Todo ser humano começa de mesmo jeito, com um espermatozoide e um óvulo tornando-se um só, 23 cromossomos do pai e 23 da mãe, contribuindo para as instruções genéticas que um dia fará, bem… você. Mas os genes, parte do DNA que efetivamente codifica proteínas, compõem apenas um centésimo de todo o DNA em todos os 46 cromossomos.

O DNA do nosso genoma é composto por 8% de material genético de vírus ancestrais.

Retrovírus

Vírus da família Retroviridae são capazes de inserir seu material genético no DNA de seu hospedeiro. O HIV pertence a essa família. Se um retrovírus infecta um óvulo e insere seu genoma, ele pode passar para as próximas gerações. Nós estamos cheios desses resquícios, inativos, mas frutos das infecções do passado.

Em um estudo, publicado na Nature, pesquisadores estavam tentando montar uma lista dos genes que eram ativados durante o desenvolvimento embrionário, logo após a fecundação, pois nos estágios iniciais, uma célula do embrião pode se tornar qualquer tecido, e eles queriam descobrir o motivo.

Eles acabaram descobrindo que mais de 100 genes promotores, responsáveis por dar início ao processo de transcrição, vêm de um lugar improvável: dos retrovírus. Sabe-se que esses genes devem ser ativados para ocorrer o correto desenvolvimento do embrião, mas os "interruptores" que os controlam vêm de infecções ancestrais.

Sem esses genes virais não seríamos quem somos hoje. Como eles têm ação direta nas células-tronco, agora serão alvo de muitos estudos, visto que essas células têm um grande potencial terapêutico.

Fonte: Biomedicina Padrão