Pesquisadores identificaram que a idade em que indivíduos perdem a virgindade pode estar associada à genética. Segundo o estudo, publicado nesta segunda-feira na revista científica Nature, diferenças no DNA podem ser responsáveis por 25% da variação de idades em que as pessoas escolhem ter a primeira relação sexual. A equipe internacional de especialistas espera que, ao compreender melhor o momento da puberdade, novas abordagens e tipos de intervenção possam ser realizados para promover comportamentos mais saudáveis nessa fase da vida.

Os pesquisadores, liderados por John Perry, especialista no envelhecimento reprodutivo na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, analisaram o genoma de mais de 125.667 britânicos e 262.097 islandeses, com idade entre 40 e 69 anos, que estavam em um banco de DNA. A análise identificou 38 genes responsáveis pela fase em que eles tiveram suas primeiras relações sexuais - e muitos dos genes estavam relacionados ao comportamento humano.

Um dos genes, chamado CADM2, encontrado em pessoas que iniciavam suas vidas sexuais cedo, é relacionado com comportamentos de risco. Outra variação genética, chamada MSRA, encontrada em pessoas que perderam a virgindade mais tarde, é relacionada com a irritabilidade. De acordo com os pesquisadores, a idade mais comum da perda da virgindade para homens e mulheres foi 18 anos.

"Mesmo que os fatores sociais e culturais sejam claramente relevantes, mostramos que a idade da primeira relação sexual também é influenciada por genes que agem no tempo de maturidade da infância e por genes que interferem nas nossas diferenças naturais de personalidade", disse Perry.

O estudo ainda mostra como a puberdade precoce está diretamente relacionada à idade da primeira relação sexual e ao primeiro filho - segundo os pesquisadores, esses dois acontecimentos, se ocorridos muito cedo, podem interferir de maneira negativa na educação. A esperança é que, com o estudo desses comportamentos e compreendendo melhor como ele se desenvolve no corpo, os cientistas consigam evitar a puberdade precoce e melhorem a educação de crianças e adolescentes.

Fonte: VEJA