Ainda que bastante conhecida pelo público em geral, a leucemia — câncer mais incidente nas crianças — é cercada de mitos relacionados aos seus fatores de risco. Para ajudar a solucionar as principais dúvidas, Dr. Jayr Schmidt Filho, médico titular do Departamento de Oncologia Clínica, respondeu algumas das perguntas mais ouvidas durante as consultas.

A anemia pode se transformar em leucemia?

Mito. A anemia pode ser um sintoma, mas não um fator de risco para o desenvolvimento da leucemia.

As causas mais comuns de anemia na população são as carenciais, ou seja, relacionadas à ausência de algum elemento no organismo. A mais comum é por deficiência de ferro, que pode estar relacionada à dieta ou por perda crônica de sangue. A anemia hemolítica (doença autoimune onde os anticorpos atacam os glóbulos vermelhos do próprio organismo) também não predispõe à leucemia.

No entanto, a exceção à regra ocorre somente se o paciente tiver uma síndrome mielodisplásica, doença da medula óssea que se inicia como anemia e posteriormente pode se desenvolver em uma leucemia.

Medula espinhal e medula óssea é a mesma estrutura?

Mito. Quando se ouve a expressão "doação da medula óssea", costuma-se associar à estrutura localizada na região das costas, por dentro das vértebras. No entanto, essa é a medula espinhal - uma continuação do Sistema Nervoso Central.

A medula óssea está na parte de dentro de todos os ossos, em uma região conhecida como tutano. Atua na fabricação de todos os componentes celulares do sangue e, caso sua produção seja danificada, pode desencadear em doenças como a leucemia. A doação de medula óssea também pode ser importante para o tratamento desse câncer.

Somente quem mexeu com produtos químicos desenvolve leucemia?

Mito. A exposição a produtos químicos, como agrotóxicos, pesticidas e herbicidas, pode ser um fator de risco para o desenvolvimento da leucemia. Porém, principalmente em casos de pacientes que vivem em centros urbanos, esse contato não ocorre. Outras causas, como síndromes hereditárias e o tabagismo, também podem predispor a esse câncer hematológico, que ainda apresenta muitos casos de origem desconhecida.

A alimentação não interfere no risco de leucemia?

Verdade. Apesar de os hábitos alimentares saudáveis serem importantes para a prevenção de tumores sólidos, como no intestino, na mama e no abdômen, não há estudos que apresentam a ligação da dieta com o risco de desenvolver leucemia. De qualquer modo, a alimentação balanceada colabora para a saúde como um todo e permanece como questão importante no cotidiano.

O tabagismo aumenta a predisposição para leucemia?

Verdade. Entre as diversas substâncias tóxicas encontradas no cigarro, algumas podem aumentar a incidência de cânceres hematológicos, como a leucemia. Elementos como metais pesados e o benzeno são os principais influenciadores. O tabagismo durante a gravidez pode influenciar no desenvolvimento dessas doenças para os filhos.

Fonte: A.C.Camargo Cancer Center