A FIV é um tratamento de alta complexidade, em que a fecundação, ou seja, a formação do embrião, ocorre no laboratório de reprodução assistida, fora do organismo feminino. A FIV é o único tratamento que pode ser realizado quando há um fator masculino grave ou obstrução das trompas.


É indicado após falha de tratamento de baixa complexidade, quando o tratamento será realizado com óvulos doados, útero de substituição, casais sorodiscordantes, endometriose grave, baixa reserva ovariana e para gestar com oócitos congelados previamente. A etapa inicial da FIV também consiste em estímulo ovariano, para a produção de um maior número de óvulos a serem manipulados.

- Estímulo ovariano: Tem duração semelhante ao estímulo dos tratamentos de baixa complexidade. Porém, quando os folículos atingem o tamanho desejado, a paciente não sofre a ruptura folicular. É agendada a aspiração folicular para a captura do óvulo.

- Aspiração folicular: Ocorre em centro cirúrgico, sob sedação. Os óvulos são aspirados por agulhas específicas, ligadas ao transdutor do ultrassom transvaginal. A agulha penetra nos ovários e nos folículos, aspirando todo o conteúdo folicular. Este é encaminhado imediatamente para o laboratório de FIV (que costuma ser anexo ao centro cirúrgico). O procedimento dura cerca de 20 minutos. No mesmo momento, os espermatozoides são colhidos (por masturbação) e também encaminhados ao laboratório.

- Fertilização: O encontro dos óvulos com os espermatozoides acontece no laboratório, e o embrião tem seu desenvolvimento acompanhado por 3 a 5 dias.

- Transferência do embrião para dentro do útero: É feita através de um cateter que é inserido pelo colo do útero, com a mulher em posição ginecológica, após 3 ou 5 dias da retirada dos óvulos.

O número de embriões transferidos varia com a idade da mulher: até 35 anos (2 embriões), de 36 a 39 anos (3 embriões) e mais de 40 anos (4 embriões).

- Pós procedimento: Após a punção ovariana e a transferência de embriões, a paciente deverá permanecer em repouso por 24 horas.

- Taxas de sucesso: As taxas variam em cerca de 50% nas mulheres com menos de 35 anos até menos de 10% em mulheres com 44 anos. Após essa idade, a taxa cai drasticamente.

- Riscos: Os maiores riscos na FIV são a síndrome de Hiperestímulo Ovariano, sangramento durante a punção ovariana, infecção (cerca de 0.1-3%), lesão de estruturas pélvicas, dor pélvica e abdominal leve à moderada. Existe um pequeno risco (1%) de gravidez ectópica (tubária).

- Custo: A FIV possui maiores taxas de gestação, mas, em contrapartida, os custos também são maiores por ser um tratamento de alta complexidade.

Fertilização in vitro clássica – de R$ 10,5 mil a R$ 14 mil

Tratamento que inclui consultas, exames, fertilização e inserção no útero – de R$ 7 mil a R$ 9 mil

Hormônios e medicamentos – de R$ 3 mil a R$ 5 mil.

Fertilização in vitro com inserção de esperma – de R$ 11,3 mil a R$ 16,5 mil.

É o valor da fertilização in vitro clássica, mais o procedimento de injeção do espermatozoide dentro do óvulo, que custa entre R$ 800 a R$ 2,5 mil.

Fertilização in vitro simplificada – aproximadamente R$ 5 mil.

Tratamento que inclui consultas, exames, fertilização e inserção no útero – R$ 3,5 mil.

Hormônios e medicamentos – R$ 1,5 mil.

Em ambos os casos, os possíveis efeitos colaterais do estímulo ovariano são:

• Cefaleia

• Irritabilidade

• Aumento da libido

• Hematomas e dor no local da injeção

• Náuseas e, ocasionalmente, vômitos

• Reações alérgicas temporárias no local da injeção (vermelhidão e/ou coceira)

• Mastalgia (dor mamária)

O teste de gravidez deve ser realizado após 12 dias da transferência do embrião na FIV e 14 dias na IIU. Assim que a mulher engravida, a gestação evolui como qualquer outra, independentemente da forma como foi realizada. E a taxa de aborto espontâneo após a fertilização in vitro é semelhante à taxa após a concepção natural.

Vale lembrar que todos os casais com indicação de IIU podem optar por realizar FIV, devido às maiores taxas de gestação alcançadas com esse procedimento. No entanto, os casais com indicação específica de FIV não têm outra opção de tratamento.

Artigo: Dra. Karina Tafner, Ginecologista e Obstetra; Médica Assistente do ambulatório de Reprodução Assistida da Santa Casa (FCMSCSP); Especialista em Endocrinologia Ginecológica e Reprodução Humana pela Santa Casa; Especialista em Reprodução Assistida pela FEBRASGO.