A próstata é uma glândula do tamanho de uma noz que só os homens têm. Fica logo abaixo da bexiga e na frente do reto e a uretra, o canal que transporta urina passa através dela. A próstata contém pequeninas glândulas especializadas que produzem parte do líquido seminal ou sêmen, que protege e nutre os espermatozoides.

Hormônios masculinos fazem com que a próstata se desenvolva no feto e ela vai crescendo à medida que um menino se torna adulto. Se o nível de hormônios masculinos for baixo, a glândula não vai atingir suas dimensões totais. Em homens mais velhos, frequentemente à parte da glândula em torno da uretra cresce continuamente, causando a hiperplasia prostática benigna (HPB), que causa dificuldades no ato de urinar.

Embora a próstata seja constituída por vários tipos de células, a maioria dos cânceres de próstata tem origem nas células das glândulas que produzem líquido seminal. Eles são chamados de adenocarcinomas.

Na maioria das vezes, o câncer de próstata tem desenvolvimento lento e alguns estudos mostram que cerca de 80% dos homens de 80 anos, que morreram por outros motivos, tinham câncer de próstata e nem eles nem seus médicos desconfiavam. Em alguns casos, porém, ele cresce e se espalha depressa.

Alguns especialistas acreditam que o câncer de próstata começa com pequenas mudanças no tamanho e forma das células das glândulas da próstata. Essa alteração, conhecida como neoplasia intraepitelial prostática (PIN), podem ser de baixo grau (quase normais) ou de alto grau (anormais). Biópsia de próstata com PIN de alto grau indica grande chance de haver células cancerosas e exige novo exame.

Em 2016, cerca de 61 mil brasileiros receberão diagnóstico da doença, sendo a segunda causa de morte por câncer entre homens, ficando atrás apenas do câncer de pulmão. Nos Estados Unidos, as estatísticas indicam que 1 a cada 6 homens vai ter câncer de próstata, mas apenas 1 em cada 34 vai morrer por causa da doença. A taxa de mortalidade da doença está em queda, em parte porque está sendo diagnosticada precocemente.

Fatores de risco

O câncer de próstata pode ser diagnosticado precocemente pela combinação de um exame de sangue, que avalia os níveis de PSA (do inglês prostate-specific antigen, antígeno prostático específico), e pelo exame de toque retal. Como a próstata fica logo na frente do reto, o exame permite que o médico sinta se há nódulos ou tecidos endurecidos, indicativos da existência de câncer, provavelmente em estágio inicial.

É bom lembrar que esses exames não têm 100% de precisão e que a realização de novos testes vai depender de vários fatores, entre eles sua idade e estado geral de saúde. Pacientes jovens com câncer de próstata que não é diagnosticado precocemente podem ter reduzida sua expectativa de vida, enquanto que em pacientes idosos com saúde já abalada o câncer de próstata pode nem ser um problema sério, já que seu crescimento é lento.

A recomendação padrão é que homens saudáveis façam exames anuais de PSA e toque retal a partir dos 50 anos. Homens com risco maior (aqueles que têm parentes que tiveram câncer de próstata jovens) devem começar os exames mais cedo, aos 45 anos.

Exame de PSA

O PSA é uma substância produzida normalmente pela próstata, em grande parte presente no sêmen e uma pequena quantidade no sangue. Na maioria dos homens, os níveis de PSA estão abaixo dos 4 ng/numberamel (nanogramas por mililitro), mas o câncer de próstata pode aumentar essa taxa. Se o nível de PSA está entre 4ng/numberamel e 10 ng/numberamel, há 1 chance em 4 de câncer de próstata. Se o PSA está acima de 10 ng/numberamel as chances de ter câncer vão subindo à medida em que aumentam os níveis de PSA. No entanto, há homens com PSA abaixo de 4ng/numberamel que têm câncer de próstata.

Outros fatores também podem desencadear aumento nos níveis de PSA, entre eles, ter HPB ou infecção na próstata, tomar certos medicamentos e envelhecimento. Homens com PSA elevado precisam fazer outros exames para ver se realmente têm câncer.

O PSA também é útil após o diagnóstico de câncer de próstata, para determinar o tipo de tratamento. Níveis muito altos podem indicar que o câncer já se espalhou e algumas formas de tratamento não são eficazes nestes casos, havendo alternativas melhores. O teste de PSA também pode ser usado para verificar se o tratamento está funcionando ou se o câncer voltou. Nos casos avançados da doença, a maneira como os valores do PSA se alteram pode ser mais importante do que os índices propriamente ditos.

Exame de toque retal

É realizado na tentativa de identificar áreas irregulares ou endurecidas na próstata. É justamente na área da glândula que pode ser alcançada pelo reto que começa a maioria dos cânceres de próstata. O exame é rápido, não dói, embora cause um certo desconforto. O toque retal é menos preciso que o exame de PSA, mas às vezes é capaz de detectar tumores em homens com PSA normal.

Fonte: A.C.Camargo Cancer Center