O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das doenças que mais mata pessoas no Brasil. Pois ocorre por meio do rompimento no fluxo sanguíneo dos vasos do cérebro, no qual resulta na falta de oxigênio no tecido cerebral, provocando a morte neuronal. Segundo a Neurologista, Luiza Meirelles, seu diagnóstico é feito por meio de exame de imagem, realizado por tomografia e ressonância que permite identificar a área do cérebro afetada e o tipo de lesão, podendo ser isquêmico ou hemorrágico.


Ainda de acordo com a profissional, os dois tipos de AVC são provocados por mecanismos diferentes, sendo o hemorrágico responsável por 15% de casos de AVC, seu desenvolvimento se dá pelo rompimento de um vaso cerebral, provocando hemorragia na área entre as meninges pia mater e aracnoidea (membranas que realizam um importante trabalho no sistema nervoso). A hemorragia pode ocorrer também no tecido cerebral.


"O AVC hemorrágico normalmente é causado por ruptura de um aneurisma (dilatação anormal no vaso sanguíneo) ou hipertensão arterial sistêmica não controlada", afirma.

Já o AVC isquêmico é responsável por 85% de desenvolvimento da doença, pois consiste na redução de aporte de oxigênio para o tecido cerebral, devido a obstrução do vaso por coágulos ou estreitamento. Podendo levar a morte neuronal.


"No ataque isquêmico transitório (AIT) ocorre déficits motores ou sensitivos semelhantes ao AVC, porém, com recuperação total do déficit dentro de 24 horas", explica a profissional.

Para ela, os principais sinais que demostram riscos de desenvolvimento da doença são sintomas como; alterações súbitas no nível de consciência, força e sensibilidade na face, membros superiores e inferiores, prejuízo na fala e compreensão da linguagem, visão, incoordenação motora, dor de cabeça intensa e crises epilépticas.

De acordo com o presidente do APAN, Dr. Rubens Gagliardi, a idade é importantíssima neste processo, pois possui uma influência de risco maior. Um outro fator a ser ressaltado é a questão da genética que também pode influenciar no surgimento da doença.

Para ele, a melhor forma de prevenção é combater os fatores de riscos, como por exemplo, deixar a pressão sempre bem controlada, manter atividade física, não fumar, manter o peso de forma correta, deixar o colesterol controlado, não ingerir bebida alcoólica em excesso, entre outros fatores a serem moderados. Rubens explica que, a primeira ação a ser tomada é saber a causa do acidente e corrigir essa causa, além disso, algumas medicações podem ser indicadas, dependendo do estado em que o paciente se encontra.


"O importante é saber combater os fatores de riscos, e realizar anualmente campanhas de combate ao AVC feitas por todo o Brasil, ensinando para a população o que é a doença, sua gravidade, o que fazer e como combate-la", afirma Rubens.


Segundo ele, o maior desafio hoje é ter condições boas para atendimento. "A população precisa ter cultura do que necessita, manter os cuidados e hospitais com melhores aparelhamentos e espaço para poder atender", explica o presidente.

A profissional Luiza alerta que, após o acidente de AVC, é necessário levar o paciente ao hospital de urgência e emergência para que possa ser verificado os sintomas. Geralmente o enfermo é internado para a realização de exames complementares, observação e investigação da causa, seguido da orientação médica sobre a introdução do tratamento e medidas de prevenção para um novo AVC.


"Se for AVC isquêmico, o tratamento pode ser feito com antiagregantes, plaquetários ou anticoagulantes, a depender do que fez desenvolver a doença. No caso de AVC hemorrágico deve ser realizada a clipagem do aneurisma e na hemorragia intraparenquimatosa, o controle da pressão arterial deve ser realizado com vigor. Em todos esses casos podem ser avaliadas a presença de hipertensão intracraniana, podendo fazer cirurgia para descompressão do tecido cerebral.


Para que possa ser diminuído o índice de mortes com a doença, é importante que as pessoas se informem por meio de ações que promovam a saúde e bem-estar.


Luiza explica como combater e a importância da criação destas ações. "Projetos que estimulem a prática de atividades físicas, controle alimentar, programas contra tabagismo, melhora no âmbito da saúde primária para prevenção e controle de doenças crônicas (hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, obesidade) e promoção à saúde", ressalta.



Reportagem: Raquel Lima Souza

Fonte de imagem: www.spdm.org.br