O surto de uma nova doença respiratória está causando mortes e pânico na Coreia do Sul, onde nove pessoas morreram e ao menos cem foram infectadas.

De acordo com a OMS, a MERS (síndrome respiratória por coronavírus do Oriente Médio, na sigla em inglês) está sendo transmitida pelo contato entre as pessoas. Mais de 2,7 mil escolas sul-coreanas foram temporariamente fechadas em meio ao temor de contaminação.

Os primeiros casos foram registrados em 2012 no Oriente Médio. O surto atual, no entanto, é mais amplo e grave do que o de três anos atrás.

Mas, afinal, o que é esse novo vírus e devemos nos preocupar com ele?

O que é o novo vírus?

Ele é conhecido como coronavírus, família de vírus que inclui desde o que causa uma simples gripe até a SARS (síndrome respiratória aguda grave). A primeira vítima foi registrada em 2012, na Arábia Saudita. Segundo a OMS, ao menos 442 pessoas foram mortas por conta desse vírus desde então.

A maioria dos casos se originou em um animal ainda não identificado – mas há casos em que o vírus foi transmitido entre duas pessoas. Casos foram confirmados em 25 países na Ásia, no Oriente Médio e na Europa, sendo que a maioria dos casos ocorreu na Arábia Saudita. Em maio deste ano, dois novos países entraram na lista: China e Coreia do Sul.

O que ele causa?

O coronavírus causa infecções respiratórias em humanos e animais. Pacientes apresentam febre, tosse e problemas respiratórios. O vírus pode causar pneumonia e, às vezes, falência dos rins. A maioria dos infectados até agora são homens mais velhos, geralmente com problemas de saúde pré-existentes.

Segundo especialistas, ainda não está claro por que algumas pessoas desenvolvem formas mais leves da doença.

Como o vírus se espalha?

Há suspeitas de que o vírus se espalhe quando pessoas contaminadas tossem ou espirram. Pessoas que entraram em contato próximo com doentes se contaminaram, o que indica que o vírus tem a habilidade de ser transmitido de pessoa para pessoa.

Até o momento, a maioria dos humanos com MERS foi contagiada pelo contato com outros humanos em hospitais ou clínicas. Como exatamente o vírus é transmitido é algo que ainda não foi totalmente esclarecido.

Quão perigoso ele é?

Especialistas acreditam que o vírus não seja muito contagioso. Se fosse, já teríamos visto mais casos. O coronavírus é frágil. Fora do corpo, ele só pode sobreviver por um dia e é facilmente destruído por detergente comum.

Especialistas em saúde pública no Reino Unido reforçaram que o risco à população em geral continua sendo bem baixo. A maior preocupação mundial, porém, é sobre o potencial que esse novo vírus terá para se espalhar por toda a parte. Por enquanto, a transmissão de pessoa para pessoa ficou limitada a pequenos grupos. Não há nenhuma evidência até agora de que o vírus tenha a capacidade de se tornar pandêmico.

Médicos ainda não sabem qual é o melhor tratamento, mas as pessoas com sintomas fortes necessitarão de cuidados médicos para ajudá-las a respirar. Não há nenhuma vacina. Até este mês, segundo a Organização Mundial da Saúde, 36% dos pacientes com MERS haviam morrido.

O que posso fazer para me proteger?

Ainda não se sabe exatamente como as pessoas podem pegar o vírus. No entanto, algumas medidas gerais podem ajudar a prevenir que ele se espalhe — evitar contato próximo, quando possível, com qualquer pessoa que mostre sintomas de doença (como tosse e coriza) e manter as mãos sempre limpas.

De onde ele veio?

Especialistas ainda não sabem de onde o vírus surgiu. Pode ter sido o resultado de uma nova mutação de um vírus já existente ou pode ser uma infecção que tem se espalhado entre os animais e agora atingiu também os humanos.

Há algum conselho para viagens?

No momento, a Organização Mundial da Saúde diz que não há motivos para impor quaisquer restrições para viagens. Essa questão será revista se possíveis novos casos ocorrerem ou se os padrões de transmissão se tornarem mais claros.

E os vírus relacionados?

Os coronavírus são vírus comuns que a maioria das pessoas pega ao longo da vida. O nome deles vêm de algo como uma coroa de espinhos que cobre sua superfície.

Os coronavírus de humanos foram identificados pela primeira vez em meados dos anos 1960.

Outras variantes infectam diferentes animais, produzindo sintomas parecidos com os de humanos. A maioria dos coronavírus geralmente infecta apenas uma espécie de animal ou, no máximo, um número pequeno de espécies relacionadas.

A SARS foi diferente, pois era capaz de infectar pessoas e animais, incluindo macacos, gatos, cachorros e roedores. O novo coronavírus não parece passar de pessoa para pessoa facilmente, enquanto a SARS passa.

A SARS pode ter infectado mais de 8 mil pessoas, a maioria na China e no Sudeste da Ásia, em uma epidemia que começou em 2003. A doença se espalhou para mais de duas dezenas de países na América do Norte, América do Sul, Europa e Ásia antes que a epidemia global fosse contida.

Especialistas descobriram que a SARS poderia se espalhar pelo contato próximo de pessoa para pessoa. De acordo com a OMS, 774 pessoas morreram da infecção. Desde 2004, porém, não houve nenhum outro caso conhecido de SARS registrado em qualquer parte do mundo.

Fonte: BBC