Uma nova cepa de uma bactéria que "come carne" pode estar se espalhando e contribuindo para o aumento de casos no Reino Unido, no Japão, na França, no Canadá e na Suécia, dizem cientistas. O fenômeno foi observado durante um período de 11 anos, entre 1998 e 2009, com as infecções sendo ligadas ao novo e mais potente subtipo, conhecido por emm89.

A cepa produz mais toxinas do que outros tipos, e também é a única a ter perdido sua cápsula exterior, o que pode torná-la mais propensa a causar infecções invasivas graves.

De acordo com Claire Turner, da equipe do Imperial College, instituição de Londres com foco em ciência, engenharia e medicina, pensava-se anteriormente que a cápsula externa fosse essencial para causar doença invasiva. Mas depois descobriu-se que a falta de cápsula pode ajudar as bactérias a infectar pessoas.

"Sabemos que, sem cápsula, elas aderem melhor às superfícies, de modo que possam ajudar a transmitir mais facilmente a infecção", disse a estudiosa. "Outra possibilidade é que elas podem mais facilmente entrar nas células humanas, o que as torna mais difíceis de tratar."

Já Shiranee Sriskandan, da mesma faculdade, acredita que é necessário que haja mais investigação sobre como prevenir a propagação desse subtipo.

"Nós sabemos muito pouco sobre como o estreptococo do grupo A é transmitido de pessoa para pessoa", afirmou Sriskandan. "Precisamos olhar para isso mais profundamente e pensar sobre as melhores formas de prevenir a transmissão. Felizmente, a nova variante permanece extremamente sensível à penicilina e a antibióticos relacionados. Mas também precisamos pensar sobre se as nossas estratégias de tratamento são tão boas quanto elas podem ser."

Fonte: O Globo