Crianças com transtorno do espectro autista (TEA) ainda são diagnosticadas mais tarde que o ideal, constata estudo da equipe de especialistas em autismo de Newcastle, no Reino Unido, publicado na Journal of Autism and Developmental Disorders.

No maior estudo sobre o tema realizado no país, os pesquisadores analisaram dados de 2.134 crianças e famílias, entre 2004 e 2014, período em que mesmo as crianças diagnosticadas precocemente (aos 3 anos), tinham sido identificadas como tendo algum transtorno aos 2 anos e meio. Em uma década, a idade média de diagnóstico (4 anos e meio) não diminuiu, o que tem impacto no tratamento e desenvolvimento dessas crianças.

— Algumas crianças com autismo são muito difíceis de diagnosticar porque suas dificuldades são menos óbvias, mas para a maioria, os primeiros sinais de autismo, como interação social limitada e atraso ou perda na fala podem ser captados no segundo ou terceiro ano de vida ou antes — diz o autor principal do estudo, Jeremy Parr, professor na Universidade de Newcastle. — Há um crescente corpo de evidências mostrando que a intervenção precoce pode melhorar as habilidades sociais e de comunicação em crianças com transtorno do espectro do autismo.

Para o psiquiatra Fábio Barbirato, chefe do serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Santa Casa de Misericórdia do Rio, identificar de maneira precoce e interferir no desenvolvimento de crianças autistas é a chave para a melhora do quadro. Por isso, o serviço da Santa Casa abre mais 20 vagas para o tratamento gratuito de crianças de 2 a 6 anos. As inscrições começam em maio, as avaliações serão feitas em junho, e o tratamento de quatro a seis meses (com acompanhamento durante dois anos) começa logo após as Olimpíadas.

— Ver quais crianças fogem da curva de desenvolvimento normal e interferir, independente da dúvida que possa haver, faz com que essa criança consiga ter melhora na linguagem receptiva (quando chamam e a criança atende), brincar adequadamente e compartilhar brincadeiras, por exemplo — exemplifica Barbirato.

Segundo José Carlos Pitangueira, diretor-executivo do Instituto Priorit o diagnóstico precoce e o atendimento são altamente eficientes tanto na redução dos sintomas quanto no desempenho escolar.

— É muito importante que os pais prestem atenção no desenvolvimento dos seus filhos, pois os principais sintomas do transtorno são sinais de atraso na linguagem e comunicação, interação social e interesses restritos e repetitivos — observa.

Fonte: O Globo