A Lei 13.103, conhecida como Lei do Caminhoneiro trouxe mudanças para a vida desses motoristas, como a realização dos exames toxicológicos de larga janela de detecção que devem ser feitos durante a admissão e na demissão dos profissionais contratados por meio do regime CLT e nas renovações de CNH das categorias C, D e E.

O exame que também é chamado de Exame Toxicológico do Cabelo, pode ser feito somente em laboratórios devidamente credenciados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). O procedimento é simples, rápido, indolor, e não exige nenhum preparo por parte do motorista.


O principal objetivo deste exame é garantir à empresa que o colaborador não seja usuário de substâncias tóxicas que provocam acidentes e prejuízos não só para o empregador como também para o motorista e para as pessoas que circulam pelas estradas. Além disso, a recusa do motorista em cumprir essa obrigação pode, de acordo com a lei, ser considerada uma infração disciplinar por parte da empresa.

Para realizar o exame é coletado fios de cabelo do (a) motorista. Apesar de não parecer, o fio de cabelo humano e os pelos corporais são formados por estruturas muito complexas. A partir da análise realizada por meio do microscópio, é possível observar, realizando um corte simples no fio, o interior do seu córtex, a medula e a cutícula capilar.

Conforme o tempo ou a frequência de drogas utilizadas, haverá uma maior concentração de substâncias no cabelo. Para que o exame esteja de acordo com a legislação, é necessário considerar a taxa de crescimento de cada parte do fio para que essa janela de detecção seja de um período de 90 dias.

Cada taxa varia de acordo com a parte do corpo analisada. O cabelo da barba não tem o mesmo crescimento que um fio de cabelo da cabeça, por exemplo. Dessa forma, os laboratórios que realizam os exames consideram as estatísticas de acordo com o que exige a Constituição Federal.


Outro detalhe é que pessoas que são carecas podem realizar o exame. Neste caso, é coletado outros materiais, como pelos de partes do corpo ou fragmentos de unhas.


Com a coleta dos fios de cabelo feita, o exame toxicológico passa para a fase de triagem. Composto por duas etapas, a primeira é durante a lavagem da quantidade de cabelo recolhida, com o objetivo de evitar contaminações externas e, consequentemente, o resultado de falso positivo.

A segunda etapa é um método denominado Elisa, que identifica substâncias psicoativas e os metabólitos ligados a elas. Através do uso de determinados reagentes, sempre que houver a impregnação de drogas no cabelo recolhido o antídoto presente no tubo acusará as substâncias contidas nessa amostra.


Caso haja a presença de pelo menos uma das drogas testadas, o resultado será positivo. Mas, se nenhuma dessas substâncias for encontrada, o exame é finalizado nessa etapa e o laudo com resultado negativo é entregue nas próximas 24 horas.


Entretanto, se o resultado der positivo na segunda fase da triagem a fase de confirmação identifica a concentração da droga. É utilizado, nessa etapa, o espectrômetro, equipamento com a capacidade de confirmar a positividade dessas substâncias. A partir daí, será emitido o resultado do laudo que será enviado ao cliente e à empresa.

O exame toxicológico de larga janela de detecção é considerado um dos testes mais seguros para identificar o consumo de drogas. Até porque, as amostras coletadas não podem ser adulteradas pelo uso de coloração, gel, shampoos nem qualquer outra substância que o paciente tenha usado no cabelo.

Além disso, a principal vantagem em relação a outros tipos de exames se deve ao fato de a queratina, principal material colhido, indica o rastro de drogas ilícitas consumidas até mesmo nos últimos 180 dias.

Drogas identificadas pelo exame toxicológico de larga janela de detecção


Maconha


Uma é uma das drogas mais consumidas no Brasil, principalmente pelo baixo preço e por ser acessível nos grandes centros urbanos. A substância que mais causa os seus efeitos é o tetrahidrocanabinol (THC), que varia de quantidade de acordo com a forma como é produzido ou consumido.

Após fumar o cigarro de maconha, os efeitos variam de acordo com quem a consome. Em algumas pessoas, pode despertar euforia e sentimento de felicidade, com risos espontâneos. Em outros pode causar sonolência, fome, olhos vermelhos e perda de noção de tempo e espaço.

Seu uso é prejudicial aos caminhoneiros devido a perda temporária de coordenação motora, do equilíbrio, da capacidade cognitiva e à taquicardia. O tempo desses efeitos dependerá do modo como a maconha é utilizada, por exemplo, quando a droga é fumada costuma durar aproximadamente 5 horas. Caso seja ingerida, o efeito demora mais a vir, mas pode durar cerca de 12 horas.

Quando a quantidade de THC for muito alta, podem aparecer, ainda, sintomas como alucinações, ilusões, ansiedade, pânico e impotência sexual. A longo prazo, os efeitos são mais danosos, como uma chance maior de desenvolver câncer de pulmão, bronquites, tosse crônica e arritmia cardíaca.

Cocaína


A cocaína é extraída da planta Erythroxylon coca, ela é encontrada na América do Sul e Central e produzida em laboratório. Por atuar diretamente no sistema nervoso central, essa droga sintética é considerada psicotrópica.

Consumida principalmente por aspiração, seus efeitos são devastadores. A cocaína afeta diretamente os órgãos à medida que percorre seu caminho até o cérebro. Os mais afetados por ela são:

Coração - causa arritmia, aumento da frequência cardíaca e pressão arterial, além de infarto;

Rins - pode levar à falência renal múltipla;

Trato gastrointestinal - causa úlceras, perfurações estomacais e intestinais;

Pulmão - danos permanentes e perfuração das vias respiratórias.


Entre os caminhoneiros, a cocaína torna-se extremamente perigosa devido ao fato de causar alucinações, convulsões, AVC e perda de sentidos, podendo provocar sérios acidentes.

Anfetaminas


São as principais substâncias utilizadas pelos motoristas profissionais. Elas exercem determinadas ações químicas no cérebro que provocam excitação, falta de apetite e insônia.

As alterações que ela provoca nos neurotransmissores chamados serotonina e dopamina tornam o profissional mais alerta e causa, inicialmente, sensação de bem-estar. Sob os efeitos dessa droga, os motoristas têm a sensação de que conseguem enfrentar longas jornadas, têm aparente melhora no desempenho intelectual e tornam-se mais falantes.

Dependendo da droga utilizada, os efeitos podem durar entre 8 e 12 horas. Passado esse período, o indivíduo passa a se sentir deprimido, angustiado e descarregado, provocando a necessidade de consumir novamente um ou mais comprimidos, provocando o vício.

Além do sistema nervoso, essas drogas agem em outros órgãos, provocando aumento de frequência cardíaca e da pressão arterial, além de arritmias, gastrite, tremor, boca seca e irritabilidade frequente.


Elas podem ser responsáveis, ainda, por episódios de intestinos presos, alternando com as já mencionadas crises de diarreia. Certos tipos de anfetaminas podem, também, provocar acidentes vasculares cerebrais, em virtude do grande aumento de pressão arterial provocado.

O MDMA, sigla da droga conhecida como ecstasy, é um derivado de anfetamina que mantém o indivíduo atento e acordado. A substância também aumenta a sensação de luminosidade e acuidade visual. Após o efeito, o motorista se sente cansado, com depressão e sonolência, aumentando as chances de ocorrer acidentes nas estradas.

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Fonte: Tudo sobre exame toxicológico

Imagem: 123RF