A Agência japonesa de Pesquisa e Desenvolvimento Médico iniciou um programa especializado em análise do genoma humano para ajudar a diagnosticar pacientes com doenças raras, informou o jornal japonês Japan Times.

O programa, financiado pelo governo japonês, está destinado a pessoas que sofrem com doenças sem identificação e inclui a criação de uma base de dados de quem é portador de enfermidades raras que "poderá ajudar a paciente potenciais no mundo todo", indicou Yoichi Matsubara, líder do projeto, ao jornal.

"A cooperação internacional é um ativo muito importante nesta matéria, porque algumas doenças extremamente raras só atingem um paciente em um país, por exemplo, e há casos nos quais uma doença é identificada encontrando pacientes em outros lugares", explicou Matsubara.

Existem cerca de 7 mil doenças provocadas por anomalias genéticas que só afetam um número reduzido de pessoas, por isso que os médicos costumam ser incapazes de oferecer um diagnóstico preciso, indicou Kenjiro Kosaki, professor de medicina genética do hospital universitário Keio de Tóquio, ao jornal japonês.

Uma doença é considerada rara quando afeta menos de 5 pessoas por cada 10 mil habitantes, e calcula-se que entre 300 a 350 milhões de pessoas no mundo todo são afetadas por alguma dessas patologias.

Embora não existam dados oficiais sobre o número de japoneses que sofrem com alguma doença destas características, Kosaki estima que a cada ano nascem mais de 10 mil crianças com patologias desta índole no país asiático, onde "as análises de genoma nunca foram plenamente utilizadas em medicina até agora".

Durante o programa, que cobrirá cerca de mil crianças e adultos durante o ano fiscal atual, os pacientes serão em primeiro lugar remetidos a um dos 17 hospitais do Japão com especialistas em doenças raras, onde tratarão de encontrar um diagnóstico.

Se não forem encontrados, os pacientes serão enviados a uma das quatro instituições do país asiático com capacidade para realizar uma análise de genoma através de uma amostra de sangue a fim de buscar quadros clínicos que ajudem a determinar a doença.

O programa segue o exemplo de iniciativas similares que já foram realizadas nos Estados Unidos e Reino Unido, e permitirá aos médicos japoneses compartilhar informação com outros geneticistas de todo o mundo.

Fonte: G1