A Balística Forense é uma disciplina que faz parte da Criminalística e seu principal foco é o estudo das armas de fogo, das munições e dos fenômenos e efeitos próprios dos tiros destas armas, no interesse das infrações penais. Em sua primeira definição é a parte da física mecânica, que estuda o movimento dos projéteis, justificada plenamente como uma disciplina autônoma em seus métodos de pesquisa e aplicação criminalística. Dessa forma, pode-se dizer que a balística é a ciência da velocidade dos projéteis.


Armas de fogo


São instrumentos que usam elevadas quantidades de gases produzidos pela queima instantânea de uma carga, constituída por um combustível seco sendo a pólvora ou o sucedâneo, como forma de propulsão dos projéteis. Esta queima somente ocorre na presença de "chama viva", que era como se detonavam as armas de fogo antigas: canhões, bombardas, arcabuzes, bacamartes, garruchas entre outras, com o auxílio de um pavio acesso. Daí foi percebido a necessidade de existir nos cartuchos uma segunda mistura combustível, capaz de se acender ou inflamar quando golpeada. Esta forma parte da espoleta ou escorva.

Divisão da balística


De acordo com os estudos da balística forense, esta pode ser dividida em: balística interna, balística externa e balística dos efeitos.


Balística interna


Também chamada de balística interior, é a divisão da balística que estuda a estrutura, mecanismos e funcionamentos da arma de fogo, o tipo de material usado na sua fabricação assim como, a sua resistência às pressões desenvolvidas no momento do tiro. Além disso, este ramo da balística descreve as técnicas do tiro.

Balística externa


Conhecida também como balística exterior, estuda a trajetória do projétil, desde a saída da boca do cano da arma até a sua parada final, chamada de repouso. A balística exterior também verifica as condições do movimento, velocidade inicial do projétil, sua forma, massa, superfície, resistência do ar, a ação da gravidade e os seus movimentos intrínsecos.

Balística dos efeitos


Denominada também como balística terminal ou balística do ferimento, estuda os efeitos gerados pelo projétil desde que abandona a boca do cano até atingir o alvo.


Essa divisão da balística forense tem o objetivo de analisar e descrever os efeitos causados pelos disparos com armas de fogo. Dentre seus objetos de análise estão os impactos dos projeteis, os ricochetes desse durante sua trajetória, as lesões e danos sofridos pelos corpos atingidos. Buscando a partir de métodos científicos identificar os efeitos causados pela arma que efetuou os disparos para que através dela haja uma futura identificação do criminoso e sua detenção.

Nesse sentido, o site do Ministério Público do Paraná mostra como seria um relato de caso de um homicídio, mostrando como a balística forense insere suas informações precisas sobre o crime, confira:


Relata-se o caso referente ao homicídio de João Souza (nome fictício), encaminhado à Seção de Balística Forense, em outubro de 2014, oriundo da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa da Capital – Subdivisão de Homicídios. Em resumo, o caso trata de homicídio cometido contra um funcionário público, que durante suas atividades profissionais de fiscalização, foi abordado subitamente por um indivíduo que realizou vários tiros contra a sua pessoa, após a aplicação de uma multa resultante de uma infração administrativa. O suspeito evadiu-se do local após o crime e o exame pericial do local de morte identificou a presença de estojos deflagrados de calibre nominal .40S&W, que é de uso restrito e amplamente utilizado por forças policiais. Após um breve período de investigação, a Polícia Civil deteve o principal suspeito em uma cidade do litoral, portando uma pistola semiautomática de calibre nominal idêntico àquela utilizada no homicídio, com a numeração de série suprimida por ação abrasiva. As superfícies de suporte de numeração da arma foram submetidas às técnicas de revelação químico-metalográficas preconizadas e o número de série recuperado evidenciou que a pistola era parte integrante de um lote de armas da Polícia Militar que havia sido desviado de um Batalhão em uma grave situação de desvio de conduta praticada por um dos militares responsáveis. Após a prisão, a Delegacia encaminhou à seção a pistola semiautomática citada, de marca Taurus, calibre nominal .40S&W e seu carregador, assim como projéteis de arma de fogo, encaminhados pelo Instituto Médico-Legal da Capital. O exame de confronto balístico foi conclusivo, evidenciando que os projéteis removidos do corpo da vítima eram procedentes da arma questionada, consolidando a prova necessária para o desfecho do caso.

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Fonte: Protecta e Ministério Público do Paraná (MPPR)

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