Para a adolescente Luísa (nome fictício) , de 17 anos, o ano se inicia com muitas expectativas. A jovem, que cumpre medida de semiliberdade no Instituto Socioeducativo do Acre (ISE), passou no curso de biomedicina de uma faculdade da rede particular de ensino. O acesso ao nível superior será possível por meio do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

"Sempre foi o meu sonho cursar o nível superior. Quero ser médica, vou começar com biomedicina e aos poucos sei que alcançarei meus objetivos. As dificuldades vão aparecer, mas irei superá-las, pois conto com o apoio da minha mãe e do Instituto", afirmou, emocionada.

"Agora tenho a chance de transformar a minha vida."Luísa

A mãe, Maria José Tavares, é professora e acredita que o momento é de transformação. "Quando minha filha cometeu o ato infracional, meu mundo caiu. Agradeço bastante por ter sido ajudada pelo Estado. Hoje me sinto a mulher mais feliz do Acre, pois vejo as coisas dando certo e se concretizando em nossas vidas", ressaltou.

O regime de semiliberdade permite que os jovens em conflito com a lei tenham uma vida normal. Eles recebem acompanhamento psicossocial nos ambientes escolar, familiar e comunitário. O ISE tem estimulado o acesso ao primeiro emprego, por meio de cursos técnicos profissionalizantes e estágios supervisionados, nos órgãos públicos estaduais.

Rafael Almeida, diretor-presidente do ISE, explica que o objetivo da instituição é reinserir o adolescente na sociedade, de forma que ele tenha acesso à educação e emprego. "Quando o jovem chega, o nosso desafio é de que, quando ele retornar ao meio social, volte da melhor forma possível, que pare de cometer atos infracionais e possa concluir ou retornar ao ensino regular", declarou.

Primeiro emprego

Em fevereiro, Luísa inicia uma nova jornada em sua vida. Ela vai ser inserida no quadro de estagiários do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Por meio de um termo de cooperação com o ISE, o emprego oferece uma bolsa de R$ 400 por mês, com jornada de trabalho de quatro horas diárias.

Almeida ressalta a importância do primeiro emprego na vida dos socioeducandos. "A inserção no mercado de trabalho é de grande importância para que esses jovens sejam realmente reintegrados à sociedade", disse.

"Estou muito ansiosa para começar a trabalhar. Quero ter meu próprio salário e poder comprar minhas coisas. Eu errei, paguei pelos erros, e agora tenho a chance de transformar a minha vida", enfatizou Luísa.

Foto: Diego Gurgel/Secom.

Fonte: biomedicina" target="_blank">AGÊNCIA AC