Segundo estudo, pessoas que sobreviveram à doença correm maior risco de desenvolver outras enfermidades como pneumonia, meningite e doenças parasitárias.

O sarampo pode afetar o sistema imunológico por até três anos, expondo os sobreviventes a um maior risco de contrair outras doenças infecciosas e potencialmente mortais, segundo estudo publicado pela revista científica Science nesta quinta-feira.

Pesquisas anteriores já mostravam que o sarampo poderia suprimir as defesas naturais do organismo durante alguns meses. Mas, pela primeira vez, demonstrou-se que os perigos da doença - evitável com vacina - persistem por muito mais tempo do que se imaginava.

Ao acompanhar as mortes de crianças na Europa e nos Estados Unidos, tanto nas eras pré e pós-vacina, os especialistas descobriram uma "correlação muito forte entre a incidência da doença e mortes por outras enfermidades, revelando um 'período de latência' médio de aproximadamente 28 meses após a infecção por sarampo".

"Trocando em miúdos, se você contrai sarampo, pode correr o risco de, até três anos depois, morrer de algo que não seria fatal caso não houvesse a infecção por sarampo", explicou Jessica Metcalf, coautora do estudo e professora assistente de ecologia e biologia evolutiva e assuntos públicos na Universidade de Princeton.

Acredita-se que o sarampo seja capaz de varrer do organismo as células essenciais de memória, responsáveis por armazenar informações sobre agentes infecciosos e por proteger o corpo contra infecções como pneumonia, meningite e doenças parasitárias.

O sarampo é uma das doenças mais contagiosas do mundo. Ele costuma provocar erupção cutânea e febre, e pode levar a complicações perigosas, como infecções pulmonares, inchaço no cérebro e convulsões. Depois que a vacina contra o sarampo foi introduzida há 50 anos, a mortalidade por sarampo começou a cair, assim como os óbitos por outras doenças infecciosas.

"Nossas descobertas sugerem que vacinas contra o sarampo têm benefícios que vão além da simples proteção contra o sarampo em si", disse Michael Mina, autor principal do estudo. "É uma das intervenções com melhor relação custo benefício para a saúde global", disse.

Fonte: Veja