Primeira correção: o reumatismo não é uma doença. "Dizer que alguém sofre de reumatismo é o mesmo que falar que uma pessoa está com problema de vista. Existem inúmeros tipos de doenças reumáticas e a característica comum entre todas elas é a dor músculo esquelética", explica o reumatologista Geraldo Castelar.

Por esse motivo, muitas pessoas confundem dores nas articulações com reumatismo e ainda associam o problema à idade, o que não passa de mito, já que muitas delas costumam afetar crianças, jovens e adultos. Confira essas e outras crenças sobre as dores nas articulações causadas por doenças reumáticas:

1. As articulações doem mais quando faz frio?

Segundo o reumatologista Nilton Salles, do Hospital 9 de Julho, em São Paulo, em locais úmidos ou de temperaturas mais baixas as pessoas têm a sensibilidade aumentada e, por isso, percebem a dor de maneira diferente. "Entretanto, na maior parte dos casos, não há qualquer evidência de que a inflamação nas articulações tenha sido intensificada", explica.

2. Dores nas articulações só acometem pessoas de idade?

"Existem mais de 120 tipos de doenças reumáticas. Algumas costumam acometer pessoas de idade, mas outras são típicas da infância ou da adolescência", aponta Geraldo. A osteoartrite, por exemplo, é mais comum em idosos. O lúpus, por sua vez, atinge jovens em torno dos 20 anos. Já a gota é mais comum em adultos por volta dos 35 anos.

3. Exercício físico piora as dores nas articulações?

De forma geral, a prática de exercícios é benéfica para as articulações, pois fortalece a musculatura do corpo e estimula a movimentação. "Dependendo do estágio da doença, entretanto, ele não é recomendável", alerta Nilton. Segundo o especialista em casos agudos de gota, por exemplo, até vestir a roupa pode ser doloroso. Por isso, é fundamental conversar com seu médico antes de iniciar uma atividade física.

"A maioria das pessoas alongam-se um pouco antes ou depois de um atividade física, mas o alongamento deve ser incorporado em sua rotina diária", explica o ortopedista Rodrigo Junqueira Nicolau. Você pode fazer alguns alongamentos básicos em sua mesa ou fazer uma aula de ioga ou pilates, que incorporam alongamento nos exercícios.

Outro ponto são aquelas pessoas que passam muito tempo sentadas. "Isso, de certa forma, causa uma sobrecarga sobre nossas articulações, em especial na nossa coluna", alerta o ortopedista Rodrigo. Por isso, procure mover-se de tempos em tempos e não permanecer o tempo todo na mesma posição. Levante, ande e alongue-se.

4. O sobrepeso e a obesidade prejudicam ainda mais as dores nas articulações?

"O sobrepeso e a obesidade são agravantes para aqueles que já sofrem de inflamação nas articulações e, por isso, devem ser tratados", aponta Nilton. Isso porque estar acima do peso pode aumentar a pressão sobre as articulações - e a prática de atividade física é a melhor maneira de reverter o peso e ainda fortalecer as articulações.

"Ao iniciar as atividades físicas, opte por exercícios de baixo impacto, como andar de bicicleta, nadar ou caminhar para reduzir a pressão sobre as articulações", explica o ortopedista Rodrigo. Você também deve considerar a incorporação de exercícios de fortalecimento muscular em sua rotina, pois os músculos fortalecidos aliviam o trabalho das articulações, afirma o ortopedista. Pessoas que sofrem com dores nas articulações e tem obesidade também devem evitar carregar muito peso ou se submeter a esforços que podem comprometer ainda mais as articulações.

5. Apenas fisioterapia já resolve as dores nas articulações?

Depende da doença que causa as dores. Em alguns casos é essencial a aliança entre a fisioterapia e anti-inflamatórios. Em outros, apenas a fisioterapia já dá conta do problema. Há ainda aqueles em que é recomendado apenas o medicamento e repouso completo. Quem define isso é um especialista no assunto.

6. Hábitos alimentares têm influência sobre as dores nas articulações?

"Algumas doenças reumáticas podem ter sintomas, como dores nas articulações, intensificados ou amenizados dependendo da dieta que o paciente leva", afirma Geraldo. Estudos apontaram, por exemplo, que uma alimentação rica em ácidos graxos ômega-3 é benéfico para pessoas com artrite. Quem é portador da gota, por sua vez, deve evitar alimentos que produzam muito ácido úrico no organismo, pois é justamente o excesso desse ácido que leva a crises da doença.

O profissional lembra ainda que pelo fato de as doenças reumáticas serem inflamatórias, elas inevitavelmente aumentam o risco de doenças cardiovasculares e, por isso, é essencial ajustar a dieta ao novo quadro de saúde. Além disso, o cálcio ajuda a fortalecer os ossos e a manter as articulações saudáveis. "Aumentar a ingestão de cálcio ajuda a evitar artrose, que é comum em mulheres e idosos", afirma o ortopedista Rodrigo. Certifique-se de consumir bastante brócolis, couve, suco de laranja e derivados do leite.

7. Quem carrega muito peso ao longo da vida tem mais chances de ter dores nas articulações no futuro?

As consequências de carregar muito peso ao longo da vida dependem de como o esforço físico foi realizado e da propensão genética da pessoa a desenvolver ou não alguma doença que cause dores nas articulações. "Se o carregamento da carga foi feito de maneira indevida e o indivíduo apresentar tendência a ter doenças reumáticas, então é provável que tal prática antecipe o aparecimento do mal", aponta Nilton. Se, por outro lado, o carregamento for feito de maneira saudável, então, é possível que isso postergue a doença.

8. Mulheres são mais propensas a ter dores nas articulações?

Isso depende da doença que causa as dores nas articulações. Gota é mais comum em homens. Já a fibromialgia e a osteoporose costumam acometer mais as mulheres. Assim, a recomendação geral é de que ao sinal de qualquer problema persistente o indivíduo busque auxílio médico.

9. Médicos recomendam que mulheres com dores nas articulações evitem engravidar?

"Algumas doenças reumáticas até melhoram com a gravidez, devido a mudanças hormonais pelas quais a mulher passa, mas, de qualquer maneira, é recomendável realizar o pré-natal para saber dos cuidados extras que a mãe deve tomar para não colocar em risco sua saúde ou a do bebê", explica Geraldo.

Fonte: Minha Vida

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