DES durante a gravidez delas podem desenvolver a doença com uma frequência acima do esperado. No entanto, cerca de 1 caso deste tipo de câncer em cada 1000 mulheres cujas mães tomaram DES durante a gravidez, o que significa que cerca de 99,9% das filhas, cujas mães fizeram uso do DES não desenvolverão esse tipo de câncer. O risco parece ser maior em mulheres cujas mães tomaram o medicamento durante as primeiras 16 semanas de gravidez.

Histórico familiar


As mulheres que possuem mãe ou irmã que tiveram câncer de colo do útero apresentam um risco maior de desenvolver a doença do que aquelas que não tem casos de doença na família. Alguns pesquisadores suspeitam que alguns casos dessa tendência familiar são causados por uma condição hereditária que torna algumas mulheres menos capazes de combater a infecção pelo HPV do que outras. Em outros casos, as mulheres da mesma família de uma paciente já diagnosticada têm um ou mais fatores de risco não genéticos para a doença.

Fatores que podem diminuir o risco


Dispositivo intrauterino


Certas pesquisas indicam que mulheres que usaram um dispositivo intrauterino (DIU) apresentaram um risco menor de desenvolver câncer de colo de útero. O efeito sobre o risco foi observado mesmo em mulheres que usaram um DIU por menos de um ano e o efeito protetor permaneceu após a remoção do mesmo.


Vale ressaltar que as mulheres que desejam fazer uso do DIU devem antes discutir os possíveis riscos e benefícios do mesmo com seu médico.

Outro detalhe é que, nas situações em que o câncer de colo do útero é descoberto na fase inicial as chances de cura são bem maiores. Portanto, é importante fazer regularmente o Papanicolau, que é o exame para rastrear alterações nas células do colo do útero.

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Fonte: Pfizer e Instituto Oncoguia

Imagem: 123RF