Febre amarela: veja 8 diferenças da doença mais temida em Campinas SP no final do século XIX e em 2017

Infectologista pontua fatos que mostram as condições da cidade para enfrentar a doença nos dois anos. No final do século XIX, a população de Campinas foi quase dizimada.

Falar sobre febre amarela em Campinas (SP) vai muito além da preocupação com vacina, áreas de risco, mosquito transmissor e formas de prevenção. A história da cidade amarga seis epidemias da doença no final do século XIX que quase dizimaram a população. Dos cerca de 20 mil habitantes na época, cinco mil permaneceram na cidade e mais de três mil morreram.

Esse histórico, no entanto, é bem diferente da situação atual em que a doença se apresenta. Com as orientações de um infectologista, o site pontuou oito principais pontos que marcam as diferenças.

A febre amarela voltou a assustar os moradores este ano, com casos espalhados pelo Brasil que chegaram até Campinas, mais precisamente no distrito de Sousas.

O alerta começou com a morte de macacos na zona rural - sete morreram vítimas da doença - e a preocupação chegou ao ápice com a confirmação de um caso autóctone em humano no distrito, que passou por tratamento e sobreviveu. A vacinação contra o vírus passou a ser oferecida para toda a população, atualmente de 1,1 milhão de pessoas.

O infectologista de Campinas Frederico Gigliotti Palazzo, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, destaca oito principais fatores que distanciam as epidemias - registradas entre 1889 e 1897 - da realidade da cidade em 2017. Ele usou como fonte informações da Sociedade Brasileira de Infectologia.

"Hoje ela predomina mais no interior, em zonas rurais. Principalmente norte do estado de São Paulo, Minas Gerais, Centro Oeste e Norte. Não é todo ano que tem, mas não é raro ter casos nessas regiões", afirma o infectologista.

"No Brasil a febre amarela silvestre é sazonal. Ocorre em praticamente todos os anos. Não é que não tem e agora passou a ter. Ela ocorre de maneira cíclica. Esse ano foi o maior dos últimos tempos, mas foi só o ciclo silvestre. O último caso de febre amarela urbana foi diagnosticado em 1942, no Acre.", explica o infectologista Frederico Palazzo.

Segundo o infectologista, no final do século XIX, entre as principais tentativas de conter o surto estava a desinfecção dos cadáveres, que eram enterrados à noite, somente. "Achava-se que tinha transmissão de pessoa pra pessoa. Era usada a quarentena para deixar o paciente isolado. Eram meios pouco eficazes para o controle da doença", afirma.

"Ninguém combatia o mosquito, não se sabia que ele era o causador. Focava-se mais no paciente, achando que [a doença] era transmitida de pessoa pra pessoa", ressalta Palazzo.

"Hoje a chance de ter surto urbano da febre amarela é mínima, por conta da vacinação em massa e também por conta do controle do vetor, que é o Aedes. Hoje a gente vive um surto, porque são regiões restritas, na área silvestre", explica o infectologista.

"Unicamp, PUC [Celso Pierro], Mário Gatti e Ouro Verde têm ala específica para doença infecciosa. O tratamento é o suporte químico dado ao paciente. Vai depender da gravidade da doença, se for a forma leve ou grave, que necessite de terapia intensiva. Se for leve, soro, remédio pra febre e controle químico", explica o especialista.

Palazzo destaca que a primeira vacinação em massa foi liderada pelo cientista e médico Oswaldo Cruz.

"Em 1937, Oswaldo implementou o primeiro programa de erradicação do Aedes aegypti e em 1942 foi realizada a primeira vacinação em massa, o que levou à eliminação da febre amarela urbana. Em 1958 a Organização Mundial da Saúde considerou o Brasil livre da infestação de Aedes aegypti. Só que ele foi reintroduzido no Brasil em 1976, por estrangeiros", explica.

"É um mosquito que vive mais na floresta, não vive na cidade, não consegue se reproduzir da mesma maneira que o Aedes. Faz só transmissão silvestre. O Aedes vive mais na cidade. Período de reprodução é o mesmo", alerta.

"Hoje o ciclo silvestre acaba acometendo mais os homens, por conta da atividade laboral. A maioria dos doentes é de indivíduos que vão até a doença, se expõem por turismo, trabalho, viagem. A chance de termos uma epidemia de febre amarela urbana no Brasil é praticamente nula", completa.

Fonte: G1

Fonte da imagem: Google