Dança pode ajudar pacientes com Parkinson, que tiveram AVC.

A dança ajuda a queimar calorias, mas além de ser uma atividade física, danças também é um exercício cerebral completa. Quando dançamos, estimulamos várias áreas: a atenção, já que é preciso estar ligado na música; percepção musical; coordenação motora; empatia e memória. O Bem Estar mostrou os benefícios da dança, que vão além do emagrecimento. Participaram do programa o psiquiatra Daniel Barros, o médico do esporte Gustavo Magliocca e o professor e coreógrafo Erick Silva.

A dança é uma alternativa de terapia, como lembra o psiquiatra Daniel Barros. A dançaterapia pode ajudar pacientes com doenças complexas, como o Parkinson. Ela não ajuda nos sintomas ou trata a doença, mas o paciente consegue dançar sem tremores.

Isso acontece porque os caminhos do cérebro da movimentação com música são diferentes da movimentação voluntária. São outras áreas acionadas. Apesar de não ajudar nos sintomas da doença, a dança faz com que o paciente tenha mais autoestima, confiança e consiga se entregar socialmente.

A dança promove gasto energético e contração muscular, portanto, é uma atividade física. Por isso, os benefícios são os mesmos: queima calórica (ativa o metabolismo); fortalece os músculos; ajuda no emagrecimento; previne doenças do coração; melhora a qualidade do sono e até o funcionamento do intestino.

Dança na cadeira de rodas

Valmir Magno Coelho, de 56 anos, foi vítima de um assalto e levou um tiro que o deixou paraplégico. Ele teve que se adaptar à nova realidade. "Ser cadeirante é começar como se fosse criança", conta.

A dificuldade foi vencida com as aulas de dança em cadeira de rodas. "A dança ajuda em tudo, até no dia a dia. Você andar na rua, trafegar na rua com a cadeira. Agora já comecei a sair mais, a andar sozinho, dirigir meu próprio carro". As coreografias ajudam a trabalhar a postura, o equilíbrio e a respiração.

Alcione Simões, de 59 anos, é outro exemplo de superação. Ela teve paralisia infantil aos dois anos de idade, fez várias cirurgias e, por causa de complicações, precisou amputar as duas pernas. Na dança, redescobriu os movimentos. "Ela libertou a musculatura que estava presa. Travava tudo. Não levantava os braços, agora levanto. Penteio meu cabelo. Fora a alegria, o humor, a vontade de ser feliz, de amar", diz.

As aulas despertaram o espírito competitivo nos alunos. Agora, seis atletas se preparam para representar o Brasil no campeonato mundial de dança em cadeira de rodas, em setembro, na Rússia.

Música e AVC

A dança também ajuda pessoas que sofreram acidente vascular cerebral, o AVC. Os pacientes treinam a coordenação motora, o equilíbrio e a percepção corporal. Um trabalho complementar a fisioterapia.

Os pacientes que ficaram com sequelas do AVC, como a perda dos movimentos do braço ou perna se sentiam envergonhados ou incapazes de dançar. Entretanto, eles descobriram que a dança é uma arte e que a mente é quem comanda o corpo. "Somos limitados pela nossa mente. Mesmo com limites de corpo nós podemos fazer muitas coisas", diz a psicóloga Denise Aparecida Seguim.

Fonte: G1