A revista PLOS Neglected Tropical Diseases publicou os resultados de um estudo com mosquitos geneticamente modificados da Oxitec. Os resultados mostraram que, na cidade de Juazeiro, nordeste do Brasil, o mosquito da Oxitec controlou com sucesso o mosquito Aedes aegypti, que transmite os vírus da dengue, da zika, mediante a redução da população-alvo em mais de 90%.

Popularmente conhecido no Brasil como Aedes aegypti do Bem, o mosquito da Oxitec diminuiu a população do mosquito da dengue a um nível tão baixo que não seria possível a transmissão epidêmica da doença de acordo com modelos matemáticos.

"O fato de o número de Aedes aegypti adultos ter sido reduzido em 95% na área tratada confirma que o mosquito da Oxitec cumpre o seu papel que é de acabar com mosquitos", disse o Dr. Andrew McKemey, chefe de Operações de Campo da Oxitec.

"De acordo com os modelos matemáticos publicados, revisados e recomendados pelo grupo de trabalho sobre dengue da Organização Mundial de Saúde (OMS), ele também reduziria o número de mosquitos que picam, abaixo do limiar de transmissão da doença."

"O próximo passo é fazer estudos ainda maiores para otimizar ainda mais a operação no campo."

O estudo no bairro de Itaberaba, na cidade de Juazeiro, Bahia (Brasil) foi liderado pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Moscamed, uma organização social líder no controle ambientalmente amigável de pragas. A área tratada incluiu uma população de aproximadamente 1.800 pessoas.

Como funciona?

Esse método de controle é espécie-específico . Os mosquitos machos da Oxitec são liberados no ambiente para copular com as fêmeas do Aedes aegypti selvagem e seus descendentes morrem devido a um gene auto-limitante antes que possam se reproduzir e se tornar transmissores de doenças. Os mosquitos da Oxitec também carregam um marcador colorido para o monitoramento, e, juntamente com seus genes, não persistem no meio ambiente.

Controle do mosquito no Brasil

"O Aedes aegypti é uma espécie invasora no Brasil e as doenças por ele transmitidas são verdadeiros desafios. Ele está desenvolvendo resistência aos inseticidas e, até mesmo quando removemos seus criadouros, eles continuam a se reproduzir e transmitir doenças por viverem em áreas de difícil tratamento. É por isso que precisamos de novas ferramentas. Sabíamos que o mosquito da Oxitec era uma ferramenta promissora, por isso queríamos avaliar de forma independente sua eficácia aqui no Brasil", disse a professora Margareth Capurro da Universidade de São Paulo (USP).

O Brasil está liderando a aplicação de novas abordagens no combate ao mosquito da dengue. Após a aprovação do mosquito da Oxitec pelo Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), a cidade de Piracicaba no Estado de São Paulo começou o primeiro projeto municipal mundial de uso do Aedes aegypti do Bem.

Sobre a Oxitec

A Oxitec é pioneira no uso de engenharia genética para controlar pragas de insetos que propagam doenças e danificam plantações e foi fundada em 2002 como uma spinout da Universidade de Oxford (Reino Unido).

Sobre as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti

A dengue, a chikungunya e o vírus zika são doenças debilitantes transmitidas pela picada de um mosquito Aedes infectado. O Aedes aegypti é o principal vetor e, portanto, a prioridade no controle. Atualmente, não há vacina ou medicamento específico para estas doenças. Segundo a OMS, a única maneira de combater a dengue no presente é por meio do controle dos mosquitos que transmitem a doença.

A dengue causa sintomas graves semelhantes aos da gripe e, em casos extremos, pode ser fatal. Há cerca de 400 milhões de casos de dengue todos os anos e sua incidência aumenta rapidamente em todo o mundo.

A chikungunya pode causar dor severa do músculo e cãibras e mais de 10% das pessoas podem desenvolver artralgia persistente durante alguns anos após a infecção aguda. O Centro para Controle de Doenças (CDC) dos EUA estima que tenha havido mais de um milhão de casos nas Américas desde 2013.

O vírus zika pode reagir de forma cruzada com outros vírus estreitamente relacionados. Este vírus se originou na África e vem se propagando pela Ásia. Este ano, ele se propagou para o Brasil e Caribe.

Fonte: PR Newswire