A coloração das fezes pode indicar sinais sobre algumas situações que podem estar acontecendo no organismo. Por mais que muitas pessoas tratem com nojo e com desdém, a produção do cocô é um mecanismo fisiológico igual a muitos outros do nosso organismo. Por isso, é importante observar como está a coloração e o formato das fezes após a evacuação.


De acordo com a nutricionista Paulina Nunes da Silva, as fezes são restos sólidos ou semissólidos dos alimentos que não foram digeridos e absorvidos pelo intestino delgado. A cor natural deve ser marrom, devido à bile produzida pelo fígado. Nesse sentido, antes de mostrar o que cada cor de fezes quer dizer é importante entender o que o formato das fezes significa.


Apesar de parecer que não, existe 7 tipos de formatos de fezes diferentes classificadas na Escala de fezes de Bristol elaborada em 1997 contendo as formas consideradas mais habituais.


Tipo 1: são as fezes que possuem o formato de "bolinhas", sendo duras e separadas. É necessário fazer força durante a evacuação.


Tipo 2: são moldadas, duras e com bolas agrupadas que podem se soltar. É preciso fazer força para as fezes passarem.


Tipo 3: são moldadas também, mas, com formato que remete uma salsicha com algumas rachaduras na superfície.


Tipor 4: também são moldadas e com formato que lembra salsicha, porém, com superfície lisa sendo fácil de evacuar.


Tipo 5: não são moldadas, possuem pedaços moles e são fáceis de evacuar.

Tipo 6: são fezes pastosas ou semi-líquidas, com alguns pedaços moles misturados.


Tipo 7: são fezes liquidas sem pedaços sólidos.


Os tipos 1 e 2 explicados acima significam que a pessoa possui transito intestinal lento, com pouca fibra na alimentação e uma certa tendência para constipação intestinal. Já os tipos 3, 4 e 5 estão dentro dos formatos considerados normais, sendo o tipo 4 a forma mais adequada e saudável das fezes.


Sendo assim, Paulina, esclarece que o esperado das fezes é uma consistência mole, com uma forma ligeiramente alongada e a cor natural marrom. "O ideal é que a consistência e a forma não causem dor ou dificuldade para evacuar" explica a nutricionista.

Ainda se tratando dos tipos de fezes, vale observar se as fezes do tipo 5 não estão com bordas definidas e se estão boiando, caso esteja podem indicar um transito intestinal acelerado, com evacuação com muitos gases, carboidratos e gordura. Nesse caso, as fezes são consideradas um tipo de diarreia e não é uma forma considerável de evacuação.


Para finalizar, os tipos 6 e 7 significam que o transito intestinal da pessoa é acelerado e por isso, possui menos tempo para absorver a água e os nutrientes, considerado também como diarreia.


Muco


O muco nas fezes é só um resquício do próprio muco presente na parede dos intestinos e sua função é lubrificar o órgão para a facilitar a passagem do transito intestinal. Sendo assim, pequenas quantidades de muco podem aparecer de maneira intermitente nas fezes, mas, não é considerado problema de saúde.


No entanto, caso a ocorrência de muco na evacuação seja recorrente e em grande quantidade, isso pode ser sinal de problema intestinal. A causa mais comum é a síndrome do intestino irritável, uma alteração benigna do funcionamento do intestino. Esse aparecimento de muco costuma vir acompanhado de diarreia, constipação intestinal ou das duas maneiras de forma alternada. Outro sintoma comum são as cólicas.


Caso a pessoa tenha alterações nas fezes como diarreia com pus e/ou sangue, a presença do muco torna-se um sinal relevante. Neste caso, há possibilidade de diagnósticos que incluem gastroenterites infecciosas, especialmente se o paciente tiver febre, e doenças inflamatórias intestinais, como Doença de Crohn ou retocolite ulcerativa.

Os casos em que há presença de muco e sangue nas fezes de quem possui mais de 50 anos pode ser um sinal de tumor intestinal, vale consultar o profissional da saúde especializado para saber melhor sobre qual é o diagnóstico do paciente.


Cor das fezes


Fezes verdes: para explicar qual é a causa das fezes verdes é necessário entender o que é a bile. A bile é uma substância produzida no fígado, excretada no intestino e eliminada junto às fezes. A bile é um pigmento esverdeado que se torna marrom após sofrer ação de bactérias e das enzimas digestivas do trato intestinal.

Nesse sentido, as fezes em tons esverdeados podem ocorrer sempre que algo não permite que as fezes saiam na cor marrom, uma das causas mais comuns é a diarreia que deixa o transito intestinal muito rápido, diminuindo o tempo de exposição da bile a bactérias e a enzimas digestivas.


Outra causa da coloração é o alto consumo de vegetais verdes, tais como: espinafre, brócolis e alface. Além disso, outras causas em pessoas adultas são o consumo recente de antibióticos, que podem diminuir a flora bacteriana normal dos intestinos; a ingestão de alimentos e bebidas com corantes verdes; ingestão de ferro que apesar de provocar fezes negras pode aparecer verde escuro também.


Já em relação aos bebês, é comum que as fezes sejam esverdeadas ou meio amareladas, principalmente durante o aleitamento materno. Isso porque os bebês ainda não têm uma flora intestinal totalmente desenvolvida, por isso, a bile não adquire a coloração castanha considerada normal.

Entretanto, as primeiras evacuações dos recém-nascidos são chamadas de mecônio, sendo fezes verde bem escuro. Isso acontece porque as fezes foram formadas ainda dentro do útero e vão se tornando mais claras conforme novas evacuações são feitas devido a alimentação do bebê ser somente de leite materno.


Fezes pretas: normalmente possuem duas causas, uma é o sangramento do trato gastrointestinal alto, ou seja, esôfago, estômago ou duodeno, e a outra causa é o consumo de suplemento de ferro ou outros medicamentos, como salicilato de bismuto.

Nas situações que ocorrem sangramento do esôfago, estômago ou duodeno, isso acontece devido à digestão do sangue, que necessita percorrer todo o trato intestinal antes de ser eliminado junto ao cocô. Normalmente, as fezes negras com sangue são pastosas, grudentas e com odor intenso. Este tipo de fezes é chamado de melena.


O que difere as fezes melena das fezes negras devido ao alto consumo de ferro é que nesses casos não há odor exagerado e a consistência não é pastora e nem grudenta.


Fezes amarelas ou com gordura: são causadas por deficiência na absorção de gorduras digeridas ou por diminuição da concentração de bile no cocô.


As pessoas que frequentemente evacuam fezes amareladas, principalmente se elas boiarem ou tiverem gotas de gordura parecidas com gotas de óleo ao redor, devem procurar orientação médica, pois estes sinais indicam problemas na digestão da gordura ingerida.

Algumas doenças que podem provocar má-absorção de gorduras são: pancreatite, doença celíaca, e giardíase.


Em situações que as evacuações de fezes amarelas ocorrem de maneira esporádica, juntamente com diarreia de curta duração, não há muito importância, pois são problemas de absorção transitórios causados, geralmente, por alguma intoxicação alimentar ou gastroenterite viral.

Fezes brancas ou claras: isso acontece porque a falta de bilirrubina faz com que as fezes tenham uma coloração assim. Outra causa das fezes claras são doenças como cirrose e hepatite habitualmente estão associadas à presença de icterícia (pele amarelada).

Fezes vermelhas com sangue: na maioria dos casos é um sinal de sangramento no sistema digestivo. Além disso, essa presença de sangue envolto no cocô pode ser causada por lesões no reto, principalmente, hemorroidas ou fissura anal.

Por mais que a evacuação com sangue seja provocada por lesões benignas do ânus e do reto, isso também pode ser um sinal de doença dentro do cólon, como tumores, diverticulite ou doença inflamatória intestinal. As disenterias causadas por gastroenterites bacterianas também podem provocar fezes sanguinolentas.

Vale lembrar que é preciso distinguir a presença do sangue nas fezes com o cocô de coloração avermelhada, sendo que nesse segundo caso normalmente ocorre por consumo de alimentos ou bebidas com corantes de cor vermelha, consumo grande de beterraba, tomate ou cranberry.

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Fonte: MD.Saúde e Paulina Nunes da Silva CRN: 7229

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