Basta chegar a estação mais fria do ano para hospitais e prontos-socorros ficarem ainda mais cheios. O público mais afetado? Idosos e crianças, donos de um sistema imunológico mais frágil.

Segundo o pediatra Sylvio Renan Monteiro de Barros, da MBA Pediatria, em São Paulo, ao nascer, a criança herda a imunidade da mãe e, por isso, a amamentação exclusiva até os seis meses é fundamental. Por volta dos sete meses, ela começa a desenvolver o próprio exército de anticorpos. "A partir dos quatro anos, a imunidade começa a ficar fortalecida", afirma o especialista. Mas ainda que reforçada, ela nem sempre é suficiente para barrar as principais doenças de inverno. Por isso, fique atento aos principais problemas da época e saiba como proteger seu filho.

Alergias respiratórias

"Crianças com rinite, bronquite e asma tendem a apresentar crises da doença na estação mais fria do ano", afirma o pneumologista pediátrico Clóvis Eduardo Tadeu Gomes, da Unifesp. "Isso acontece porque o ar fica mais seco e com a poluição mais concentrada no inverno".

Para manter esses problemas sob controle, o especialista recomenda fazer lavagem nasal com soro fisiológico diariamente e limpar a casa regularmente para eliminar ácaros e outros desencadeantes alérgicos, dando atenção especial ao local em que a criança dorme. Outro cuidado importante é evitar mudanças bruscas de temperatura, cobrindo a boca o nariz da criança com um cachecol ou a gola da blusa sempre que sair de casa.

Gripe

A gripe não é tão frequente quanto o resfriado, mas, quando aparece, costuma deixar a criança de cama. Caracterizada por febre alta, dores musculares, dor de cabeça e de garganta e tosse seca, a doença pode ser evitada com medidas simples. "Entre elas, cultivar uma dieta equilibrada, evitar contato com pessoas infectadas, lavar as mãos várias vezes ao dia, principalmente depois de sair na rua, e tomar a vacina", afirma o pediatra Jorge Huberman, do Instituto Saúde Plena, em São Paulo.

Se a criança já estiver gripada, siga as instruções de um médico para evitar que o problema evolua para outro mais grave, como a pneumonia. O especialista recomenda ainda a lavagem nasal, inalações e muito descanso.

Resfriado

Crianças têm, em média, oito resfriados por ano. "Muito menos agressivo do que a gripe, o problema costuma desencadear complicações como congestão e secreção nasal, dor de garganta e espirros", diz o pediatra Sylvio.

Durante o inverno, quando epidemias virais se tornam mais comuns graças ao confinamento de pessoas em locais fechados, o contágio é muito mais frequente. Por isso, a primeira medida de prevenção é evitar essas aglomerações. Se seu filho já estiver resfriado, estimule a ingestão de frutas e vegetais, dê bastante água e lave o nariz da criança com soro fisiológico, recomenda o especialista da MBA Pediatria.

Sinusite

A inflamação das vias aéreas superiores, conhecida como sinusite, costuma ser decorrente de resfriados não tratados, alergias respiratórias e problemas na própria anatomia do nariz, como desvio de septo. "Tratando esses problemas, seja com remédios ou cirurgia, o risco de ter uma crise de sinusite é muito menor", afirma o pediatra Jorge. Entretanto, o ressecamento das mucosas nasais, a fumaça do cigarro e até mudanças bruscas de temperatura podem contribuir para o aparecimento do problema.

Para evitar a sinusite, o especialista incentiva a lavagem nasal, a hidratação e o uso de umidificadores quando o tempo estiver seco. Além disso, fique atento para que seu filho não seja exposto ao fumo passivo e não deixe a criança com o nariz entupido. "Recorra ao inalador, fazendo nebulizações com soro fisiológico, e faça com que ela assoe o nariz várias vezes ao dia, pois o acúmulo de secreções pode levar à inflamação dos seios nasais", complementa.

Meningite

"A meningite é uma doença causada por bactérias ou vírus e que, se não diagnosticada precocemente, pode levar à morte", afirma o pediatra Sylvio. Assim, ao primeiro sinal de febre, vômito, rigidez na região da nuca e manchas vermelhas pelo corpo, procure seu médico. O especialista conta ainda que nem todas as formas de meningite são contagiosas, mas o confinamento, típico do inverno, pode aumentar o número de casos. Além disso, outras doenças, como gripes e resfriados, podem baixar ainda mais a resistência do organismo, facilitando a inflamação.

A transmissão se dá pelo contato com a saliva ao tossir ou falar. Por isso, é fundamental ensinar crianças já em idade mais avançada a levar as mãos à boca ao tossir e não se esqueça de lavar suas mãos com frequência. "Lembre-se ainda de que há vacinas contra alguns tipos de meningite, como A, C, W135 e Y, embora nem todas sejam oferecidas pela rede pública de saúde", afirma.

Pneumonia

Infecção aguda que atinge os pulmões, a pneumonia pode ser decorrente de bronquites, resfriados e gripes não tratados, afirma Sylvio. Seus principais sintomas são tosse com escarro, dor no peito, febre alta, suor e palidez. A melhor forma de prevenção é evitar o cigarro, não ficar em ambientes fechados com muitas pessoas e cuidar de eventuais doenças respiratórias. Em casos agudos do problema, pode ser necessária a internação da criança.

Amigdalite

A inflamação das amídalas, conhecida como amigdalite, é muito comum, especialmente em crianças. Embora a função das amídalas seja filtrar micro-organismos, a sobrecarga de germes pode fazer com que fiquem inchadas e causar dificuldade de engolir, dor de garganta, febre, dor de ouvido e até alterações na voz. Se a infecção atingir a garganta e regiões próxima a ela, pode causar também uma faringite.

Para se prevenir do problema, recomenda-se manter a imunidade nas alturas, ou seja, cultivar uma alimentação balanceada com grande variedade de frutas, legumes e verduras. Se a criança já estiver com o problema, deve investir em alimentos e bebidas frios, para desinchar as amídalas. Fazer gargarejo também pode proporcionar sensação de alívio.

Fonte: Minha Vida

Foto: Google