Em primeiro lugar, é preciso entender o que significa o termo hipotireoidismo. A glândula tireoide produz diariamente seus principais hormônios, T3 e T4, em quantidades suficientes para o bom funcionamento do organismo. O hipotireoidismo ocorre quando a tireoide, por algum motivo, passa a produzir seus hormônios em quantidades menores do que o organismo necessita.

Como os hormônios tireóideos são responsáveis, entre outras coisas, pelo aumento da velocidade das reações químicas, a carência desses hormônios resulta na diminuição da atividade do metabolismo. Isso leva ao aparecimento de vários sintomas e sinais clínicos, que podem variar em intensidade e ocorrer isoladamente ou em diversas combinações. Os principais sinais e sintomas do hipotireoidismo são:

• Alterações do ciclo e do fluxo menstrual

• Aumento da pressão arterial diastólica

• Aumento de peso

• Aumento do colesterol total e incremento do LDL colesterol

• Cabelos secos e frágeis

• Cãibra

• Cansaço

• Constipação intestinal

• Depressão

• Derrame pericárdico (acúmulo de líquido entre o coração e a membrana que o envolve)

• Derrame pleural (acúmulo de líquido entre as membranas que envolvem os pulmões)

• Diminuição da memória

• Diminuição do número de batimentos cardíacos por minuto

• Diminuição do reflexo dos tendões

• Dispneia (sensação de falta de ar)

• Dor nas articulações

• Dor muscular

• Espessamento da língua

• Fraqueza

• Inchaço de mãos, pernas e pés

• Inchaço no rosto, especialmente das pálpebras

• Intolerância ao frio

• Mãos e pés frios

• Parestesias (formigamentos)

• Pele seca, delgada, pálida ou amarelada (excesso de caroteno — carotenose)

• Piora de apneia do sono

• Queda de cabelos e/ou pelos

• Raciocínio lento

• Redução da acuidade auditiva

• Redução da transpiração

• Redução do sódio no sangue

• Rouquidão

• Sonolência

A causa mais frequente do hipotireoidismo no Brasil é a tireoidite autoimune (tireoidite de Hashimoto), na qual o organismo produz uma reação imune contra a glândula que pode resultar na destruição progressiva da glândula. Neste caso, geralmente os sinais e sintomas aparecem de maneira lenta e gradual e, por isso, podem passar despercebidos. Manifestações comuns no início da doença, como cansaço, fraqueza, dores musculares e articulares, ganho de peso, alterações menstruais e pele seca podem ser atribuídas a outras causas. Isso contribui para retardar o diagnóstico da doença.

Outras causas comuns de hipotireoidismo são a carência de iodo na dieta, a destruição do tecido tireóideo por iodo radioativo usado para o tratamento da doença de Graves e a cirurgia de ressecção parcial ou total da tireoide, utilizada para tratar a doença de Graves ou o câncer de tireoide.

É importante ressaltar que há algumas situações que podem requerer a investigação de hipotireoidismo, tais como, em mulheres que apresentam alterações menstruais e dificuldade para engravidar, bem como nos indivíduos que exibem colesterol elevado. Como o hipotireoidismo é mais frequente em pacientes idosos, é importante valorizar a presença de sintomas de hipotireoidismo nesses pacientes.

Há várias outras situações em que a investigação pode ser necessária, como, por exemplo: mulheres grávidas, história familiar de doença de tireoide, mulheres acima de 60 anos, cirurgia de tireoide prévia, tratamento prévio com iodo radioativo, presença de bócio (aumento da tireoide), etc.

O aparecimento do hipotireoidismo pode ocorrer, inclusive, nos recém-nascidos (congênito) e, neste caso, é uma das causas mais frequentes de retardo mental. As crianças e adolescentes também estão sujeitos ao desenvolvimento da doença que provoca frequentemente, além das manifestações do hipotireoidismo, a diminuição da velocidade de crescimento, diminuição do rendimento escolar e atraso no desenvolvimento sexual.

Quando há presença de sintomas e sinais clínicos, os pacientes devem ser submetidos ao exame de sangue para investigação de hipotireoidismo. Os mais importantes para confirmar o diagnóstico de hipotireoidismo são as dosagens sanguíneas de tireotropina (TSH) e tetraiodotironina livre (T4 livre). Na grande maioria das vezes, são suficientes para estabelecer o diagnóstico do hipotireoidismo.

Deve-se ressaltar que é importante repetir esses exames, especialmente quando pouco alterados, para confirmar o diagnóstico da doença. A pesquisa do hipotireoidismo no recém-nascido é realizada pelo teste do pezinho.

Podem ser solicitados, também, exames com a finalidade de estabelecer a causa do hipotireoidismo. No caso da tireoidite de Hashimoto, os níveis de anticorpos antitireóideos no sangue (anticorpos antiperoxidase tireóidea e antitireoglobulina) estão aumentados na grande maioria dos pacientes. A ultrassonografia é muito útil tanto para pesquisar a causa da doença, como para descartar a presença de nódulos tireóideos.

Uma vez confirmado, o hipotireoidismo requer o início do tratamento com levotiroxina. É sempre oportuno mencionar que o hipotireoidismo não tratado durante a gestação, pois aumenta o risco de problemas para a mãe a para o feto. Entre estes problemas estão o aumento da incidência de abortamento espontâneo, parto prematuro, pré-eclâmpsia, prejuízo do desenvolvimento intelectual e psicomotor do feto.

Por fim, vale ressaltar que o hipotireoidismo é a deficiência hormonal mais comum, potencialmente séria especialmente em recém-nascidos, crianças e gestantes e, frequentemente, passa despercebida. Em contrapartida, é de fácil diagnóstico e tratamento.

Fonte: Minha Vida

Imagem: Getty Images