A biomédica Estela de Oliveira Lima, em pesquisa realizada no Laboratório Innovare Biomarcadores da Unicamp, desenvolveu um método inovador, simples, não invasivo e de baixo custo para o diagnóstico da hanseníase. O trabalho foi publicado na edição de março da Analytical Chemistry, a mais conceituada revista da área.

Na nova metodologia, uma plaqueta de sílica de 1 cm2 é colocada sobre a pele e levemente pressionada por um minuto, para que o material absorva as substâncias presentes na sua superfície. Essa plaqueta é então colocada em um tubo com metanol, que dissolve as substâncias da pele adsorvidas na sílica. O líquido sobrenadante é transferido para um espectrômetro de massa de alta resolução, onde podem ser detectadas as moléculas presentes.

Após cerca de cinco minutos, é possível identificar marcadores lipídicos em pacientes da hanseníase diretamente a partir de "imprint" de pele, usando a espectrometria de massas como estratégia analítica. Atualmente, o teste considerado padrão ouro no diagnóstico da hanseníase é a histopatologia diagnóstica e a baciloscopia, diretamente dependentes de biópsia de pele, processo invasivo e de baixa sensibilidade para as formas mais brandas da doença.

O método proposto pelos pesquisadores tem potencial para permitir identificar a presença de moléculas da bactéria na superfície cutânea mesmo quando ainda não tenham se estabelecido lesões oriundas das manchas esbranquiçadas que as antecedem.

Segundo Estela, o método funciona para casos de grande carga bacteriana e que se mostra aparentemente de grande potencial de eficiência para outras situações, embora não tenha sido testado ainda quando a carga bacteriana é mais baixa.

Agora, mais experimentos são necessários, como validação e comparação com outras manifestações da hanseníase.

Fonte: Biomedicina Padrão