O dia 19 de junho é celebrado o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme. O objetivo da data em questão é sensibilizar a população sobrea doença e o tratamento e, dessa forma diminuir os índices de morbidade e mortalidade da doença. Para se ter uma noção só no Brasil cerca de 60 mil pessoas vivem com a Doença Falciforme, no entanto, poucas sabem do que se trata ou já ouviram falar sobre este assunto.

A doença falciforme é hereditária e apesar de ser predominante na população negra também pode se manifestar em pessoas brancas. A característica principal da doença é a alteração nos glóbulos vermelhos, que perdem a forma arredondada e elástica e tomam formato de uma foice, o que faz jus ao nome falciforme, no qual, endurecem e dificulta a passagem do sangue pelos vasos de pequeno calibre e a oxigenação dos tecidos.


O diagnóstico pode ser feito quando o indivíduo ainda é bebê por meio do teste do pezinho que deve ser feito na primeira semana de vida ou por eletroforese de hemoglobina que pode ser realizado em crianças a partir de 4 meses e também em adultos que não realizaram o teste do pezinho. Os exames podem ser feitos de forma gratuita através do Sistema Único de Saúde (SUS) e também em instituições particulares.


O que é a Doença Falciforme?


Trata-se do nome utilizado para as doenças causadas pela presença de uma Hemoglobina anômala, a Hemoglobina S nos glóbulos vermelhos.

O que é hemoglobina?


É uma proteína responsável pelo transporte de oxigênio aos tecidos. Está presente nos glóbulos vermelhos do sangue (Hemácias).

O que são hemácias?


São células flexíveis e arredondadas que conseguem transitar por todos os vasos sanguíneos do organismo, levando o oxigênio ligado à hemoglobina. Alterações na Hemoglobina podem gerar anormalidades nas hemácias e na sua função de transportar oxigênio.

Como se adquire a Doença Falciforme?


Trata-se de uma doença hereditária, ou seja, herdada dos pais, causada por uma mudança no gene da Hemoglobina. Como resultado desta alteração genética, uma Hemoglobina anormal, chamada Hemoglobina S, é produzida em lugar da Hemoglobina normal (Hemoglobina A), presente nas pessoas adultas que não apresentam a doença.

Quando um indivíduo herda dois genes com esta alteração, (um do pai e outro da mãe), é homozigota para a Hemoglobina S (Hb SS), e é portador de Anemia Falciforme (forma homozigota da Doença Falciforme). Quando herda a alteração de apenas um dos pais é considerada Traço Falciforme (HbAS), e não tem doença. Nesse caso, poderá transmitir este gene mutado para seus filhos.

A Hemoglobina S pode ainda associar-se a outras anormalidades da hemoglobina, como por exemplo Hemoglobina C, Hemoglobina D, Beta Talasemia, entre outras, gerando diferentes condições, todas elas sintomáticas. Todas as condições geradas pela Presença da Hemoglobina S são conhecidas como Doença Falciforme, e somente a presença de dois genes para HbS é chamada de Anemia Falciforme.

O que a "Hemoglobina S" causa no organismo?


As hemácias das pessoas com Doença Falciforme sofrem alterações que modificam sua forma, pois, adquirem a forma de uma foice ou meia lua o que as tornam mais rígidas, dificultando sua passagem pelos vasos sanguíneos e comprometendo a circulação sanguínea e a oferta de oxigênio aos tecidos.

Quais as principais complicações da doença falciforme?


Esta doença possui certas particularidades que as distinguem de graus variados de gravidade, mas, as diferentes formas caracterizam-se por numerosas complicações que podem afetar quase todos os órgãos e sistemas, com expressiva morbidade, redução da capacidade de trabalho e da expectativa de vida, necessitando fazer a identificação e tratamento precoce.

Quais são os principais sinais e sintomas da doença falciforme?


Anemia, com icterícia (olhos amarelos)

Dores ósseas e articulares

Atraso no crescimento e desenvolvimento infantis

"Síndrome Mão Pé", com inchaço e dor em punhos, tornozelos e dedos. Em geral nas crianças até 2 anos de idade.

Risco maior de infecções, dentre outros.

Qual é o tratamento para a doença falciforme?


O tratamento se baseia principalmente na prevenção das situações que levam à modificação da forma das hemácias, como manutenção do calendário vacinal em dia, rápido tratamento de infecções, evitar desidratação ou exposição inadequada a temperaturas extremas, evitar atividades físicas muito intensas, dentre outros.

Já para tratar as crises de dor são utilizadas hidratação e analgésicos, administrados em casa ou na unidade de saúde dependendo da gravidade. Para outras complicações, o paciente deve procurar prontamente o serviço de saúde na presença dos sinais e dos primeiros sintomas.

Toda a medicação necessária para minimizar as complicações da doença, e melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, é oferecida de forma gratuita pelo SÚS tais como: ácido fólico, analgésicos, antiinflamatórios e antibióticos. Também pode ser oferecido na forma de compra centralizada, a penicilina oral, medicamento usado para evitar possíveis infecções oportunistas, e que deve ser tomado todos os dias, até os cinco anos de idade.

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Fonte: Blog Saúdemg

Imagem: Envato Elements