Uma operação do Ministério Público revelou a comercialização de água mineral contaminada por bactérias no Rio Grande do Sul. Foi identificada a presença de Pseudomonas aeruginosa e coliformes totais nos produtos, além de limo, sujeira e mofo.

A Organização Mundial da Saúde estabelece que a água mineral deve ser totalmente livre destes micro-organismos pois representam riscos à saúde. Grande parte das bactérias coliformes podem ser inofensivas ao organismo, mas, dentre elas, há um grupo com grande potencial patogênico: os coliformes fecais. Estas bactérias, transmitidas por meio das fezes, são capazes de provocar problemas intestinais de gravidade variada.

— A principal bactéria dos coliformes fecais é a Escherichia coli. Ela dá febre, dor de barriga, diarreia, vômitos, calafrios. Crianças e idosos são mais vulneráveis quando contaminados com essa bactéria, porque ela é mais agressiva nessa faixa etária — explica o médico infectologista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Luciano Goldani.

Já a Pseudomonas aeruginosa normalmente não causa problemas em pessoas saudáveis. Ela é chamada pelos médicos de bactéria oportunista, pois costuma atacar o organismo de pessoas doentes ou com imunidade baixa, provocando infecções cirúrgicas, urinárias, sistêmicas, oftalmológicas, articulares, etc.

Goldani alerta, no entanto, para a possibilidade de outros organismos não-detectados estarem presentes na água contaminada, como vírus da hepatite. — A contaminação de água e alimentos é terrível. Pode causar um surto, um problema grave de saúde — adverte.

— A presença destes organismos indica que não houve boas práticas no processo de obtenção dessa água. Uma vez contaminado um poço com coliforme, ele não serve mais para envasar água. Diferente da água de abastecimento público, que se faz um tratamento para torná-la potável, a água mineral não pode sofrer nenhum tratamento — ressalta Cheila Minéia Daniel de Paula, professora do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

Fonte: Zero Hora

Foto: Carlinhos Rodrigues