Reino Unido é o primeiro país ocidental a permitir pesquisas com manipulação do DNA em embriões fertilizados. A Autoridade de Fertilização Humana e de Embriologia (HFEA, na sigla em inglês) deu autorização, nesta segunda-feira, para que especialistas liderados pela bióloga molecular Kathy Niakan, da Francis Crick Institute of London, sigam com pesquisas sobre as causas dos abortos espontâneos.

Os especialistas receberam sinal verde para alterar o DNA de embriões nos primeiros sete dias de fertilização. A permissão, no entanto, proíbe que os cientistas implantem estes embriões manipulados em mulheres. "Nosso comitê aprovou a solicitação da doutora Kathy Niakan para renovar sua licença de pesquisa em laboratório, incluindo a edição genética de embriões", indicou a HFEA em um comunicado.

O comitê ressaltou que nenhuma alteração genética deverá ocorrer até que o grupo de pesquisadores consiga uma aprovação separada de um juri ético, que pode sair em março. A autorização concedida se refere à utilização do método Crispr-Cas9, que consiste em um processo de "cortar e colar" o DNA com espécies de tesouras moleculares, permitindo que os cientistas separem os genes defeituosos para neutralizá-los de maneira mais precisa.

No início deste ano, a cientista falou à BBC que a pesquisa buscava compreender os genes que o humano precisa para transformar um embrião em um bebê saudável. "Essa pesquisa é de fundamental importância porque os abortos espontâneos e a infertilidade são comuns, mas até hoje não são bem compreendidos", explicou Niakan, que pesquisa o desenvolvimento humano há dez anos.

Alguns genes específicos ficam bastante ativos durante o nosso desenvolvimento nos primeiros dias do embrião. Como estes genes operam no organismo e por que isto acontece, no entanto, ainda é um "mistério", assim como o que leva ao aborto espontâneo. A pesquisa, realizada em embriões que serão doados, é um assunto que levanta grande discussão sobre futuras modificações genéticas nas pessoas e o que isto poderia acarretar na saúde humana.

China - Em abril do ano passado, cientistas chineses anunciaram que conseguiram modificar um gene defeituoso de vários embriões, responsável por uma doença do sangue potencialmente letal. A notícia provocou uma grande polêmica sobre as consequências éticas deste tipo de prática. Os próprios cientistas chineses indicaram que registraram "grandes dificuldades" e afirmaram que seus estudos "demonstravam a necessidade urgente de melhorar esta técnica para aplicações médicas".

Fonte: G1