A fibromialgia é uma doença que se caracteriza por uma dor crônica que migra por vários pontos do corpo e se apresenta sobretudo nos músculos, tendões e ligamentos, especialmente em um dos lados do corpo, embora possa ser bilateral.

Esta doença é considerada um reumatismo e é caracterizada por dor generalizada e fadiga. Essas manifestações estão diretamente relacionadas com o funcionamento do sistema nervoso central e com o processo natural de supressão das dores. Ou seja, há uma disfunção que impede o mecanismo que coordena dor e analgesia de funcionar direito.

Numa pessoa saudável que fica sentada muito tempo numa posição errada, o organismo usa substâncias analgésicas de que dispõe naturalmente, como as endorfinas e a serotonina, conseguindo evitar sintomas de desconforto. Já em um indivíduo com fibromialgia, submetido à mesma condição, o organismo não consegue impedir a dor, refletindo um limiar menor para qualquer sintoma doloroso ou situação desconfortável.

A doença, contudo, não é um processo inflamatório, como uma tendinite, nem causa deformidades físicas, como a artrite reumatoide, mas pode estar associada à esse tipo de doença, dificultando o diagnóstico.

Da mesma forma, não se trata de doença grave, não apresenta risco de vida, no entanto, compromete muito a qualidade de vida e o humor do indivíduo. Seu maior problema está neste impacto negativo causado pela constância de dor generalizada limitando as atividades habituais das pessoas, o qual, contudo, pode ser eficientemente amenizado por um tratamento multidisciplinar.

Alguns estudos calculam que essa condição afete cerca de 5% da população mundial, especialmente as mulheres na faixa dos 35 aos 50 anos.

Causas e sintomas

Dor generalizada, fadiga e alteração do humor são os principais sintomas desta doença. Há nove pontos de cada lado do corpo — e, portanto, 18, no total — nos quais a dor pode se instalar e se espalhar: atrás da cabeça, no pescoço (na altura das vértebras cervicais), em cima do ombro e nas costas, no tórax (perto da segunda costela), nos quadris, nas nádegas, no local onde o fêmur se encaixa na bacia, no cotovelo e na parte traseira do joelho.

Não é à toa que as pessoas se queixam, no consultório, de que "tudo dói". Mas, além da dor, os sinais clínicos abrangem fadiga, ansiedade, dormência nas mãos e pés, alterações intestinais, depressão, dor de cabeça e ausência de sono reparador — os indivíduos acordam já cansados, como se não tivessem dormido.

A causa ainda é desconhecida, mas existe uma deficiência neuroquímica que ajuda a explicar a fibromialgia: em seus portadores, os níveis de serotonina, neurotransmissor associado ao bem-estar, são mais baixos. Além disso, há alguns fatores associados ao aparecimento da condição, como a exposição cotidiana à tensão e ao estresse e, por se tratar de um problema quase que exclusivamente feminino, os desequilíbrios hormonais.

Outras correntes, ainda em estudo, sugerem o envolvimento de algum agente infeccioso na doença, que desencadearia todo o processo, a presença de lesões no sistema nervoso central, que, portanto, afetariam o mecanismo de supressão da dor, e a existência de alterações no metabolismo dos músculos, que os tornaria mais fracos e cansados.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico, realizado após uma investigação médica diagnóstica de outras causas para estas mesmas queixas clínicas. Assim não há exame complementar que possa ser utilizado para estabelecer um diagnóstico definitivo.

No entanto, o exame clínico associado ao conjunto de sintomas e achados no exame físico, são os principais parâmetros para a definição desta doença. Essa avaliação, feita pelo médico no consultório, é fundamental para afastar a possibilidade dos sintomas estarem associados a outros problemas clínicos ou neurológicos mais graves que cursam com cansaço e fraqueza muscular.

O exame físico requer a palpação dos 18 pontos de dor padronizados para o diagnóstico dessa doença. A presença de hipersensibilidade em 11 pontos e queixa de dor contínua por mais de três meses é altamente sugestiva de fibromialgia. Queixa de contratura muscular, maior sensibilidade ao toque físico e as oscilações de temperatura também são comuns nos pacientes com essa doença. Embora não existam testes laboratoriais que possam confirmar a suspeita, o exame de polissonografia pode ser bastante útil para avaliação dos pacientes que apresentam sono não reparador.

Além disso, alguns exames adicionais, de sangue e de imagem, podem ser realizados para descartar inflamações em articulações e tendões, bem como descartar outras doenças clínicas.

Tratamento

O tratamento ideal é realizado pela utilização de três pilares, baseados em remédios, atividade física e suporte psicológico. Na linha de medicações, podem ser empregados desde analgésicos, anti-inflamatórios, até antidepressivos. Estes últimos porque os neurotransmissores reguladores da dor e do humor (depressão) são interligados e semelhantes. Mas apenas o uso de medicações não basta. Um dos grandes aliados deste tratamento,é a realização de um programa permanente de condicionamento físico orientado.

Além de exercícios de alongamento e relaxamento, atividades físicas aeróbicas leves, como hidroginástica, natação e caminhada são extremamente benéficas para estes pacientes. As crises, no entanto, podem voltar porque a doença tem relação com gatilhos físicos e psicológicos. Uma grande sobrecarga de trabalho ou uma insatisfação muitas vezes são suficientes para o ressurgimento dos sintomas. Por isso mesmo, o apoio psicológico costuma ser um adjuvante fundamental no tratamento.

Por se tratar de uma doença de causa desconhecida, não há medidas primárias que possam evitá-la. Mas, dada sua associação com o estresse, a tensão e o desequilíbrio emocional, sobretudo as mulheres devem buscar, desde cedo, uma atividade física regular e reservar periodicamente momentos de lazer e de relaxamento para liberar suas tensões cotidianas.

Cuidar da postura também é importante, pois muitas vezes as crises podem ser desencadeadas por causa de um posto de trabalho inadequado, por exemplo.

Por fim, dormir faz uma grande diferença no modo como encaramos as dificuldades do dia-a-dia. Para tanto, vale fazer a chamada higiene do sono: eliminar tudo que possa atrapalhar esse momento tão valioso, como luz, barulho, colchão inadequado e temperatura desagradável, não fazer do quarto um escritório e não tomar bebidas alcoólicas ou estimulantes — como café — algumas horas antes de dormir.

Fonte: Fleury Medicina e Saúde