Pesquisa realizada na indústria Montova [Caxias do Sul/RS] acaba de ser publicada em uma das mais importantes revistas científicas, a Materials Science & Engineering C. O estudo científico, que serviu de base para a tese de mestrado do gerente de projetos da empresa Juliano Ernzen, tem destaque pela sua importância à medicina regenerativa do tecido cutâneo, e foi idealizado pelos pesquisadores Fernanda Dias e Otávio Bianchi, do Programa de pós-graduação em Ciências e Engenharia dos Materiais da Universidade de Caxias do Sul (PGMAT/UCS) e Natália Nicoletti e Asdrúbal Falavigna, ambos da área de Ciências da Saúde da Universidade de Caxias do Sul [UCS].

Sobre esse projeto, Ernzen explica que "para a regeneração de feridas profundas em ratos, foi usado um polímero [PA6] quimicamente modificado com óleo de soja maleinizado [SOMA], que favoreceu a proliferação celular e conferiu tenacidade ao polímero, característica que contribuiu para a manipulação e a conformação adequada no leito da ferida".

A Mantova é conhecida no mercado pela sua postura de incentivo à pesquisa e alianças com várias entidades educacionais. Conta com um laboratório interno para análises mecânicas, químicas, metrologia, processamento e preparação de amostras, com capacidade de atender requisitos normativos aplicáveis aos produtos da empresa e especificações dos clientes. Conta com um time de engenheiros e técnicos que colocam suas experiências e habilidades na ciência dos polímeros [plásticos] para satisfazer as necessidades específicas exigidas pelo mercado. Com 20 anos de mercado, atualmente a indústria caxiense é responsável pela produção de seis milhões de metros de tubos/mês e com uma carteira de mil clientes ativos no último ano.

Sobre o estudo
Este polímero, uma poliamida 6 (PA6) quimicamente modificada com óleo de soja maleinizado (SOMA), foi eletrofiado e testado como suporte (ou scaffold) funcional para a regeneração de feridas cutâneas profundas em ratos.

A função desta nanoestrutura foi fornecer suporte físico e reconhecimento biológico para os tecidos funcionais em formação na pele lesionada. A presença de SOMA na estrutura da PA6 favoreceu a proliferação celular e conferiu tenacidade ao polímero, característica que contribui para a manipulação e a conformação adequada do scaffold no leito da ferida.

De acordo com os pesquisadores, o biomaterial produzido foi capaz de mimetizar a estrutura tridimensional da matriz extracelular do tecido nativo e pode ser usado como carreador de moléculas biológicas e agentes moduladores em processos de reparo tecidual.


Fonte de texto: www.terra.com.br

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