O trabalho em excesso pode prejudicar a saúde por aumentar o risco de desenvolver problemas coronários e acidentes vasculares cerebrais. A informação foi avançada num estudo publicado em agosto de 2015.

A pesquisa foi realizada com 600 mil pessoas da Europa, Estados Unidos e Austrália e revelou que o risco de se sofrer um AVC e de um problema coronário aumenta respectivamente em 33 e 13 por cento em quem trabalha mais de 55 horas por semana, em comparação a quem trabalha entre 35 a 40 horas.

A análise concluiu ainda que o aumento do risco de AVC é proporcional à duração do trabalho: dez por cento entre as pessoas que trabalham entre 41 e 48 horas, 27 entre as que trabalham entre 49 e 54 horas e 33 para as que laboram mais de 55 horas.

Durante oito anos, os investigadores analisaram homens e mulheres com um historial clínico livre de problemas cardiovasculares e consideraram sempre outros factores de risco como o tabagismo, o consumo de álcool e o sedentarismo. Os resultados da investigação não mostraram diferenças significativas quanto à idade, sexo e estatuto socioeconómico dos sujeitos.

O trabalho foi publicado na revista médica britânica The Lancet.

Ao comentar a pesquisa, Mika Kivimäki, professor de epidemiologia da University College de Londres e coordenador do estudo, explicou que "os profissionais de saúde deveriam ter consciência de que longos períodos de trabalho estão associados a um risco significativo de sofrer AVC e de desenvolver problemas coronários".

Já Urban Janlert, da universidade sueca de Umea, destaca a Turquia como sendo o país com a maior percentagem de trabalhadores a laborar por mais de 50 horas semanais – 43 por cento - entre os países membros da Organização para a Cooperação Económica e de Desenvolvimento (OCDE).

Pelo contrário, na Holanda, as 50 horas semanais são ultrapassadas por apenas um por cento dos trabalhadores.

Fonte: Ciência Hoje