A Endometriose é uma doença relacionada a fortes dores na relação sexual, no fluxo menstrual e cólica, sendo também uma das principais causas de infertilidade entre as mulheres. De acordo com a Comissão Nacional de Endometriose, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), 1 a cada 10 brasileiras sofre com o problema.

De uma forma mais técnica, a Dra. Karina Tafner, especializada em Reprodução Assistida, explica que, o processo de desenvolvimento da disfunção ocorre devido a presença do tecido endometrial fora da cavidade uterina, pois, é um tecido que recobre a face interna do útero, e os órgãos da cavidade pélvica são comprometidos, ou seja, a existência deste tecido fora da cavidade uterina é responsável pelo processo inflamatório que pode levar à fibrose e a formação de aderências, podendo alterar o funcionamento dos órgãos.


E recomendável que, após sentir estes sintomas, o paciente busque um profissional especializado na área, de acordo com Karine, é realizado uma série de exames, como por exemplo, ressonância magnética de pelve, ultrassom transvaginal com preparo intestinal, realizando também a videolaparoscopia (Procedimento de endoscopia, ajuda na visualização da cavidade abdominal por meio de videocâmara, feito também para uso de cirurgia) para a identificação do diagnóstico e utilizado para tratamento da doença.


Segundo a especialista, embora os sintomas, na maioria dos casos surgem no período da adolescência, a doença pode aparecer em qualquer fase da vida reprodutiva das mulheres, pois, seu diagnóstico é dado por volta dos 30 anos, podendo afetar mulheres com mais de 40 anos de idade. Para ela, a endometriose tem cura se todos os focos tiverem sido retirados no momento da cirurgia.


"Mas há sempre a possibilidade de recidiva da doença, não havendo como prever o evento", afirma.


Fator genético:

O fator genético pode influência em seu aparecimento, filhas de mulheres portadoras de endometriose tendem a ter um risco maior.

"Os últimos estudos têm mostrado que a endometriose está ligada a imunidade da paciente (que permite que o tecido endometrial se implante quando acomete a cavidade pélvica após uma menstruação retrógrada (durante a menstruação, o tecido endometrial se descama e escoa através do colo uterino e vagina. Na menstruação retrógrada, o tecido endometrial pode ascender até as trompas e cair na cavidade pélvica). Fatores como estresse podem diminuir a imunidade da mulher", afirma a doutora Karina.


Ainda de acordo com ela, a quantidade de ciclos menstruais na vida da mulher também pode ser um fator de risco. "Quanto mais gestações, menos ciclos menstruais acontecerão na vida da mulher, diminuindo a chance de aparecimento da endometriose), assim como menarca precoce, gestação tardia ou não gestar".

Relação Endometriose e Infertilidade:

A História de Michele Rodrigues, Gestora de Recursos Humanos, é um exemplo de superação, pois em muitos casos, a endometriose dependendo do seu nível de gravidade, faz com que mulheres sofram com a infertilidade, aos 15 anos foi diagnosticada com o cisco no ovário, e segundo o médico, ela poderia ter dificuldades para engravidar, tendo que fazer vários tratamentos, porém, aos seus 20 anos de idade, Michele teve seu primeiro filho, e após 9 anos, o seu segundo, mesmo sendo retirado o ovário direito e a trompa direita.


"Eu só fui descobrir que tinha endometriose após meu segundo parto. Então vai muito de organismo, quando fui diagnosticada, estava com 31 anos, eu operei, depois de 2 anos ela deu um sinal de que estava retornando, um novo exame foi feito e nele localizou-se uma mancha escura, por isso, o médico me sugeriu que colocasse o DIU (Dispositivo intrauterino, utiliza-se este método para cortar o efeito do sangue, do qual a endometriose se alimenta), e já faz 5 anos que uso, com ele acabou tudo, dor, sangramento, é como se fosse um difusor de águas.


Para a advogada, Alline Damas, que também sofre com o distúrbio, foi diagnosticada primeiramente com a doença de útero invertido. Ela relata que depois disso, decidiu cortar o anticoncepcional, em recorrência de poder atrapalhar ainda mais quando resolvesse engravidar. Alline começou sua vida sexual aos 15 anos, e somente aos 27 anos, após o parto, recebeu o diagnostico no qual relatava a endometriose.


"Como descobri a doença no centro cirúrgico, não fiquei preocupada, meu maior medo era de não ser mãe e esse risco eu não corria mais", diz emocionada.


Segundo ela, em Goiânia é difícil encontrar profissionais especializados, existem apenas 2 qualificados em endometriose, dos quais tem uma equipe enorme para casos de cirurgia. Assim que saiu do resguardo, procurou um profissional, no qual a orientou na realização de cirurgia para inserir o DIU, ajudando a inibir o processo de crescimento das lesões.


Doutora Karine destaque que a endometriose pode afetar a fertilidade da mulher em vários aspectos, mas ainda não se sabe ao certo qual o mecanismo real que leve a endometriose a causar a infertilidade.

"Ela pode causar disfunção ovulatória, alteração da foliculogênese e consequente alteração oocitária, implante embrionário defeituoso por alteração endometrial, ambiente peritoneal anormal e problemas da fase lútea. A endometriose avançada, quando afeta as trompas, pode levar a alteração tecidual da mesma devido a resposta inflamatória da doença e pode causar aderências que obstruem o lúmen tubário", explica.


A endometriose além de poder causar a infertilidade, também pode desenvolver o câncer de mama ou útero, pois quem possui a doença, tem maior probabilidade de obter. Karina alerta que na sociedade feminina é preciso fornecer informações sobre endometriose, em muitos casos, por falta de conhecimento, a doença é descoberta em momento já avançado, e infelizmente para poder reverter a situação as chances do quadro de infertilidade já está instalado é maior.



Por Raquel Lima