O sangue do cordão umbilical do recém-nascido é rico em células-tronco, que são capazes de se diferenciar nos diversos tipos de células do sangue. Por isso, o sangue nele contido pode ser doado, e deve ser armazenado em baixíssimas temperaturas, com o objetivo de utilizá-lo em tratamentos e transplantes.

Antigamente, o material contido tanto no cordão, quanto na placenta eram descartados. Hoje, com a tecnologia, pode-se guardar o sangue em um tanque de nitrogênio e manter as células-tronco disponíveis para serem utilizadas no tratamento de doenças que necessitam do transplante de medula óssea.

O transplante de medula óssea é uma opção de tratamento para as pessoas que têm doenças relacionadas ao sangue. Ele substitui a medula doente por uma medula nova, sadia. No entanto, a probabilidade de compatibilidade entre o doador e o doente é muito difícil, quando não se encontram doadores na mesma família, a chance de achar alguém compatível é de uma em um milhão.

O processo de coleta dos doadores de medula óssea é simples. Primeiramente é feita uma coleta de um hemograma para verificar a tipagem genética. Depois os dados são lançados em um cadastro de busca nacional. Assim, os pacientes que necessitam do transplante podem consultar o cadastro e checar se existe algum doador com o perfil genético necessário. Caso encontre, o doador será acionado e questionado a respeito da possibilidade de doação.

A hemoterapeuta e hematologista do Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário, Ana Luísa Pedroso, explica que "a compatibilidade genética para um transplante de uma medula óssea, tem que estar muito próxima de 100%, isso quando a fonte, o material que vai ser trabalhado, também é uma medula óssea. Quando temos a célula-tronco do sangue de cordão, que é uma célula-tronco com características semelhantes à de medula óssea, mas vinda de uma outra fonte, e que até então era descartada, você consegue realizar um transplante com pelo menos 70% de compatibilidade". Daí vem a importância da doação do cordão umbilical, pois com isso, crescem as chances de encontrar alguém com perfil genético compatível ao do paciente.

O Ministério da Saúde montou uma rede de bancos públicos de sangue de cordão umbilical. A coleta é feita em uma maternidade pública, após a passagem da mãe por uma triagem. Caso a mãe aceite doar o material, a coleta é feita durante o parto. Após feitos testes sorológico e de viabilidade, se aprovado, o sangue é processado e estocado.

Alguns dos requisitos exigidos para a doação do sangue do cordão umbilical são: a mãe deve ter entre 18 e 35 anos, deve ter, pelo menos, duas consultas de pré-natal formalizadas, não pode ter tido nenhuma doença infectocontagiosa durante a gravidez, o parto deve acontecer, no mínimo, com 37 semanas de gravidez, o recém-nascido não pode ter nascido com algum sofrimento e o volume coletado não pode ser inferior a 100 ml, dentre outros requisitos. O procedimento é pago pelo SUS.

Fonte: EBC