Quem já assistiu séries como CSI e Dexter tem uma certa noção de como funciona o trabalho dentro da ciência forense, mas, certas curiosidades que talvez você não tenha visto você vai saber por aqui. Para começar, o nome forense vem de um adjetivo em latim que significa "respeitante ao fórum judicial", ou seja, aquele que ajuda os tribunais a cumprir sua difícil missão de fazer justiça.


Outro detalhe importante é que apesar de utilizar métodos considerados tecnológicos na investigação de crimes, a ciência forense existe a muitos séculos. Para ter uma dimensão do tempo que os estudos nessa área existem, o primeiro livro sobre ciência forense foi escrito no século 13, por um juiz chinês chamado Song Ci. O "Collected Cases of Injustice Rectified", que em português seria algo como "Coletânea de Casos de Injustiça Retificados". A obra trata de uma série de regras com o intuito de que os médicos legistas não cometam erros ou sejam corrompidos.


Além disso, o livro em questão está dividido em 53 capítulos e 5 volumes. Conhecido também como "Uma Lavagem dos Erros", a obra de Song Ci explica como uma autópsia deve ser feita, além de mostrar a diferença entre morte por afogamento ou estrangulação. Baseado em estudos e observações o autor traz casos reais da vila em que ele vivia para explicar suas técnicas.


Insetos que ajudam a solucionar casos


Song Ci também foi o primeiro autor a documentar o uso da entomologia forense. Isso significa que ele usava insetos e outros artrópodes na investigação criminal. Essa aplicação da biologia na resolução de crimes estuda a sucessão de insetos necrófagos que atacam o cadáver. De maneira geral, os insetos que se encontram ali servem para determinar não só o local da morte como também o momento em que o fato aconteceu.


Moscas, escaravelhos e ácaros são muito importantes para essa área de pesquisa. Porcos também podem ajudar os pesquisadores, pois, são utilizados como cobaias por cientistas já que comem de tudo e tem poucos pelos assim como a pele humana. Ao estudar os corpos dos porcos, eles conseguem descobrir os ciclos de vida de diferentes insetos que comem cadáveres em todas as regiões do planeta.


A importância do DNA


O estudo do DNA é chamado de genética forense e tem como objetivo ajudar na resolução de casos criminais. A fase considerada moderna dessa ciência deve-se aos estudos do médico Alec Jeffreys, da Universidade de Leicester, na Inglaterra. Em 1984, ele criou uma forma de identificar as pessoas através de fragmentos do material genético. Foi ele quem nomeou, inclusive, as características únicas do DNA de uma pessoa como "impressões digitais do DNA".


Por meio dessas descobertas, um pedaço de unha ou um pelo que os criminosos deixam no local do crime podem servir para condená-los. Em contrapartida, é possível por meio das amostras coletadas inocentar pessoas que estavam presas injustamente.


Ao longo do tempo as técnicas foram melhorando e hoje é possível identificar o DNA de uma pessoa com amostras menores, como por exemplo, em bitucas de cigarro ou guardanapos usados. Entretanto, essa técnica de DNA só funciona se for feita com comparação, pois, uma amostra sem suspeito não é de grande serventia. Sendo assim, países como Inglaterra e Estados Unidos possuem cadastros de código genético de todas as pessoas que já foram acusadas de algum delito. Já aqui no Brasil, um decreto de março de 2013 instituiu o Banco Nacional de Perfis Genéticos e a Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos.


Porém, há casos excepcionais que confundem a averiguação de um crime, como o fato ocorrido em 2009. Nesse ano, a polícia alemã descobriu que uma suspeita, que eles já estavam perseguindo há 16 anos por cometer vários assassinatos era, na verdade, uma mulher que trabalhava na fábrica de algodão responsável pela produção dos cotonetes usados na investigação. Ou seja, a suspeita não tinha nenhuma relação com os crimes o que houve mesmo foi só o descuido da fábrica com o material, no qual, produziam.


Fazenda de corpos


Hoje em dia, nos Estados Unidos há cinco universidades que utilizam um centro de pesquisa denominado de "fazendas de corpos". Por lá, os cientistas estudam cadáveres e os efeitos que o tempo e a natureza têm sobre os corpos. Essa forma de pesquisa ajuda a determinar o tempo em que a vítima está morta e, claro, solucionar casos de crime antigos.


O Laboratório Nacional Oak Ridge, da Universidade do Tennessee, foi o responsável pela criação da "fazenda de corpos" original, em 1981. Eles recebem cerca de 100 corpos doados, todo ano. Com os cadáveres no local eles são colocados em diversas condições, como no chão da terra, na traseira de carros, dentre outras, e deixados em decomposição para que os cientistas consigam analisar como acontece com o corpo humano em diferentes condições.


Diante desse estudo de corpos os pesquisadores já descobriram a concentração de cinco ácidos liberados pela decomposição de músculos e gordura, compostos inorgânicos que escorrem de ossadas para o solo, entre outras situações. As informações são importantes porque, de acordo com os cientistas, ocorre de maneira previsível com todos os seres humanos.


O olfato canino


Os cães possuem o olfato muito apurado e por isso possuem ótima contribuição para a ciência forense. Os animais servem para detectar drogas e também identificar corpos em decomposição, e substancias como querosene e gasolina mesmo que em quantidades pequenas.


Tecnologias farejadora capazes de detectar resíduos menores que 1 nanograma de odores de decomposição e explosivos já foram desenvolvidas, mas, isso não descarta o trabalho dos cães. Eles ainda são utilizados para seguir um rastro até a sua origem, enquanto os aparelhos são úteis para identificar o tipo de material encontrado.


Autopsias não-cirúrgicas


De maneira geral, a autopsia é utilizada para determinar qual foi a causa da morte de uma pessoa, porém o método pode ser traumático para os familiares da vítima. Além disso, certas culturas e religiões proíbem essa prática. Mas, com a tecnologia é possível produzir uma autopsia digital, chamada iGene, está em pesquisa há mais de uma década. Em 2010, foi aberto o primeiro centro, na Malásia, e outro foi inaugurado no final de 2013, desta vez na Inglaterra.


Com a injeção de um corante no corpo e uma tomografia computadorizada completa, é possível mapear todos os órgãos, veias e ossos em 3D. Um bisturi virtual faz com que os legistas rodem a imagem, cortem partes do corpo e vejam dentro dos órgãos. No entanto, a autópsia não é indicada em mais ou menos 25% dos casos, como por exemplo, causas de envenenamento. Se a família da pessoa que faleceu quiser usar a tecnologia, ao invés do método tradicional, precisa pagar 500 libras. Mas, se o médico legista indicar a autópsia digital por conta de um crime, não há nenhum custo.


Se você gosta da área de ciência forense e quer aprofundar seus estudos, esse é o momento certo para você começar sua especialização em Ciências Forenses - Perícia Criminal na Incursos. Se torne um especialista e faça a diferença no meio profissional.



Fonte: Super Interessante

Imagem: 123RF