O hemograma é considerado o exame mais realizado no mundo. No entanto, dentre os diversos exames de sangue existentes, quem não atua na área da saúde normalmente não compreende de maneira fácil do que se trata as siglas que aparecem nos exames. Por isso, aprenda o significado das siglas TRAb, anti-TPO e anti-tireoglobulina, e tire suas dúvidas.


Quando se trata da glândula tireoide, as principais doenças existentes como a tireoidite de Hashimoto e a doença de Graves, têm uma origem autoimune, ou seja, são provocadas pelo surgimento de anticorpos contra a própria tireoide. Sendo assim, para identificar a possibilidade da doença é realizado o exame de sangue.


Por meio do exame sanguíneo é possível perceber a presença de pelo menos três anticorpos antitireoidianos: anti-TPO, TRAb e anti-tireoglobulina, que auxilia o profissional da saúde no diagnóstico da tireoidite de Hashimoto e na doença de Graves.

O que é uma doença autoimune?


É uma doença que surge quando há um defeito no sistema imunológico, que inapropriadamente passa a produzir anticorpos contra nós mesmos. Ao invés do organismo produzir anticorpos somente contra vírus, bactérias ou outros agentes invasores nocivos, o sistema imunológico cria anticorpos que apresentam dificuldades em distinguir uma bactéria ou vírus de uma proteína natural de um órgão ou tecido do nosso organismo.

Diversas doenças são autoimunes, tais como: diabetes tipo I, artrite reumatoide, vitiligo, lúpus, e doença celíaca.


O que são anticorpos tireoidianos?


Tanto na tireoidite de Hashimoto quanto na doença de Graves, o sistema imunológico passa a produzir anticorpos que atacam proteínas específicas da glândula tireoide. Os anticorpos se ligam a determinados pontos da tireoide e passam a atacá-los, provocando uma grande reação inflamatória local e destruição do tecido sadio da glândula tireoide.

Sendo assim, os principais auto-anticorpos associados a doenças autoimunes da tireoide são: Anticorpos Antitireoperoxidase (anti-TPO), Anticorpos Antitireoglobulina (Anti-Tg), Anticorpos Anti-receptores de TSH (TRAb).

Anti-TPO (anticorpos anti-tireoperoxidase)


A tireoperoxidase (TPO) é uma enzima localizada nas células epiteliais da tireoide que participa da síntese dos hormônios tireoidianos.


Entre pacientes com tireoidite de Hashimoto, mais de 90% possuem anticorpos anti-TPO (antigamente chamado anticorpos anti-microssomal). Os anticorpos anti-TPO também estão presentes na doença de Graves, mas em menor frequência, ao redor de 75% dos casos.

Entretanto, vale ressaltar que cerca de 15% da população geral saldável e das gestantes, sem doenças da tireoide, podem ter anticorpos anti-TPO positivos, sem que isso tenha significado clínico imediato. Além disso, Os anticorpos anti-TPO também são comuns em familiares de pacientes com doenças autoimunes da tireoide. 50% deles têm anti-TPO positivo sem ter qualquer sinal de doença da tireoide.


Sendo assim, não basta ter anticorpos antitireoidianos presentes para se desenvolver doença autoimune da tireoide. Outros fatores ainda não totalmente elucidados são necessários. Porém, de maneira geral, pacientes com anticorpos anti-TPO apresentam maior risco de desenvolverem doenças autoimunes da tireoide, principalmente se já tiverem critério para hipotireoidismo subclínico.

Valores de referência do Anti-TPO


Boa parte dos laboratórios trabalham com o valor de referência para o anti-TPO menor que 15 U/ml. Porém, há laboratórios que trabalham com até 60 U/ml como a faixa de normalidade. Portanto, o mais indicado, é comparar o valor do anti-TPO do paciente com o da referência do laboratório. Quanto maior for o resultado, mas provável é a presença de uma doença autoimune da tireoide.

Anticorpos anti-tireoglobulina (anti-Tg)


A tireoglobulina é uma substância precursora dos hormônios da tireoide, que costuma ficar estocada dentro do tecido tireoidiano.

A presença de anticorpos contra a tireoglobulina é muito comum na tireoidite de Hashimoto, estando presente em 80 a 90% dos casos. Em geral, pacientes com Hashimoto apresentam anti-tireoglobulina e anti-TPO positivos. A presença de anti-tireoglobulina positiva e anti-TPO negativo na tireoidite de Hashimoto é pouco comum.

Da mesma forma que ocorre com os anticorpos anti-TPO, os anticorpos anti-tireoglobulinas também podem estar presentes também na doença de Graves. Cerca de 50 a 70% dos pacientes com Graves tem estes anticorpos positivos.

Embora estejam muito relacionados às doenças autoimunes da tireoide, a presença de anticorpos anti-tireoglobulinas não significa necessariamente que o paciente tenha ou venha a ter algum problema da tireoide. Cerca de 15% da população saudável e das grávidas podem ter esses anticorpos detectáveis no sangue, sem que isso tenha relevância clínica.

Diferente do anti-TPO, os anticorpos anti-tireoglobulina podem sumir após anos de tratamento do hipotireoidismo.

Valores de referência do anti-tg


Na maioria dos laboratórios, o valor de referência para o anti-tireoiglobulina é menor que 100 U/ml. Há laboratórios que trabalham com outros valores de normalidade, por isso, mais importante que o valor absoluto é a comparação com os valores de referência fornecidos no laudo.

Anticorpos anti-receptores de TSH (TRAb)


O TSH é um hormônio liberado pela glândula hipófise, que age estimulando a produção de hormônios pela tireoide. Os receptores de [p]TSH localizados na tireoide podem ser alvo de ataque de anticorpos, que recebem o nome de anticorpos anti-receptores de TSH (TRAb).

Ao contrário do anti-TPO e do Anti-Tg, que são mais frequentes na tireoidite de Hashimoto que na doença de Graves, o TRAb encontra-se presente em até 95% dos casos de Graves e apenas em 20% dos pacientes com Hashimoto. Outra diferença relevante é o fato do TRAb não estar, habitualmente, presente na população em geral sadia.

Os anticorpos anti-receptores de TSH podem se unir aos receptores de TSH e estimulá-los, levando a tireoide a produzir hormônios tireoidianos em excesso. O TRAb também pode se ligar aos receptores de TSH e bloqueá-los, impedindo que o TSH atue sob a tireoide, provocando, assim, um estado de hipotireoidismo.

Valores de referência do TRAb


Na maioria dos laboratórios, o valor de referência para o TRAb é menor que 1,5 U/L.

A dosagem do TRAb pode ser usada para acompanhar a eficácia do tratamento, uma vez que o seus valores costumam cair conforme a doença de Graves é controlada.

Quando investigar a presença de anticorpos antitireoidianos?


Em geral, o TRAB, anti-TPO e a anti-tg não são essenciais para o diagnóstico das doenças da tireoide. Como a imensa maioria dos casos de hipotireoidismo são causados pela tireoidite de Hashimoto, a dosagem de anti-TPO e a anti-tg acaba acrescentando pouca informação clínica ao caso. Sua utilidade é maior na avaliação da progressão dos casos de hipotireoidismo subclínico.

Já nos pacientes com hipertireoidismo, o melhor exame para investigar a causa é a cintigrafia com iodo, pois ela é capaz de distinguir as diversas doenças que provocam o funcionamento excessivo da glândula tireoide.

A pesquisa de TRAb acaba sendo muito útil apenas se no local onde o paciente mora não houver facilidade para se realizar a cintigrafia.

Um resultado positivo para TRAb em pacientes com hipertireoidismo é fortíssimo indício de doença de Graves.

Por outro lado, um TRAb negativo praticamente descarta Graves. O resultado negativo, porém, não ajuda a identificar a possível causa do hipertireoidismo, como faz a cintigrafia com iodo. Por isso ela é o método preferido.

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Fonte: MD.Saúde

Imagem: Dr. Tireóide