A escarlatina é uma doença infectocontagiosa que atinge crianças e adolescentes, consistindo em uma infecção de garganta acompanhada de manchas na pele vermelho vivo, escarlate — daí seu nome.

A reação de muitas pessoas diante de um diagnóstico de escarlatina é de susto porque, de fato, a doença era considerada perigosa num passado distante porque não havia medicamentos capazes de eliminar a bactéria causadora do quadro. Com o advento da penicilina, no entanto, tudo mudou.

A infecção pode ser combatida com facilidade e só evolui para forma mais grave se não for adequadamente tratada, causando sobretudo nefrite e febre reumática.

Causas e sintomas

A doença começa com febre alta e calafrios, dores pelo corpo, queda do estado geral e dor de garganta. Quase sempre no segundo dia de doença, a criança passa a apresentar manchas vermelhas por todo corpo, que aparecem primeiro no tórax, daí se estendendo de forma rápida ao restante do tronco e aos membros, poupando as palmas das mãos, a planta dos pés e em volta da boca.

Nas dobras de pele das articulações (punhos, axilas, pregas dos cotovelos, quadris e região atrás do joelho) verifica-se a presença de faixas mais escuras, bordôs. A língua fica vermelha e áspera ("língua em framboesa"). As manchas espalham-se rapidamente e alcançam maior intensidade cerca de 24 horas depois do seu aparecimento. Nos casos tratados de forma apropriada, vão esmaecendo depressa, com a cura do processo infeccioso. Na última fase da escarlatina a pele descama, a princípio sob a forma de pequenas escamas no tronco e rosto, tornando-se depois generalizada, intensa e característica.

A escarlatina decorre de infecção pela bactéria Streptococcus pyogenes, a mesma responsável pela amigdalite. A diferença é que, nessa doença, uma toxina produzida pelo estreptococo produz as manchas vermelhas na pele. A transmissão do agente infeccioso ocorre na fase inicial da escarlatina, por meio do contato direto com a pessoa contaminada, mais precisamente pela inalação de secreções respiratórias, como gotículas de tosse. Daí a facilidade de a infecção se disseminar no ambiente escolar, por exemplo.

Diagnóstico

O diagnóstico costuma ser feito clinicamente, ou seja, por meio do exame físico e das queixas da criança, mas é comum que os médicos peçam um exame de sangue simples — o hemograma — para verificar o comportamento dos glóbulos brancos, que, afinal, respondem pelo combate a infecções.

Dentre os exames específicos para identificação do estreptococo, existe a cultura e o teste rápido para a pesquisa da bactéria na garganta da criança. A vantagem do teste rápido é que o resultado fica pronto em cerca de meia hora. Convém ressaltar que um teste rápido com resultado negativo não exclui a infecção, razão pela qual o tratamento é iniciado da mesma forma se houver um quadro compatível com o de escarlatina.

Tratamento

O tratamento utiliza antibióticos à base de penicilina, aos quais o estreptococo é muito sensível, e antitérmicos para baixar a febre. Caso a criança seja alérgica a esses antimicrobianos, outras drogas também podem ser usadas com sucesso. É importante manter a criança em casa, em repouso relativo, e oferecer-lhe bastante líquido e alimentação fácil de engolir, já que a dor de garganta provocada pela infecção é intensa.

A melhor forma de prevenir a escarlatina é evitar o contato com pessoas infectadas. Em se tratando da população pediátrica, porém, isso pode parecer difícil, pois, na escola, tem sempre alguém doente. Assim, o ideal é manter a criança que está com febre em casa até que o diagnóstico seja esclarecido.

Muitas vezes, os pais pensam que se trata apenas de uma gripe, mandam o filho para a aula e acabam espalhando o estreptococo na turma. De qualquer forma, é sempre interessante avisar a escola que um aluno contraiu escarlatina para possibilitar o diagnóstico precoce nos colegas. Para crianças que têm convivência muito próxima com alguém infectado, os pediatras muitas vezes recomendam o tratamento preventivo com antibiótico.

Fonte: Fleury Medicina e Saúde

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