A vacina contra dengue desenvolvida pelo laboratório Sanofi Pasteur — cujos documentos para registro no Brasil já foram submetidos à Anvisa em março — é mais eficaz a partir dos 9 anos de idade. A conclusão é de uma análise combinada de dois grandes testes clínicos feitos pela empresa na Ásia e na América Latina.

A partir dessa faixa etária, a vacina é capaz de proteger 66% dos indivíduos contra a dengue. Os resultados anteriores, que incluíam crianças mais novas, tinham demonstrado 56% de proteção (no estudo da Ásia) e 60,8% de proteção (no estudo da América Latina).

Nesse grupo etário, a imunização também é bem mais eficaz para quem já foi infectado por um dos quatro sorotipos do vírus. Quem já pegou dengue tem uma proteção de 82%. Enquanto isso, quem nunca pegou a doença tem apenas 52% de proteção garantida. As novas conclusões foram publicadas na revista The New England Journal of Medicine.

O estudo também traz como novidade o acompanhamento dos participantes do estudo por um período maior de tempo. Um achado possivelmente negativo da análise foi que, entre as crianças menores de 9 anos, as que pegaram dengue no terceiro ano depois da vacinação tiveram maior risco de desenvolver casos graves da doença em comparação às que não tinham sido vacinadas.

Segundo a médica Sheila Homsani, gerente do departamento médico da Sanofi Pasteur, esses resultados ainda são preliminares e corroboram a indicação de que a vacina seja recomendada somente a maiores de 9 anos.

Um editorial sobre o estudo publicado na revista científica destacou que a vacina foi eficaz em reduzir as hospitalizações por dengue em até 80%. Porém, um ponto fraco seria o fato de ela não trazer uma boa proteção contra o sorotipo 2 da dengue (essa proteção variou de 35 a 50%). Além disso, o fato de que quem não tem histórico de infecções por dengue fica menos protegido.

Até o momento, não existe nenhuma vacina contra dengue aprovada no mundo. A vacina da Sanofi Pasteur é a que está em fase mais adiantada. Segundo Sheila, depois de os documentos para registro terem sido submetidos à Anvisa em março, a expectativa é que a agência conclua a análise até o fim do ano.

Mas existem outras iniciativas de desenvolvimento da imunização contra a dengue, inclusive por instituições brasileiras. O Instituto Butantan, em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), desenvolvem um desses projetos. Já a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está envolvida em dois projetos. A farmacêutica japonesa Takeda também está na corrida pelo desenvolvimento de uma vacina contra dengue.

Fonte: G1