Em 2016, foi criado no aeroporto de Gatwick, em Londres, uma campanha de inclusão para pessoas que possuem deficiência oculta. Denominada como cordão de girassol, ela contempla diferentes tipos de doenças, como por exemplo: autismo, Alzheimer, doença de crohn, esclerose múltipla e outras doenças não visíveis. A campanha ganhou notoriedade e repercutiu em diferentes países, como é o caso de Londres, Espanha e outros. No entanto, para que possa expandir e ser implantada no Brasil, várias pessoas utilizam suas redes sociais com a famosa hashtag cordão de girassol, buscando reforçar e conscientizar não só às pessoas de estabelecimentos comerciais, mas com o intuito que a campanha alcance também autoridades de instituições de iniciativa pública e privada, além de órgãos que possam abraçar esta nobre causa.

O cordão de girassol é aderido às crianças, aos adolescentes e adultos que possuem determinadas doenças das quais geralmente não são visíveis a olho nu, dando mais visibilidade e respeito. Além de ajudá-las, seus responsáveis terão um melhor atendimento dentro dos estabelecimentos em que costumam frequentar.

A campanha é uma forma dessas pessoas se sentirem mais confortáveis em determinados lugares, visto que, devido a movimentação ao seu redor, faz com que se tenha uma manifestação de crise ocasionada pela doença, pelo fato de não estarem acostumadas com ambientes que possuem muito barulho. Além disso, busca-se enfatizar a solidariedade e empatia para com elas.

A servidora pública, Maria Cristina, tem um filho de 2 anos com autismo, para ela a campanha é algo essencial para pessoas com deficiência, pois é assertiva e simples, sendo uma ideia fantástica.

"Especificamente falando do meu filho, a ideia pode ajudar muito. As pessoas com biomedicina.com.br/postagens/2019/10/22/entendendo-o-autismo/" target="_blank"> TEA não têm características físicas, por exemplo, e a maioria da população procura alguma característica aparente como referência, além disso, os comportamentos, as estereotipias são difíceis de serem entendidas por quem não conhece o autismo. Se ao menos tivermos o respeito das outras pessoas, isso já será ótimo. Eu já passei por situações um tanto constrangedoras. Quando buscamos um atendimento preferencial, algumas pessoas costumam olhar com desconfiança, e outras chegam a nos perguntar por que nosso atendimento deve ser preferencial", diz ela.

Cristina destaca a campanha no contexto social, realçando como este projeto pode ter uma consequência positiva à população, dando ênfase também em ações que podem auxiliar no processo de inclusão para pessoas deficientes.

"Uma comunicação visual respeitosa e discreta, como o cordão de girassol propõe, é extremamente importante para autistas e familiares se sentirem mais seguros nas atividades onde se faz necessário ocupar espaços públicos com outras pessoas. Políticas para divulgação de campanhas como essa; treinamento de funcionários de empresas públicas e privadas para que seus funcionários saibam como agir em situações atípicas; salas de espera reservadas para pessoas que necessitam de ambientes com menos barulho, com menos luminosidade, entre outros, conforme a necessidade individual de cada pessoa, inserindo também campanhas educacionais falando sobre TEA, ensinado o que é, como é, como ajudar na integração dessas pessoas, e ajudar no combate ao preconceito", afirma Maria.

O presidente do Conselho Estadual dos Direitos da PcD, Hebert Batista Alves, diz que Goiás é pioneiro no Brasil no processo de emissão da carteira de identificação do autista, pois, antigamente o mesmo tinha um laudo no qual apresentava em alguns estabelecimentos para referenciar-se à doença.

"Esse documento fica guardado obviamente dentro da carteira, da bolsa, e a pessoa precisa retirá-lo e abordá-lo, já a campanha do cordão de girassol que no qual não conheço de forma ampla, mas vou falar meu posicionamento pessoal, é uma campanha que temos observado e, tem aumentado, mas feita de forma pontual por algumas empresas, instituições e associações. Ela ainda não ganhou uma amplitude nacional ou até mesmo mundial, mas ela é salutar, toda campanha que vem para ajudar essas pessoas com deficiência não perceptível é benéfica, desde que não exponha a pessoa a situações de humilhação, mas isso não é o caso da campanha do cordão de girassol. Eu entendo que essa campanha é realmente salubre, e pode ajudar muito na inclusão dessas pessoas", afirma o presidente.

De acordo com Batista, as entidades de defesa dos direitos de pessoas com deficiência em conjunto com as instituições governamentais e não governamentais têm que buscar fórmulas que possam dar visibilidade, conscientizando às pessoas a enxergarem a existência dessas pessoas como membros participativos da sociedade. Batista conta que muitas das vezes há uma discriminação da população para com elas, devido ao fato de não ter conhecimento sobre a doença e, acaba julgando o comportamento do indivíduo.

"Essas campanhas que trazem visibilidade, além de incluir, elas conscientizam às pessoas, e isso é muito importante, para dar visibilidade e demonstrar à população que nós temos pessoas ali inseridas na sociedade como o todo, e em todos os níveis, estão aqui para se integrar, estudar e trabalhar, participando e contribuindo com o desenvolvimento social", diz.

Assim como a campanha cordão de girassol, existem várias outras realizadas em prol do bem comum. Ações que ajudam, auxiliam, e vêem além de um olhar profissional, mas um olhar humanitário, empático, e que traz resultados aos indivíduos, grupos e comunidades como todo. É por meio da inclusão social que pessoas com suas diferentes limitações vão transformando o mundo em sua volta, destacando suas limitações em ambientes profissionais e pessoais. Visto que, tendo um olhar solidário consegue-se dar voz para quem já passou muito tempo na "escuridão". Por isso, dando-lhes respeito e oportunidades é a melhor forma de auxiliá-los em seu crescimento e convívio social.

Por Raquel Lima

Fonte de imagem: www.apaers.org.br