Malformação será apontada em cabeças de 32 cm ou menos de perímetro. Antes, medida era de 33 cm; novas medidas valem a partir do dia 11/12/15.

O Ministério da Saúde vai mudar os critérios que classificam uma criança como tendo microcefalia. Até então, a pasta considerava que bebês com circunferência da cabeça igual ou menor a 33 cm tinham a malformação. O novo parâmetro passa a apontar microcefalia em crianças com cabeça medindo 32 cm ou menos de circunferência.
Na prática, menos bebês vão ser considerados como suspeitos de apresentar a malformação. O ministério não informou quantos casos notificados deixam de ser considerados com suspeita de microcefalia com base nas novas medidas.

Em nota, o ministério informou que a nova medida "visa a agilizar os procedimentos clínicos, sem descuidar dos bebês que fizeram parte da primeira lista de casos notificados".

A pasta diz ainda que a alteração vai permitir uma melhor avaliação do problema no país. "Diante do aumento inesperado e inusitado dos casos de microcefalia em recém-nascidos, atribuído ao vírus Zika, no primeiro momento, o Ministério da Saúde recomendou que fosse adotada a medida de 33 cm para o PC [perímetro cefálico]. A iniciativa teve como objetivo incluir um número maior de bebês na investigação, visando uma melhor compreensão da situação."
Até o dia 28 de novembro, foram notificados 1.248 casos suspeitos de microcefalia em 311 municípios de 13 estados e no Distrito Federal. O número representa um aumento de 68,87% em relação ao dado apresentado no último balanço da pasta, no dia 24 de novembro de 2015.

A microcefalia é uma condição rara em que o bebê nasce com o crânio do tamanho menor do que o normal. Para crianças que nasceram com nove meses de gravidez, o esperado é que tenham pelo menos 34 cm de circunferência. O problema está associado com o zika vírus, aponta estudo do ministério.

A maior parte dos casos é causada por infecções adquiridas pela mãe, especialmente no primeiro trimestre da gravidez, que é quando o cérebro do bebê está sendo formado. Toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus são algumas doenças que causam a microcefalia. Outros possíveis causadores são abuso de álcool e drogas ilícitas na gestação e síndromes genéticas como o Down.

Essa mesma alteração passou a valer do dia 10/12/15 em Pernambuco, estado mais afetado pela doença. A alegação foi de que seriam usados os mesmos parâmetros definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O estado também determinou que as mães que apresentassem manchas vermelhas pelo corpo (exantema) durante a gestação devem procurar a Secretaria de Saúde para notificar o caso.

"Não houve diagnóstico errado. Era preciso, no primeiro momento, pegar tudo e, a partir dali, a gente começar a fazer a triagem. Em alguns desses casos o bebê pode ter a cabeça normal, com 33 cm, e dentro, um cérebro com alterações", afirmou Luciana Albuquerque, secretária-executiva de Vigilância em Saúde. "Antes éramos mais sensíveis, era importante porque era algo desconhecido, não sabíamos com o que estávamos lidando."

A OMS define a microcefalia como os casos em que a medida da circunferência da cabeça do bebê no nascimento fica abaixo do segundo percentil do tamanho padrão. A organização afirma que não há valores absolutos para definir a malformação congênita, dado que o padrão pode variar de acordo com raça, sexo e idade gestacional.

Casos suspeitos

O ministério informou haver seis casos suspeitos de mortes de crianças por microcefalia provavelmente causadas pelo zika vírus, transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti (o mesmo vetor da dengue). A pasta confirmou a morte de um bebê que tinha a doença e o vírus no organismo, no Ceará. Segundo a pasta, os demais casos suspeitos são investigados no Rio Grande do Norte (5) e no Piauí (1).

Número de casos notificados com suspeita de microcefalia por estado:

Pernambuco - 646

Paraíba - 248

Rio Grande do Norte - 79

Sergipe - 77

Alagoas - 59

Bahia - 37

Piauí - 36

Ceará - 25

Rio de Janeiro - 13

Tocantins - 12

Maranhão - 12

Goiás - 2

Mato Grosso do Sul - 1

Distrito Federal - 1

Fonte: G1