A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou um boletim que detalha o perfil do doador de sangue brasileiro. Em resumo, ele é homem, tem mais de 29 anos, possui tipo sanguíneo O+ e vive principalmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país.

Com dados coletados até 2015, o 4º Boletim de dados de Produção Hemoterápica Brasileira (Hemoprod) tem entre seus destaques o fato de o maior percentual de doadores ser do sexo masculino, tendência que tem se mantido pelo menos desde 2012, quando 63% das doações de sangue foram feitas por homens. No último ano analisado, 2015, eles foram responsáveis por 59,2% das doações, contra 40,7% das mulheres.

Este é um problema que preocupa os hemocentros brasileiros, tanto que o HemoRio fez em 2015 uma campanha para que elas passassem a doar com mais frequência. Apenas 35% das doações realizadas no HemoRio em 2014 foram de mulheres.

De acordo com o relatório da Anvisa, houve também uma queda no número total de candidatos à doação. Em 2015, foram aproximadamente 4 milhões, enquanto em 2014 foram 4,2 milhões — o maior número já registrado no Hemoprod nesse quesito. Em compensação, o índice superou o de 2013, quando apenas 3,7 milhões de brasileiros se candidataram.

A média anual, de 2010 a 2015, foi de 3,9 milhões de pessoas dispostas a doar.

Pelo número de coletas realizadas em comparação com o total de candidatos à doação no ano de 2014, foram considerados aptos à doação de sangue 17,3 a cada 1.000 habitantes do país. Para este cálculo, adotou-se o quantitativo estimado da população brasileira naquele ano (203.492.428 habitantes) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2015, esse dado foi de 15,4 doadores/1.000 habitantes.

O Brasil, desta forma, apresenta uma taxa de doadores de sangue voluntários mais alta do que os países de média renda, que é de 11,7 doadores/1.000 habitantes, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

No entanto, os hemocentros brasileiros registram menos da metade da taxa de doadores dos países de alta renda (36,8 doadores/1.000 habitantes). Isso demostra que é preciso avanço nesse índice.

Em relação ao perfil de tipo sanguíneo dos doadores, o relatório da Anvisa observa que existe uma prevalência dos tipos O e A. Mais recorrente, o tipo O+ é o de 43% da população de doadores. E o A+ é doado por 30%. O mais raro é o AB-, doado apenas por 0,5%.

O boletim foi preparado pela área técnica da Anvisa chamada Gerência de Sangue, Tecidos, Células e Órgãos e reúne informações a respeito do perfil do doador de sangue, além de produção, transfusão e descarte de hemocomponentes nos serviços hemoterápicos brasileiros.

Fonte: O Globo

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