A agência nacional de segurança sanitária da França (ANSES) após realizar análise de novos dados científicos, atualizou o relatório que havia sido publicado em abril deste ano de 2020 sobre o potencial de transmissão da Covid-19 através de animais. Até o momento, a agência confirma que os animais domésticos e silvestres não desempenham um papel epidemiológico na propagação do SARS-CoV-2 na França. A contaminação pelo vírus em humanos se dá pela transmissão respiratória entre uma pessoa e outra.

Em circunstâncias específicas como uma alta receptividade ao SARS-CoV-2 em algumas espécies de animais, requerem vigilância para não constituírem, no futuro, um reservatório animal favorável à disseminação do vírus, como em criações de animais silvestres para consumo humano.


Em relação aos animais domésticos, o mais indicado é que as pessoas contaminadas pela Covid-19 respeitem um período de distanciamento de seus bichos de estimação, para limitar os riscos de infecção de humanos para os pets, mesmo que isso não comprometa a sua qualidade de vida.

Receptividade X Sensibilidade


A receptividade ao SARS-CoV-2 é a capacidade de uma espécie animal de abrigar o vírus sem necessariamente desenvolver sintomas. Já a sensibilidade é a capacidade da espécie animal de expressar sinais clínicos e/ou lesões devido ao vírus. Os dados disponíveis para definir se uma espécie animal é receptiva ou sensível ao vírus SARS-CoV-2 vêm de infecções experimentais ou de infecções naturais observadas no campo.


Sensibilidade entre espécies animais


Em galinhas, perus e patos nenhuma infecção experimental mostrou que eles são receptivos ou sensíveis ao SARS-CoV-2, de acordo com estudo da ANSES. Além disso, nenhum dado sobre infecção natural foi registrado até o momento entre estas espécies.


Bovinos e suínos, precisarão de mais estudos para confirmar ou negar sua receptividade ao vírus, mas, estudos publicados mostram que esses animais não são sensíveis ao novo coronavírus.


Entre coelhos e cães, a sensibilidade deles ainda precisa ser confirmada. Poucos cães desenvolveram sinais clínicos em condições naturais devido aos níveis muito elevados de exposição ao vírus. Os testes realizados entre cães não conseguiram demonstrar a transmissão do vírus entre eles. Dessa forma, atualmente não há dados científicos mostrando a transmissão do SARS-CoV-2 de cães para outra espécie.


Já os gatos são receptivos e sensíveis ao SARS-CoV-2 com transmissão apenas entre gatos e nunca para humanos. Não há dados científicos mostrando a transmissão do SARS-CoV-2 de gatos para outra espécie animal. Assim como acontece com os cães, a ocorrência de infecções naturais em gatos com o vírus ocorre em um contexto de alta pressão viral, através do contato próximo com seus proprietários afetados pela Covid-19.


Furões e hamsters são receptivos e sensíveis ao vírus SARS-CoV-2, com transmissão intraespécie comprovada. Porém, nesta fase não existem dados científicos que mostrem a transmissão da SARS-CoV-2 destes animais para outras espécies, nem qualquer infecção natural.


Em relação ao vison, dados de infecções naturais relatados na Holanda, Dinamarca, Espanha e Estados Unidos mostram que esta espécie é receptiva e sensível ao SARS-CoV-2, com transmissão interespécies comprovada. Eventos na Holanda, e mais recentemente na Dinamarca, apoiam a retransmissão do vírus de visons infectados para humanos, mas a ANSES enfatiza que a ocorrência desses eventos está ligada ao contexto de alta pressão viral devido à alta densidade da população animal dentro dessas fazendas de criação do bicho.

Tigres, leões e pumas em cativeiro em zoológicos são espécies receptivas e sensíveis ao SARS-CoV-2, mas não transmitem o vírus para humanos. Por enquanto e à luz das evidências científicas atualmente disponíveis, a agência francesa confirma que os animais domésticos e selvagens não desempenham um papel epidemiológico na manutenção e propagação da SARS-CoV-2.


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Fonte: Viva Bem

Imagem: 123RF