Um estudo publicado na revista European Respiratory Journal ressalta que o medicamento Nitazoxanida, comercialmente conhecido como Annita, pode reduzir em até 55% a carga viral do novo coronavírus em pacientes que estão com até 3 dias de confirmação da doença Covid-19. A pesquisa teve a coordenação da professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Patricia Rocco, na qual, esclarece que a redução da carga viral representa uma menor possibilidade de contágio pelos pacientes tratados e evita o agravamento das condições de saúde.


No Brasil já foram realizados estudos que comprovam a eficácia deste fármaco, e, para explicar melhor sobre o assunto o programa Os Pingos Nos Is, da Jovem Pan News, entrevistou o infectologista e professor da UFRJ, Edimilson Migowski. Ele explica que outro estudo foi realizado na cidade de Volta Redonda no Rio de Janeiro e trouxe resultados surpreendentes. Até o dia 26 de dezembro de 2019, foram tratados com o medicamento Nitazoxanida 583 pacientes, sendo eles de alto risco e com mais de 40 anos. Dentro deste quadro de enfermos, todos foram tratados precocemente com até 3 dias de confirmação da doença.


"Em Volta Redonda nós tivemos duas internações em enfermaria que tiveram alta, zero insuficiência respiratória, zero internação em [Unidade de]Terapia Intensiva e zero óbito, mostrando de forma muito clara e inequívoca que a medicação precoce é sim, segura e vem se mostrando eficaz, ou seja, vem ao encontro desse estudo conduzido pela Patrícia Roco, também da UFRJ, que mostrou uma queda da carga viral e, portanto, em tese menor risco de transmissibilidade do vírus também", ressalta o infectologista.

Migowski também enfatiza que o medicamento Nitazoxanida não possui patente e conta com cerca de oito fabricantes no Brasil, o que garante um tratamento mais barato, custando menos de 100 reais para a saúde pública. Além disso, ele afirma que em Volta Redonda o tratamento fez com que a saúde pública ficasse com uma ocupação em leitos de UTI em torno de 10%, diferente do setor privado que obteve mais casos de internação em UTI e não adotaram o mesmo método.


Carga viral


De acordo com Migowski o que faz com que a pessoa tenha uma doença de maior gravidade é a quantidade de agente infeccioso. Sendo assim, de maneira simplificada o infectologista diz que o fato de bater com uma chinela em alguém uma única vez não é capaz de ferir ou matar, mas, caso seja dado um milhão de ‘chineladas’ essa agressão pode fazer com que a pessoa morra. Nesse sentido, ele argumenta que quando a carga viral é diminuída, a quantidade de vírus é menor, o que traz como resultado uma gravidade reduzida da doença.


"Por reduzir a gravidade, reduz a terapia intensiva, reduz a tempestade inflamatória, reduz as complicações, reduz a morte e também faz com que essa pessoa uma vez infectada por ter uma carga viral menor, transmita o vírus com menos eficiência, o que é bom para a pessoa que está tomando medicamento e bom para a comunidade já que, diminuindo a carga viral em tese haveria menor transmissibilidade do vírus", ressalta.

Medicamento Annita em outras doenças virais


Edimilson Migowski, conta durante entrevista para o programa da Jovem Pan News que apesar de muitas pessoas disserem que não há evidência científica sobre a molécula contida no medicamento Annita, ele possui estudos publicados desde 2010 em que os dados mostram que a molécula contém ação antiviral para os casos de dengue e febre amarela, além de outras publicações que mostram a atuação da molécula no combate ao vírus influenza e outros vírus.


Tratamento precoce


O infectologista ressalta a importância de começar o tratamento com Nitazoxanida o quanto antes ou até no terceiro dia após o início dos sintomas da doença Covid-19. Segundo Migowski os pacientes que deram início ao uso do fármaco de forma rápida, ou seja, dentro dos 3 primeiros dias e com as doses certas não foram à óbito. Já os pacientes que deram início após cinco dias de sintomas e só tomaram 2 comprimidos ou que no terceiro dia com sinais da doença tomou somente 4 comprimidos dos 18 que teriam que tomar faleceram.

"Não intervir precocemente, no meu entendimento e no entendimento de vários pesquisadores, entre eles a própria Patrícia Rocco, é hoje um erro que está sendo cometido. Eu não tenho aqui a autorização para falar por ela, mas, o trabalho que ela assina junto com outros professores direciona o nosso raciocínio para dizer que existe sim uma possibilidade para tratar precocemente", afirma Edimilson Migowski.


Qual é a dosagem e a quantidade de dias adequadas para o tratamento com Nitazoxanida?


Levando em consideração o estudo publicado na revista científica, European Respiratory Journal, e coordenado pela pesquisadora Patrícia Rocco, o antiviral Nitazoxanida deve ser tomado em até 3 dias após a confirmação da doença no organismo, e ser administrado na dosagem de 500 mg, de 8 em 8 horas, durante 5 dias.

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Fonte: Governo Federal e Jovem Pan

Imagem: A Voz da Cidade