A morte de três macacos com suspeita de febre amarela no Horto Florestal de São Paulo reacende o medo da disseminação da doença na capital paulista. Os animais não transmitem a doença diretamente aos humanos, mas são hospedeiros do vírus e suas mortes indicam que um novo ciclo da doença está por vir, de acordo com o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Desde a notificação dos casos, o Parque Horto Florestal e o Parque da Cantareira, ambos na região do Tremembé, na Zona Norte da cidade de São Paulo, estão fechados e sem previsão de reabertura. A confirmação da morte do primeiro primata pela doença ocorreu menos de dois meses depois de o Ministério da Saúde declarar o fim do pior surto da história da doença no país.

Chegada da doença já era esperada

Segundo o coordenador da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde do Estado de SP, Marcos Boulos, a chegada da febre amarela à cidade de SP já era esperada, mas ainda assim, a situação é preocupante e há possibilidade de surto.

"Nós achávamos que isso acontecer mesmo. Com a chegada do verão, que está próximo, existe a possibilidade de mais casos entre macacos", afirmou.

Vacina é a melhor forma de prevenção

Como medida de prevenção, a prefeitura de São Paulo anunciou que pretende vacinar 2,5 milhões de pessoas contra a febre amarela nas próximas semanas. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o número de Unidades Básicas de Saúde (UBS) que vão oferecer a imunização será ampliado de quatro para 33.

Segundo balanço parcial divulgado pela secretaria, do último sábado até agora foram imunizadas emergencialmente 12.000 pessoas na região do Horto. No entanto, desde setembro a prefeitura vinha vacinando preventivamente os moradores da região. Nas quatro UBS do distrito Anhanguera, que começaram a dar a vacina no mês passado, 35.000 doses já haviam sido aplicadas.

Nesta primeira fase, serão vacinadas crianças com idade a partir de 9 meses que residam num perímetro de até 500 metros das margens dos dois parques. Na segunda etapa, o limite será ampliado para 1.000 metros e a terceira fase dependerá de nova avaliação epidemiológica.

A febre amarela silvestre, que foi identificada no primata, é transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes, comuns em regiões de mata. A transmissão para humanos ocorre a partir dos mosquitos, e não dos macacos. Entre os sintomas da doença estão calafrios, dor de cabeça, dores nas costas e no corpo, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza.

Veja abaixo algumas das principais dúvidas sobre a doença:

1. Como a febre amarela é transmitida?

Pela picada de mosquitos portadores do vírus de febre amarela. Em regiões de campo e floresta, o principal mosquito transmissor é o Haemagogus. O vírus também pode ser transmitido pelo Aedes aegypti na forma urbana da doença. Casos de transmissão urbana, no entanto, não são registrados no Brasil desde 1942.

2. A febre amarela é contagiosa?

Não. A doença não é transmitida de ser humano a ser humano, nem de animal a animal, tampouco de animal a humanos. A única forma de transmissão é pela picada do mosquito infectado.

3. Qual é o papel de primatas na transmissão?

Primatas podem se contaminar com o vírus, exercendo também o papel de hospedeiros. Se picados, os animais transmitem o vírus para o mosquito, aumentando, assim, as chances de propagação da doença.

4. Quais sintomas provocados pela febre amarela?

A febre amarela é classificada como uma doença infecciosa grave. Ela provoca calafrios, dor de cabeça, dores nas costas e no corpo, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. Os primeiros sintomas aparecem de 3 a 6 dias depois da infecção.

5. Como a doença evolui?

Para maior parte dos pacientes, os sintomas vão perdendo a intensidade a partir do 3º ou 4º dia da infecção. Em alguns casos, no entanto, a doença entra em sua fase considerada tóxica.

6. O que ocorre nos casos graves?

Cerca de 10% dos pacientes desenvolvem a forma grave da doença. Ela geralmente ocorre depois de um período breve de melhora dos primeiros sintomas da doença. A febre reaparece, há hemorragias, insuficiência hepática, insuficiência renal. Um dos sintomas é a coloração amarelada da pele e do branco dos olhos. Também não é incomum pacientes apresentarem vômito com sangue, um sintoma da hemorragia. Cerca de 50% dos pacientes que desenvolvem a forma grave da doença morrem num período entre 10 e 14 dias.

7. Qual é o tratamento para a doença?

Não há um tratamento específico para febre amarela. A medida mais eficaz é a vacinação, para evitar a contaminação da doença.

8. A vacina deve ser tomada por toda a população?

É recomendada para pessoas de áreas de risco em 19 Estados. De forma temporária, a recomendação foi estendida a cidades do Rio, Espírito Santo, São Paulo e Bahia. Na capital paulista, a dose está sendo recomendada para quem vive ou frequenta a zona norte. A prioridade imediata é para quem vive na região do Horto.

9. Já sou vacinado. Preciso repetir a dose?

Não. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, estudos mostram que uma só aplicação é capaz de dar imunidade por toda a vida. O Brasil era o único país a adotar ainda o esquema vacinal em duas doses.

10. Quais são as reações possíveis à vacina?

Os efeitos colaterais graves são raros. Mas 5% da população pode desenvolver sintomas como febre, dor de cabeça e dor muscular de 5 a 10 dias. Não é frequente a ocorrência de reações no local da aplicação.

11. Quem tem maior risco de evento adverso relacionado à vacina da febre amarela?

Crianças menores de 6 meses, idosos, gestantes, imunodeprimidos, mulheres que estão amamentando e pessoas com alergia grave à proteína do ovo.

12. É possível contrair a doença mais de uma vez?

Não. Quem já foi infectado está imune para sempre, diferentemente do que ocorre com a dengue.

Fonte: Veja

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