Análise preliminar de cérebros com zika mostrou disfunção em genes que regulam ação de neurotransmissor. Resultados preliminares de um estudo brasileiro indicam o possível mecanismo pelo qual o vírus da zika causa problemas cerebrais nos bebês; entre eles, a microcefalia.

Analisando os cérebros de três bebês infectados, mortos logo após o nascimento, e comparando-os com o de um bebê sem zika, a pesquisa identificou que genes dos neurônios envolvidos no processo de sinalização do neurotransmissor glutamato estavam afetados.

O glutamato é uma molécula com papel de sinalização entre os neurônios, ativando-os. Quando há liberação excessiva de glutamato, os neurônios são ativados em demasia, provocando sua morte, num fenômeno conhecido como excitotoxicidade.

Segundo o pesquisador Helder Nakaya, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, um dos envolvidos no estudo, os resultados ainda precisam de mais análise para serem confirmados e, então, publicados em revista científica.

Entender o mecanismo pelo qual o zika tem essa preferência por neurônios é importante não só para tratamentos anti-zika, mas para possíveis terapias para outras condições. Outra pesquisa mostrou que o vírus pode ser usado no tratamento de tumores cerebrais.


Remédio contra morte neuronal


Também um outro estudo, publicado em abril na revista "mBio", liderado por Mauro Teixeira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mostrou, usando neurônios em cultura, que o excesso de glutamato pode estar associado à infecção por zika e à morte de neurônios.

Os pesquisadores então testaram, também em laboratório, o uso de memantina, um medicamento já conhecido que combate sintomas do mal de Alzheimer, para bloquear o efeito tóxico do glutamato.

Apesar de mais experimentos serem necessários, esses achados sugerem que drogas como a memantina possam ser usadas em gestantes infectadas com zika para evitar a microcefalia, mesmo sem eliminar o vírus em si.



Fonte: G1


Fonte da imagem: Google