A história do bebê Gabriel, nascido de pais negros com olhos claros em um hospital de Niterói, no Grande Rio de Janeiro, é um caso raro, mas explicável pela herança genética. Segundo a professora do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP, Célia Koiffmann, a chance de um casal de pais negros ou mulatos gerarem um filho negro depende da presença dos genes de pigmentação brancos, que são recessivos, e de seu efeito aditivo. "É tipo jogar o dado. Caso sejam pais mulatos claros, a chance é aproximadamente uma em 16 (6,25%)", calcula a médica.

A cozinheira Alexsandra Santos de Oliveira teve o filho no hospital estadual Azevedo Lima. A suspeita imediata foi de troca de bebês, já que os dois são negros. A mãe disse ao hospital ter parentes de olhos claros. O servente Alexandre Assunção Maciel, companheiro de Alexsandra, afirmou ter apenas parentes de cor negra.

Um exame de DNA confirmou a maternidade legítima. "Fizemos o teste com a certeza do resultado, troca de bebês é um erro muito primário", disse o diretor do hospital, José Luiz Medeiros. De acordo com ele, a mãe contou ter um bisavô de olhos claros.

Ainda de acordo com a geneticista, não é "nada de e extraordinário" a concepção de Gabriel. "Uma equação genética determina o que prevalece. Como bons brasileiros, o pais devem ter a mistura racial no sangue", conclui.

Em entrevista ao jornal Extra, a mãe afirmou que o nome dela estava trocado em um documento entregue pelo hospital: em vez de Alexsandra Santos de Oliveira, estava Alexsandra Simões de Oliveira. "Fiz o levantamento do prontuário dela e de outras gestantes, 15 dias antes e 15 dias depois do nascimento do bebê, e não encontrei mães com um sobrenome semelhante", disse o diretor do hospital.

Segundo Medeiros, o material em que o nome de Alexsandra aparece trocado é uma orientação que o hospital entrega às mães sobre cuidados com o bebê. "Todos os outros documentos do prontuário da mãe estão com os nomes corretos", afirmou. Ele disse que não há registro de troca de bebês na história do hospital, que tem 65 anos, e que o funcionário que errou ao escrever o nome da mãe será punido.

Alexsandra também contou ao jornal que a pulseira de registro colocada no bebê tem horário diferente da colocada nela. Questionado sobre o fato, Medeiros afirmou que a mãe pode ter se confudido, porque recebe uma pulseira com o horário que é encaminhada à sala do pré-parto, enquanto na do bebê consta o horário do nascimento.

O diretor disse que Alexandra relatou que o bisavô dela tinha olhos claros. "Existe uma probabilidade genética que não pode ser descartada", falou. Segundo ele, o hospital não recebeu queixa de outras mães no período. "Nenhuma mãe reclamou porque recebeu um filho negro ou pardo em vez de um branco."

Fonte: Terra