Em março de 2015, a palavra zika apareceu em um grupo de WhatsApp brasileiro. Após perceber um aumento de casos de pacientes com manchas vermelhas, coceira e dores nas articulações em Pernambuco, o pesquisador Carlos Brito, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) decidiu consultar colegas se o fenômeno se repetia em outros lugares.

A pergunta, enviada ao grupo "CHKV a Missão", foi prontamente respondida por Kleber Luz, do Rio Grande do Norte, "acho que é zika". Da hipótese sobre a chegada de uma nova doença à comprovação de que o vírus estava no país, feita na Bahia, levou um mês, com a cooperação de pesquisadores distantes mais de mil quilômetros uns dos outros.

O grupo reunia médicos que participavam de um grupo de trabalho formado para estudar a emergência da chikungunya no Brasil, outro vírus transmitido pelo Aedes Aegypti. A facilidade de comunicação pelo aplicativo trouxe agilidade para a troca de informações que poderia levar meses, se dependesse de encontros de médicos em eventos profissionais.

Ajudou a percebermos muito rápido o tamanho e a emergência daquilo que víamos e fortalecer a rede de pesquisa

Carlos Brito, pesquisador da UFPE

Apenas três meses se passaram entre o aumento de casos de crianças com lesões neurológicas começar a ser percebido, em agosto de 2015, e aprimeira prova científica de associação entre o vírus da zika e a microcefalia, feita em Campina Grande (PB). Em dezembro, a Organização Mundial de Saúde emitia um alerta global sobre o vírus.

Fonte: UOL