Os Estados Unidos registraram o primeiro caso de um paciente com uma superbactéria resistente ao antibiótico mais potente que a medicina conhece: a colistina. Considerada o último recurso, quando a pessoa tem uma infecção que não responde a outros antibióticos convencionais, essa droga existe desde 1949, e a resistência a ela foi identificada pela primeira vez em 2015, na China. Com isso, autoridades de saúde pública chegam a dizer que estamos "no fim da linha" na era dos antibióticos.

A bactéria foi encontrada na urina de uma mulher de 49 anos da Pensilvânia, que tinha infecção urinária. Pesquisadores do Departamento de Defesa dos EUA afirmam se tratar de uma infecção que envolve uma cepa da bactéria E. coli resistente à colistina, segundo um estudo publicado pela Sociedade Americana de Microbiologia.

Não é claro como essa resistência surgiu, uma vez que a paciente não viajou recentemente e a colistina não é amplamente usada nos EUA.

A grande preocupação dos cientistas e médicos é que a resistência à colistina se combine à resistência a outros tipos de antibióticos para formar infecções que não podem ser tratadas. O gene mcr-1, responsável por conferir resistência à colistina, pode se espalhar rapidamente entre as espécies, dizem os médicos.

— Quanto mais olhamos para resistência aos medicamentos, mais preocupados ficamos — disse o diretor dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, Thomas Frieden. — O armário de remédios está vazio para alguns pacientes. É o fim da estrada para os antibióticos se não agirmos com urgência.

Nasia Safdar, da Escola de Medicina e Saúde Pública da Universidade de Wisconsin, também se mostrou preocupada.

— É quase inevitável que mais casos virão à luz. É apenas uma questão de quão rapidamente as coisas se espalham. Não seria um exagero dizer que estamos no final do tratamento antimicrobiano eficaz para bactérias resistentes a antibióticos — afirmou ela.

Fonte: O Globo

Foto: Fabian Bimmer