Cada vez mais as mulheres têm conseguido lugar de destaque no mercado de trabalho. Fato crescente, mas que ainda merece atenção por parte de todos. Conciliar as atividades profissionais com a maternidade, por exemplo, é um dos grandes desafios que as mulheres precisam vencer. Além do mais, os homens ainda são gênero dominante nos altos cargos e salários, que podem chegar a 53% de diferença.


Recente pesquisa realizada em 2018 pela Catho, empresa de recrutamento humano, mostra que 30% das mulheres deixam o mercado de trabalho para cuidar dos filhos. Entre os homens apenas 7% enfrentam essa situação. Ainda de acordo com a pesquisa, 48% das mulheres já relataram terem tido problemas no trabalho por se ausentar por conta dos filhos. "É necessário um olhar diferenciado para essas questões", destaca Dra. Janaina Naumann – conselheira do Conselho Federal de biomedicina e presidente do Conselho Regional de biomedicina da 6ª Região.


À frente do CRBM – 6, Janaina é a primeira presidente da autarquia e tem realizado um exímio trabalho na busca de engrandecer e consolidar a biomedicina no estado do Paraná. Paralelo a isso, ela tem feito a nivel nacional o trabalho de empoderamento e reafirmação das mulheres biomédicas no âmbito profissional. Janaina ressalta que "as mulheres sempre terão duplas, triplas jornadas, mas que ainda assim darão conta de realizar com maestria suas atividades de trabalho, e isso precisa ser reconhecido e valorizado".


Para incentivar as biomédicas e as encorajarem a lutar pela ascensão profissional, em maio de 2019, a Dra. Janaina Naumann encabeçou a campanha "Mulheres Biomédicas", onde mulheres de todo o Brasil criaram um movimento de força e união nas redes sociais. "Mulher ajuda Mulher. Esse é o objetivo do grupo".


Acompanhe a íntegra da entrevista que a Dra. Janaina concedeu ao Conselho Federal de biomedicina. Ela fala sobre sua atuação frente ao CRBM-6 e sobre a múltipla jornada de ser mãe, esposa, biomédica e ainda ajudar outros profissionais por meio de lives nas redes sociais.


CFBM: Qual a sua avaliação em relação a sua atuação nesses 3 anos como conselheira do CFBM e 2 à frente do CRBM 6?


NAUMANN: Nesse período de atuação no CFBM sempre procurei vivenciar a realidade da profissão no Brasil. Assumi um desafio pessoal de impulsionar a biomedicina em todo o território nacional. Como conselheira, preciso estar sempre junto aos profissionais para entender seus anseios. É fundamental identificar os desafios da profissão e fazer zelar o exercício ético da biomedicina.


Já no CRBM-6, desde que assumi, busco conhecer as demandas da classe para definir estratégias de ações efetivas. Esse período tem sido um grande desafio. A criação do CRBM6 representou a conclusão de um longo processo de lutas e de fortalecimento da biomedicina no Paraná. O Conselho passou a ter destaque de forma efetiva no estado. Desde a composição da equipe de trabalho, passando pela implantação das delegacias até a estrutura física, tudo partiu do zero.


Avalio que muito foi feito até agora, principalmente quanto ao cumprimento das resoluções que normatizam a área de atuação, ampliação das habilitações profissionais, incentivo a capacitações técnicas e na fiscalização da conduta profissional de acordo com o Código de Ética.


CFBM: Quais foram e quais tem sido as conquistas do CRBM 6 ao longo desses dois anos?


NAUMANN: As constantes reivindicações da mudança legislativa para inserção do cargo de biomédico na saúde pública do Paraná têm resultado em grandes conquistas para nós. Cascavel e Guarapuava são pioneiras na adequação, mas isso só foi possível, graças ao esforço que fizemos. Isso significa muito para a profissão, pois é uma causa que demanda muito trabalho e empenho.

A mais recente conquista está tramitando na Assembleia Legislativa do Paraná. Essa iniciativa tem o objetivo de alterar a lei 13.666/2002 para inclusão da profissão de biomédico nos quadros do funcionalismo público estadual.


Outra demanda que nos alegra muito é a participação em grandes eventos, inclusive internacionais. Sempre que represento o Paraná em congressos, feiras, simpósios, etc, percebo quanto é importante dar continuidade nesse trabalho. As mulheres se sentem representadas na profissão. Recentemente criamos um novo projeto chamado "Mulheres Biomédicas". Tem sido muito gratificante.


Agora, temos uma missão ainda maior, finalmente os projetos estão se concretizando depois de muita luta. A união da classe biomédica é muito importante nesse momento. O desenvolvimento da carreira biomédica tem avançado e se desenvolvido bastante, mas ainda há muito que conquistar. Valorizar e reconhecer a profissão desde os primeiros anos acadêmicos incentivando e apoiando os que iniciam a caminhada faz com que todos enxerguem a importância de cada um neste processo de mutuo crescimento.


CFBM: Em 2018 você emergiu no universo online e se tornou, digamos, uma das maiores influencers da biomedicina. O que te motivou a construir esse projeto?

NAUMANN: Percebi que era necessário estar mais perto dos profissionais e acadêmicos da biomedicina, mostrar que o Conselho está próximo que não é algo distante da realidade de cada um. A rede social permite essa aproximação, por isso decidi me aventurar nesse meio.


Não imaginava à proporção que isso tomaria quando comecei. Conforme o tempo foi passando fui adaptando o conteúdo ao interesse dos meus seguidores. Hoje são profissionais e estudantes de várias áreas, não somente da biomedicina.


CFBM: Fruto das redes socias, um dos dos seus trabalhos atualmente é coordenar as "Mulheres Biomédicas". Fale um pouco sobre esse projeto.

NAUMANN: Tenho consciência da responsabilidade em ser a representação das mulheres no CFBM e CRBM e me preocupo em entender os anseios das colegas. As mulheres são grande maioria dentro das universidades e como profissionais da área de saúde, mas ainda falta uma maior representatividade desta categoria em vários âmbitos profissionais e esse é o movimento em prol do reconhecimento do trabalho feminino na biomedicina.

O projeto "Mulheres Biomédicas" é um projeto lindo, que teve início em uma discussão com profissionais e acadêmicas de diversas regiões do Brasil, sobre representatividade feminina, que ocorreu no 1° Congresso Latino-americano de biomedicina em Santa Catarina.


Um movimento pela união e apoio profissional de todas as mulheres estudantes e biomédicas do Brasil, pois sei da dificuldade em ser empreendedora, mãe, esposa e profissional simultaneamente. É necessário um olhar diferenciado para essas profissionais. Precisamos nos ajudar e apoiar umas às outras.


CFBM: Como é ser mulher, ter todas as suas atribuições de casa, mãe, esposa e ainda conciliar o seu trabalho como Biomédica, docente e ter tempo para se dedicar ao universo online?


NAUMANN: Flexibilidade é muito importante para conciliar a carreira com a maternidade. É necessário administrar o tempo, saber negociar horários, traçar estratégias que conduzam até suas metas e objetivos, focar-se em prioridades, tecer uma rede de relacionamentos e apoio mútuo com amigos e colegas, delegar tarefas, estabelecer limites para as exigências que são feitas e até mesmo saber dizer não. Esse último é fundamental.

A jornada múltipla não é fácil, requer jogo de cintura e uma rotina intensa para lidar com todas as tarefas: trabalho, filhos, família, universo online. No entanto, é completamente possível. Somos mulheres!


CFBM: Qual a avaliação que você faz do atual cenário da biomedicina e quais são as projeções para o futuro?


NAUMANN: A biomedicina cresce e se estabelece como uma das principais profissões da área da saúde. Os profissionais se reinventam e provam para a sociedade o quanto fazem a diferença no cuidado com o outro. Se destacam na área da pesquisa e são parte fundamental no diagnóstico de doenças. Com o passar do tempo, com certeza a sociedade reconhecerá ainda mais a necessidade desse profissional.


CFBM: O que a biomedicina representa para você?


NAUMANN: Falo sempre que devo muito à biomedicina a minha realização como profissional e como ser humano. Tudo está intimamente ligado à profissão que escolhi. Ela me permite conhecer pessoas incríveis, aprender todos os dias e querer ser melhor sempre, sou realizada.



Fonte de texto cfbm.gov.br